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Traumas sexuais ficam registrados no útero e canal vaginal

Exercício mental ajuda corpo feminino a resgatar abusos do passado e curá-los

 
Imagem: enhlin

A primeira coisa que você precisa saber sobre este assunto é: nosso inconsciente não sabe ao certo diferenciar estupro de abuso sexual ou simplesmente de uma ofensa de cunho sexual dita em voz alta. Isso significa que mesmo que a violência sexual seja apenas verbalizada e não chegue às vias de fato, muitas vezes ela causa os mesmos traumas nas vítimas.

Corpo se defende do estupro provocando lubrificação e até excitação

Outro tabu que não costuma ser dito, é o de que, fisicamente, quando a mulher é estuprada, o corpo pode ter as mesmas reações químicas de uma relação sexual consentida, como lubrificação vaginal e até mesmo liberação de hormônios que levam à excitação. É por este motivo que muitas vítimas se sentem culpadas. Elas se envergonham por achar que podem ter gostado da violência ou que estas reações biológicas a levaram a viver o estupro, de alguma forma.

A verdade é que, nesses casos, este processo nada mais é do que uma defesa do organismo. O corpo libera essas reações químicas para que a violência que está sendo vivida seja menos traumática. Por exemplo: ao lubrificar a vagina, o organismo faz com que a lesão física da penetração seja menor."O corpo libera essas reações químicas para que a violência que está sendo vivida seja menos traumática. Por exemplo: ao lubrificar a vagina, o organismo faz com que a lesão física da penetração seja menor."

O mesmo ocorre com a excitação, que garante que o canal vaginal se alongue e fique mais dilatado, facilitando a entrada (forçada, neste caso) do pênis. Essas informações são importantes para que a mulher tome consciência de que foi um processo fisiológico comum que lhe ocorreu - e que não necessariamente ela permitiu, estimulou ou provocou o ato.

Em outros casos de estupro ou violência sexual física, a vagina de algumas mulheres não relaxa durante o abuso, pois ela não está consentindo para que isso aconteça. Ao contrário, o órgão sexual se fecha - de forma voluntária ou não - causando lesões musculares que podem levar a sérias disfunções sexuais. Além disso, alguns organismos acabam entendendo que devem sempre responder com uma contração toda e qualquer penetração no ato sexual (ainda que seja consentida). Isso dá origem a problemas como o vaginismo (quando a vagina se contrai involuntariamente, impossibilitando a penetração) ou dispareunia (dor durante a relação).

Qualquer tipo de abuso sexual pode gerar problemas na cama

Alguém que sofre um abuso sexual - seja ele físico, verbal ou psicológico - vive sentimentos de insegurança, culpa, depressão e problemas sexuais, como dificuldade de chegar ao orgasmo, bloqueios ou culpa ao sentir prazer, diminuição da libido, dificuldade de se entregar em relacionamentos íntimos, baixa autoestima, vergonha, tristezas, desmotivação, fobias, síndrome do pânico e, em casos mais graves, até mesmo tendência ao suicídio.

Algumas mulheres chegam a se privar de qualquer sentimento que lhes tragam deleite, punem a si mesmas, não se permitindo nenhum tipo de prazer. Por esse motivo, o corpo reage e torna os órgãos genitais insensíveis ou mesmo doloridos. Além disso, essas vítimas costumam se sentir impuras, indignas de ter um relacionamento amoroso natural e positivo. Com isso, podem se travar para o amor ou qualquer relação sexual prazerosa. A tendência é que a vítima imagine que ninguém mais vai aceitá-la e que será rejeitada.

Vivências ajudam a resgatar abusos do passado e curá-los

Tendo em vista que não somente o abuso sexual físico leva a consequências em nossa psique, indico que todas as mulheres pelo menos uma vez na vida passem por vivências, tratamentos psicológicos ou ate mesmo uma técnica milenar chamada "reconsagração do ventre". Essas práticas trazem para o consciente quais bloqueios e registros estão profundamente escondidos em nosso inconsciente. São eles que trazem complicações no amor, no sexo ou na autoestima (confira aqui quais dificuldades físicas você tem na musculatura vaginal e maneiras de tratá-las).

Nessas práticas, a lembrança do abuso - ou de qualquer outro trauma - vem à tona e é trabalhada. Claro que, dependendo de cada caso e de sua gravidade, é preciso estender o cuidado e ter acompanhamento de um psicólogo ou terapeuta para tratar o problema de forma mais completa. Aos poucos, a vítima precisa ir se permitindo falar sobre o assunto com um profissional habilitado para isso, extravasar e deixar que as informações traumáticas sejam esvaziadas e trabalhadas.

Exercício para auxiliar a liberação de bloqueios sexuais

No útero e canal vaginal são guardados todos os registros referentes à sexualidade, amor, autoestima e maternidade."No útero e canal vaginal são guardados todos os registros referentes à sexualidade, amor, autoestima e maternidade."

Portanto, se houver qualquer tipo de bloqueio sexual ali guardado - seja algo bastante forte, como um estupro, ou uma ofensa verbal - essa técnica simples faz com que o bloqueio comece a se desfazer e entrar no processo de resolução.

Indico que todas as mulheres o realizem, mesmo que não tenham passado por um trauma evidente. Veja abaixo como colocar em prática:

  • 1Sente-se confortavelmente em um local tranquilo. Se for possível, coloque uma música calma e luz tênue, que ajudam no relaxamento e na concentração.
  • 2Coloque uma mão espalmada por cima da calça, no seu períneo (localizado entre a vulva e o ânus, nas mulheres), e a outra mão coloque no seu ventre, na localização do útero (cerca de três dedos abaixo do umbigo).
  • 3Comece prestando atenção apenas em sua respiração. Perceba que, com o passar dos segundos, estará cada vez mais concentrada e consciente. Quando achar que está pronta, inicie um questionamento como se conversasse com o seu útero e sua vagina.
  • 4Pergunte para eles: como se sentem, o que guardam ali dentro, o que está acontecendo internamente, se está quente ou frio, se é confortável e aconchegante ou se é desconfortável. Vá permitindo que a sua criatividade e imaginação fluam, ocasionando um diálogo entre seu útero, vagina e você.
  • 5Pergunte ao seu útero e vagina o que você pode fazer por eles, como amá-los mais e dar o carinho que eles precisam.
  • 6Faça carinho em si mesma, traga amor e aconchego para este momento. Peça perdão e perdoe-se. Diga tudo o que vier à mente e esteja ligado a esse perdão.
  • 7Por fim, comece a fazer contrações com a vagina, como se tivesse expulsando a urina. Vá sentindo que o seu útero se esvazia e jorra pra fora tudo o que foi conversado, eliminando aquilo que estiver registrado como memórias ruins.
  • 8Para finalizar, contraia a vagina como se estivesse sugando coisas boas e prazerosas para você. Sugue todos os seus sonhos, prazeres, boas lembranças, amores que quer atrair para sua vida, sentindo o amor das pessoas que ama.
  • 9Aos poucos, comece a focar novamente na respiração e volte-se para o mundo de fora, percebendo-se mais leve e tranquila.
  • 10Se a prática mexer muito com você, indico que procure um profissional para que esses aspectos que vieram à tona sejam trabalhados mais profundamente.

No mês que fizer esta técnica é comum que seu fluxo menstrual aumente, que sinta cólicas menstruais durante o exercício ou até mesmo que menstrue durante a prática. Não se preocupe, isso acontece pois muitos aspectos são trabalhados quando ativamos nossa mente para focar nas regiões nas quais ficam acumuladas nossas memórias.

Evento da autora

A fisioterapeuta ginecológica, Roberta Struzani, realiza atendimentos no intuito de ajudar mulheres a se livrarem de bloqueios sexuais, como dor no sexo, dificuldade de chegar ao orgasmo, diminuição da libido, entre outros. Além disso, ensina técnicas para melhorar a saúde íntima, como pompoarismo. A primeira consulta, de avaliação, é gratuita. Para marcar seu atendimento ou ter mais informações, clique aqui.

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SOBRE O AUTOR

Roberta Struzani

Especialista em sexualidade feminina, autoconhecimento e autoestima. Fisioterapeuta pós-graduada em Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia. Saiba mais »

contato: fisioterapia.roberta@gmail.com
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