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Alimentos contra o câncer

Comer frutas, legumes e verduras pode evitar 19% dos casos da doença

 

No Dia Mundial de Combate ao Câncer (08/04) é importante refletir sobre como você está se alimentando. Afinal, mais do que ajudar a perder peso, adotar um cardápio saudável pode prevenir o surgimento do câncer. A informação faz parte do relatório "Políticas e Ações para a Prevenção do Câncer no Brasil, Alimentação, Nutrição e Atividade Física", lançado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). O documento aponta que a combinação de alimentação com atividade física é responsável pelo controle de 19% dos casos da doença no Brasil. Seguindo essa dobradinha, o percentual de prevenção para tumores de boca, laringe e faringe chega a 63%, seguido de esôfago, com 60%; endométrio, com 52%; estômago, com 41%; e intestino grosso (colorretal), com 37%.

Apesar da boa notícia, um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alerta que os brasileiros estão ingerindo menos de um terço dos alimentos recomendados para a prevenção do câncer. De acordo com o nutricionista da Área de Alimentação, Nutrição e Câncer do INCA, Fabio Gomes, é necessário consumir diariamente pelo menos 400 gramas de frutas, legumes e verduras para combater o surgimento da doença.

"Esses alimentos possuem diversas substâncias anticerígenas. Podemos destacar o licopeno, presente em tomate, goiaba e melancia. O agrião é rico em isotiocianato, ativado durante a mastigação. Nesse caso, o ideal é cozinhar o vegetal em uma panela de plástico, pois o metal oxida esse componente. Já o espinafre e os alimentos alaranjados, como mamão e cenoura, contêm carotenóides. No entanto, mais importante do que o tipo de fruta, legume ou verdura, é atingir a quantidade de 400 gramas por dia. Varie o máximo que puder e evite os legumes mais calóricos, como batata, aipim e inhame", ensina Fabio.

Como os alimentos agem na prevenção do câncer

Segundo o nutricionista, a doença começa a aparecer quando algum componente cancerígeno entra no organismo e danifica o material genético, ou seja, o DNA. Isso afeta as células do corpo, que começam a se multiplicar desordenadamente, dando origem aos tumores. Uma maneira de combater a doença é evitar que este tipo de lesão chegue à célula.

"Os componentes presentes em frutas, legumes e verduras protegem as células contra agressões. O DNA tem um mecanismo próprio de reparação de defeitos e pode se autoconsertar quando encontra um agente agressor. Mas quando a pessoa tem uma alimentação adequada, esse conserto é feito mais rapidez e impede a multiplicação celular, que origina o câncer", explica o especialista.

Outro ponto positivo que um cardápio balanceado traz é a capacidade de matar as células defeituosas. "Vamos supor que as células não foram consertadas antes da entrada do agente agressor. Nesse caso, os componentes presentes nos alimentos impedem a multiplicação celular, matando a célula", enfatiza Fabio.

Leguminosas e alimentos integrais, como feijão, grão de bico e lentilha são ricos em fibras, que também são anticancerígenas. "Todos os dias nosso intestino produz fatores cancerígenos. A diferença é que quando o órgão funciona regularmente, também eliminamos diariamente esses compostos nocivos. As fibras ajudam a manter o intestino regulado e por isso evitam o câncer nessa região", complementa o nutricionista.

Consumo e preparo de carnes pede moderação

Outro dado que preocupa é a presença semanal de 523 gramas de carne vermelha na mesa dos brasileiros, conforme o IBGE mostra. O nutricionista do INCA alerta que a ingestão de carnes, incluindo peixes e aves, também deve ser evitada para prevenir o surgimento de câncer, principalmente os de estômago, cólon e reto.

Segundo Fabio, a média semanal de consumo de carne vermelha não deve ultrapassar 500 gramas. Também é preciso ter atenção no modo de preparo deste tipo de alimento. Carnes grelhadas, fritas ou feitas na chapa ficam submetidas a uma temperatura que varia entre 330º ou 400º. Isso ativa a formação de compostos que provocam erro no DNA e iniciam a multiplicação desordenada das células do corpo. Esse tipo de ação é justamente o que as frutas, legumes e verduras tentam evitar.

Para o especialista, é mais seguro preparar carnes ensopadas ou assá-las no forno. "O grelhado é erroneamente considerado mais saudável. Se por um lado o tempo que a carne fica na chapa reduz a gordura, por outro facilita a formação de compostos cancerígenas no alimento. Quem quiser cozinhar dessa maneira, a dica é pré-cozinhar a carne e só depois levá-la na chapa para dar uma cor. A quantidade de substâncias cancerígenas é proporcional ao tempo que o alimento fica submetido ao calor", compara o nutricionista.

Alimento cru ou cozido?

Alguns especialistas apontam que legumes, frutas e verduras devem ser ingeridos crus, pois assim conservam o máximo de nutrientes ainda inalterados. No entanto, o nutricionista acredita que este tipo de precaução não precisa ser tomada.

"Ninguém deve se restringir a essa recomendação de consumo cru ou cozido. Você consegue se beneficiar dos alimentos consumindo as duas formas, pelo menos no que diz respeito ao reino vegetal. Por mais que a gente perca o benefício de um componente ao cozinhar um tomate, por exemplo, ao mesmo tempo ativamos outro igualmente benéfico. Mas vale lembrar que isso não se estende ao preparo das carnes. A digestão é mais lenta quando os alimentos do reino animal são consumidos crus", informa Fabio.

Bebidas cancerígenas

Bebidas alcoólicas também podem ser prejudiciais à saúde e facilitar o surgimento do câncer. O nutricionista explica que o álcool agride a região com a qual ele tem contato direto, como esôfago, boca e laringe. Consequentemente, o consumo sem precaução aumenta o risco de desenvolver a doença nessas áreas.

"Isso acontece por que o álcool dissolve a proteção nessas regiões. Se a pessoa fuma enquanto bebe, piora ainda mais a situação. Os compostos cancerígenas do cigarro entram mais facilmente no organismo, já que não encontram nenhum tipo de barreira", alerta.

Segundo Fabio, pessoas do sexo masculino podem consumir até duas doses de 350 ml por dia, enquanto o limite para as mulheres é de somente uma dose. No entanto, vale lembrar que esse sistema não é compensatório. O especialista esclarece que o maior problema do álcool é a quantidade alta de consumo, em apenas um dia. Ficar longe da bebida de segunda a sábado não permite que ninguém consuma sete doses no domingo.

Apesar de parecer inofensivo, o refrigerante também é indiretamente cancerígeno. Como uma das principais causas de câncer é a obesidade, todas as bebidas açucaradas, como mate, refresco com xarope e guaraná natural, facilitam o ganho de peso e, consequentemente, o surgimento da doença.

Obesidade e câncer

De acordo com dados do INCA, a obesidade é uma das causas de câncer de pâncreas, esôfago, rins, vesícula biliar e mama. O especialista explica que isso acontece por que quando a pessoa está muito acima do peso, as células de gorduras produzem um fator pró-inflamatório. Isso provoca lesão em células, transformando as saudáveis em precursoras de câncer.

"Pessoas obesas também possuem um desequilíbrio hormonal, que estimula a multiplicação celular. Nesse sentido, é importante a prática de atividades físicas, pois os exercícios evitam o estímulo exagerado das células, além de diminuírem as chances do ganho de peso", aconselha o nutricionista.

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