Ceci Akamatsu
Por Ceci AkamatsuLeia em 22 min.23/09/2015 

Sua força pode ser sua maior fraqueza

Qualidades deixam de ser aliadas quando mal aproveitadas

Qualidades deixam de ser aliadas quando mal aproveitadas

Tudo em nossa vida tem sua medida saudável e harmoniosa. Em excesso, o que é saudável se torna nocivo, assim como em sua falta. O alimento, por exemplo, em quantidade equilibrada, é essencial para a boa saúde, a vitalidade e um bom sistema imunológico. Se comermos pouco, ficaremos enfraquecidos, sem energia, suscetíveis a organismos invasores e vulneráveis a doenças. Já se comermos em excesso, podemos ficar obesos e – ainda que não fiquemos enfraquecidos como quem se alimenta de forma insuficiente – também ficaremos fragilizados de alguma forma, com a saúde debilitada.

Seja pela falta ou pelo excesso, tudo pode se tornar nocivo se estiver na medida errada. Em situações diferentes, diferentes medidas serão necessárias. O excesso e a falta variam de acordo com a circunstância e cabe a nós perceber qual a nossa medida de equilíbrio em cada situação.

Você sabe aproveitar seus pontos fortes?

O exemplo do alimento refere-se a algo bem físico e material, mas esse mesmo raciocínio pode ser aplicado para aspectos mais sutis de nosso ser. É saudável ser uma pessoa decidida, por exemplo, pois essa atitude pode nos ajudar muito a caminhar na vida de maneira mais fluida e dinâmica. Porém, se não levarmos em conta que certas circunstâncias exigem uma decisão mais elaborada, acabamos tendo atitudes impensadas e achamos que não podemos fraquejar. Com isso, atropelamos as coisas e, assim, aquela qualidade de tomar decisões ágeis pode se tornar um defeito.

Às vezes, consideramos alguns aspectos pessoais como nossos pontos fortes, mas podemos perder a medida deles, sem percebermos, transformando nossas maiores forças em nossas maiores fraquezas.

Às vezes, consideramos alguns aspectos pessoais como nossos pontos fortes, mas podemos perder a medida deles, sem percebermos, transformando nossas maiores forças em nossas maiores fraquezas.

Um caso interessante, por exemplo, que já percebi nos atendimentos que realizo, é o de algumas pessoas que têm grande força e energia, uma imensa capacidade de resistir aos revezes da vida. Esta é uma qualidade bastante positiva, que pode nos ajudar muito ao longo de nossa existência. Mas, por vezes, esta força é tão grande que, ao invés de ser usada somente nos momentos em que é necessária, ela passa a ser utilizada sempre. A cada situação difícil, a pessoa afirma para si mesma que não importa o quão intenso seja o desafio, ela dará conta. Com isso, passa a viver cada vez mais situações de martírio desnecessariamente, apenas para afirmar para si mesma sua força – que por sua vez vira algo prejudicial, atrapalhando seu caminho. Nesse caso, a vida torna-se um sacrifício, sem que a pessoa perceba o que está fazendo consigo mesma.

Outro exemplo é o de pessoas que têm facilidade em se abrir e ajudar o próximo. No entanto, se usam excessivamente esta qualidade podem se sentir exauridas ou “sugadas” pelos outros e pelas situações. Como consequência, tentam se proteger desta vulnerabilidade, se afastando das pessoas, com medo de se abrir e ajudar o outro e, assim, entrar em exaustão novamente. Neste caso, pode acabar caindo na situação oposta, e não utilizar essa qualidade. Por isso é importante achar nosso equilíbrio em cada situação.

Uma outra situação é quando a pessoa tem naturalmente a habilidade de saber se impor, de colocar seus limites ao outro de maneira clara e objetiva. Se esta qualidade é usada excessivamente, pode acabar se transformando em uma atitude um tanto territorialista, que ao defender excessivamente seus limites (sejam eles no nível físico, emocional, mental) cria uma dinâmica de inflexibilidade, afastando os outros de si. A pessoa pode tentar compensar este distanciamento criado por ela mesma, se mostrando mais simpática e aberta, tentando trazer as pessoas para perto dela, e aparentando abertura e flexibilidade. Provavelmente será aquela pessoa “super gente boa”, mas que se vê continuamente envolvida em embates, conflitos e reclamações. Ela tem o desafio de aprender a dosar melhor sua força na imposição de limites.

Por que as situações se repetem na sua vida?

Conforme podemos observar nestes exemplos, quando não dosamos bem nossas qualidades de acordo com as circunstâncias, podemos acabar criando zonas de conforto, maneiras automáticas de conduzir a vida, que por sua vez geram mecanismos compensatórios também desequilibrados, que se manifestam em contradições internas e externas. Geralmente utilizamos como desculpas para nós mesmos e para os outros a nossa qualidade em jogo, mas não percebemos que sua intensidade e as circunstâncias estão de fato trazendo mais problemas – e não a solução.

A pessoa de natureza amorosa, mas que se protege por medo de se sentir exaurida, aparentemente pode parecer fechada, mas na realidade sua qualidade é de amor e abertura. Já quem é mais territorialista, pode parecer aberto e receptivo, quando na realidade sua natureza é mais fechada e delimitada.

Se não houver um equilíbrio verdadeiro, ainda que a pessoa amorosa se proteja, aparentemente se fechando, ela ainda vai vivenciar situações que ressaltam sua vulnerabilidade. Pode, por exemplo, evitar relacionamentos afetivos por se sentir sempre “sugada” pelos seus parceiros, e aí aparece alguém que insiste muito em estabelecer um vínculo. A nova oportunidade afetiva parece ser diferente, uma relação mais equilibrada, mas depois de pouco tempo o sentimento de cansaço e de estar sendo usada está lá novamente, afinal, a pessoa precisa a aprender a não se abrir e ajudar tanto o outro. Não adianta se perguntar: “por que justo eu, uma pessoa tão boa, carinhosa e prestativa, passo por este tipo de dor?”, quando ela mesma está contribuindo para o próprio sofrimento ao não concretizar seu aprendizado.

A pessoa mais territorialista e fechada, se não aprender a flexibilizar seus limites, ainda que se mostre envolvente, vai acabar tendo relações e vínculos mais superficiais e frágeis, pois não consegue estar profundamente aberta e envolvida. Pode até estabelecer muitas relações, mas não na profundidade que busca. E vai acabar se questionando: “por que eu, que demonstro tanta abertura, faço tudo para o outro confiar e se entregar, não consigo esse voto de confiança?”. Mas o que ela não percebe é que não está se abrindo de verdade, não está verdadeiramente flexibilizando.

Cabe a nós observarmos e questionarmos a maneira como dosamos e direcionamos nossas qualidades nas diferentes situações de vida, e percebermos de maneira mais ampla como elas verdadeiramente impactam nossa vida.

Que tal avaliar a sua vida agora?

  1. Faça uma lista daquelas características que você considera suas maiores forças e qualidades.
  2. Descreva como elas podem ajudar nas diferentes áreas de sua vida.
  3. Perceba qual a atual situação em cada uma dessas áreas. Estas qualidades estão se manifestando de maneira equilibrada? Você identifica algum excesso ou falta de suas qualidades? Elas de fato elas estão contribuindo ou atrapalhando sua vida? Oscilam exageradamente entre a falta e o excesso? Como você pode agir e pensar de maneira que elas possam ser mais equilibradas e harmoniosas?

Para continuar refletindo sobre o tema

Ceci Akamatsu trabalha com ferramentas energéticas que ajudam a harmonizar a vida. Para pedir as indicações adequadas ao seu caso, basta escrever para: ceciakamatsu@gmail.com

O que você está plantando em sua vida?

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Ceci Akamatsu

Ceci Akamatsu

Terapeuta Acquântica, faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro, em São Paulo e à distância. É a autora do livro Para que o Amor Aconteça, da Coleção Personare.