Rodolfo Veronese
  • Por Rodolfo Veronese
  • Leia em 2 min.
  • 04/02/2009
  • Atualizado em 23/06/2018 às 23:09

Conheça a Astrologia Medieval

Diferenças entre interpretações astrológicas medievais e modernas

Conheça a Astrologia Medieval

Se fôssemos estabelecer uma frase que resumisse o que difere a Astrologia Moderna da Medieval, poderia ser a seguinte: Astrologia Medieval é prosa realista; a Moderna, poesia. Porque a diferença mais gritante entre as duas práticas está no modo como cada uma interpreta o mapa.

Na Astrologia Contemporânea, o mapa representa você, sua personalidade e o modo como vê o mundo e os elementos de sua vida. Para a Astrologia Medieval, a ênfase maior não é no modo como você se comporta ou percebe a vida, mas em representar os acontecimentos em si, o desenrolar da sua vida e de todas as pessoas que vivem com ela.

A Astrologia Medieval compreende as técnicas de interpretações e prognósticos astrológicos difundidas entre os séculos IX e XIV da Era Cristã, numa área que compreende o Oriente Médio o Mediterrâneo e a Península Ibérica. Isso explica outra diferença entre a prática Medieval e a Moderna: o desuso dos planetas Urano, Netuno e Plutão. Como não se sabia da existência de tais planetas nos tempos medievais, um astrólogo medieval purista nos tempos atuais não os incluirá no desenho do mapa. Usa-se apenas Sol, Lua, Saturno, Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio.

Quando um astrólogo medieval lia a Casa 2, por exemplo, ele estava interessado em saber as condições financeiras da pessoa. A Casa 2 descreveria dados bastante concretos do dinheiro que a pessoa ganhará pela vida. Entenda abaixo quais perguntas a Astrologia Medieval responderia, nesse caso:

  1. A pessoa terá muitas posses?
  2. Qual será sua fonte financeira?
  3. Qual será a época da sua vida na qual ganhará mais?

No século XX, para muitos astrólogos, a Casa 2 ganhou a interpretação do nosso valor, das nossas esperanças de ganho na vida. Compare com as perguntas hipotéticas que Howard Sasportas (astrólogo moderno, autor do livro “As doze Casas”) faria:

  1. Como nos relacionamos com dinheiro e posses?
  2. Quais são as nossas capacidades que poderemos desenvolver?
  3. Quais são as coisas que valorizamos?

De previsão do tempo à estratégia de guerra: um saber de mil e uma utilidades

Na Europa Medieval, saber Astrologia era imprescindível em profissões como a medicina. Além disso, era comum cada rei ter um astrólogo somente para si. Confira funções antigas desse estudo:

  1. Analisando o mapa do momento em que a pessoa adoecia, extraía-se informações sobre a severidade da doença e quais remédios seriam mais adequados para ela;
  2. Ao se levantar o mapa de um recém-nascido, procurava predizer se ele sobreviveria à infância e chegaria na vida adulta; caso isso se confirmasse, calculava-se sua expectativa de vida.
  3. Astrólogos escolhiam através de mapas o melhor momento para um reino atacar o outro e vencer.
  4. Mapas eram usados para se prever chuvas, desastres climáticos, epidemias, etc.

Pela lista acima, percebe-se que a Astrologia preenchia um papel que mais tarde foi substituído pela ciência moderna. Devido a isso, é natural concluir o porquê de sua abordagem ter sido bastante objetiva. Seria desnecessário usarmos a hoje a Astrologia com os mesmos objetivos daqueles encontrados na Idade Média, embora algumas coisas continuem interessantes, curiosas e bastante úteis, no sentido de suprir algumas demandas existenciais do homem moderno.

Para optar entre a Astrologia Moderna e a Medieval você precisa refletir sobre quais respostas busca. Temos dois caminhos com suas particularidades e não é necessária uma escolha se você gostar dos dois. Afinal de contas, Astrologia é Astrologia!

Para continuar refletindo sobre o tema:

Sasportas, Howard. As Doze Casas. Editora Pensamento, 1985

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Rodolfo Veronese

Rodolfo Veronese

Diretor técnico da Central Nacional de Astrologia, é especializado em Astrologia Medieval e faz atendimentos virtuais e pessoais, no Rio de Janeiro. Também ministra cursos, workshops e palestras sobre o tema. Saiba mais