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Para que servem os sonhos?

Confira os 10 benefícios que o ato de sonhar pode oferecer à sua vida

Por: Thaís Khoury

 

No artigo anterior, vimos o que causa os sonhos e a importância de interpretá-los. Agora entenderemos a finalidade dos sonhos. Do ponto de vista psicanalítico, o símbolo do sonho é de significado fixo e, portanto, a interpretação é uniforme. Já para a Psicologia Analítica, o simbolismo do sonho depende da associação feita pelo sonhador, isto é, o símbolo não possui exclusivamente um único significado universal, mas sim significados conectados com as experiências e memórias do sonhador. Portanto, a interpretação não é uniforme e permite um procedimento que se chama amplificação.

A amplificação de sonhos consiste em observar e explorar cada elemento presente no sonho, analisar e aprofundar o significado de cada símbolo de acordo com o que significam para o sonhador. Por meio desse procedimento, o sonhador pode associar os símbolos às situações (internas ou externas) de sua vida, a mecanismos psíquicos frequentemente utilizados por si ou que compensação eles carregam em si.

Apesar do fascínio do homem sobre seus sonhos, devemos saber que para se operacionalizar a análise de sonhos, muitas vezes anotá-los simplesmente não é suficiente. Muitas vezes é preciso um especialista que ajude a amplificar e otimizar as questões do sonho para a consciência, fato que dificilmente conseguimos sozinhos.

Tipos de sonhos

Os sonhos podem ser classificados em grandes ou pequenos. Sonhos grandes são sonhos mais arquetípicos, míticos, muitas vezes indecifráveis do ponto de vista individual, porém carregados de uma energia capaz de "sacudir" a psique e modificar o curso da vida do indivíduo. Já os pequenos falam da vida cotidiana e expressam mecanismos, complexos, defesas e aspectos mais inconscientes da vida individual, falam do cotidiano psíquico do sonhador.

Por hora, falarei dos pequenos sonhos, que são os sonhos mais habituais e que nos situam em nossas ações e escolhas no mundo.

Abaixo veremos 10 benefícios - entre funções psíquicas dos sonhos e funções na vida cotidiana - que podem ajudar você a se conhecer melhor, por meio do que sonha.

  • 1Aprofundar o relacionamento consigo mesmo: ao entrar em contato com os sonhos, o sonhador percebe muitas de suas características psíquicas e emocionais, criando maiores vínculos com sua intuição, modificando atitudes e comportamentos, notando e elaborando sintomas físicos e compreendendo mais conscientemente as situações da vida. Sonhar permite ao sonhador levar em consideração todas as instâncias de si mesmo, ou seja, conscientes e inconscientes.
  • 2Entender melhor os universos externo e interno: ao sonhar, percebemos que existem dois mundos: um que observamos, vivenciamos empiricamente, percebemos, conceituamos e onde passamos a maior parte de nosso tempo acordados. O outro é de consistência diferente, que acontece quando dormimos e existimos de uma maneira diferente, pois o inconsciente não está atrelado às questões morais e éticas. Sua lógica de funcionamento é própria, mas ainda assim capaz de nos mostrar o que não vemos acordados. Assim percebemos que somos feitos de partes que se completam.
  • 3Relatar o processo de individuação: quando acompanhamos os sonhos, vamos traçando uma história conectada com nosso propósito de vida, amadurecemos e tecemos um caminho que é só nosso, que nos pertence. Os sonhos analisados sequencialmente nessa jornada são como um guia que pode nos orientar rumo à nossa própria finalidade na existência, ou seja, o propósito de estarmos aqui e agora.
  • 4Oferecer recursos riquíssimos para uma boa terapia: a aplicação clínica da análise dos sonhos é uma ferramenta importante que dá ao terapeuta a localização do sonhador dentro do processo, seu progresso, os entraves, as modificações psíquicas que estão ocorrendo. Isto é bastante útil e fidedigno, favorecendo o ganho de consciência ao longo da terapia.
  • 5Compensar e equilibrar a psique: a principal função ressaltada por Jung é a função compensadora do sonho. Ela balanceia as vivências externas com as internas, havendo então um pareamento entre ambas. Por exemplo: um evento que gerou muita raiva no sonhador sem que ele pudesse demonstrá-la, gera um desequilíbrio psíquico que pode ser vivido no sonho, como uma situação de briga em que o sonhador diz e age de forma bastante agressiva. Não acontece fora, mas pode acontecer dentro. Dessa forma, o sonho "alivia" a tensão psíquica gerada pela discordância entre o externo e o interno, ainda que temporariamente.
  • 6Demonstrar o que fazer: muitas vezes o sonho trata de resumir tarefas para o preenchimento de uma condição, etapas pelas quais o sonhador deverá passar para angariar um nível mais elevado de consciência. Os sonhos também podem ser interpretados como uma peça teatral que apresenta uma situação problemática e mostra seu desenvolvimento e conclusão. Com isso, o sonhador tem a possibilidade de repensar escolhas, questionar uma situação instalada, enfim, pode modificar sua percepção acerca dos eventos que a ele se apresentam externamente.
  • 7Desgastar acontecimentos traumáticos: sonhos reativos são os sonhos que se repetem, evocando situações traumáticas vivenciadas anteriormente pelo sonhador, como traumas de guerra, acidentes graves, catástrofes, etc. Eles ocorrem com o intuito de desgastar a energia que se acumulou em torno do trauma, até que se esgote ou que esta situação possa ser ressignificada pela via consciente.
  • 8Comunicar-se: sonhos telepáticos são de existência inegável, porém de causa inexplicável também. Caracterizam-se por pessoas que sonham o mesmo sonho ou que conversam no sonho em tempos muito próximos, sem que um necessariamente saiba do outro. Em geral, pode ocorrer entre pessoas distantes ou mesmo entre pessoas próximas que vivenciam o mesmo sonho, na mesma noite e que, conversando, podem descobrir que se comunicaram via inconsciente. São mais raros e muitas vezes podem passar despercebidos, caso falar sobre sonhos não seja um hábito.
  • 9Prever acontecimentos: sonhos prospectivos ou premonitórios são sonhos difíceis de identificar, já que somente podem ser percebidos depois que o evento ocorre, de fato. Até mesmo para aqueles que acompanham seus sonhos e seu mundo interno de perto, os sonhos premonitórios são difíceis de serem identificados. Podem tratar de grandes eventos, como morte, gravidez ou acidente, mas também podem falar de prospecções ligadas a fatos cotidianos. São também raros, porém possíveis. De qualquer maneira, mais do que entendê-los como profecias, eles devem ser entendidos como um rascunho, uma possibilidade preliminar.
  • 10Aguçar e promover insights criativos: quantos inventores, cientistas, operadores de bolsa, teóricos e escritores já tiveram suas obras ou trabalhos criados e desenvolvidos a partir de insights obtidos em sonhos? Quando nos conectamos aos nossos sonhos, podemos acessar nossas ideias de maneira mais livre e por isso nossa criatividade flui sem entraves. Algumas vezes podemos até perceber a forma de concretizá-las, de fazê-las tornarem-se reais no mundo concreto.

Com todos esses benefícios elencados, fica claro que acessar os sonhos, o inconsciente, é uma tarefa mais do que fascinante. É útil. Dá sentido. Conecta o ser humano às suas forças vitais e ao seu código interno de funcionamento para ser mais saudável e efetivo na vida.

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SOBRE O AUTOR

Thaís Khoury

É formada em Psicologia pela Universidade Paulista, com pós-graduação em Psicologia Analítica. Utiliza a interpretação dos sonhos, a calatonia e a expressão criativa em seus atendimentos. Saiba mais »

contato: thais.khoury@hotmail.com
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