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Você dá atenção aos seus sonhos?

Entenda por que interpretar sonhos ajuda a se conhecer melhor

 

Desde tempos remotos na história da humanidade, reis, imperadores, faraós e grandes governantes davam especial atenção às mensagens que os sonhos traziam, como um presságio de algum acontecimento na vida individual ou um evento coletivo naquela determinada sociedade e que geralmente eram interpretadas por um sacerdote ou feiticeiro de confiança.

Sabemos que os sonhos sempre representaram objeto de fascínio e curiosidade para o homem desde a Antiguidade e certamente antes disso. Esse processo teve início com a capacidade de simbolização, ou seja, a atribuição de uma conotação carregada de significados diversos que vão além do significado evidente de um determinado objeto, termo, nome ou imagem. Tomemos, por exemplo, a suástica que automaticamente nos remete ao contexto histórico do nazismo e tudo o que ele representou e que vai além de seu significado original. No entanto, é um símbolo que originalmente data de aproximadamente 4000 anos a.C e que se tratava de um símbolo que representava a felicidade, o bem-viver e que na maioria dos achados arqueológicos, estava ligado a um contexto religioso e sagrado.

No caso da suástica, o real significado do símbolo foi distorcido e passou a ter outro significado. Mas o significado original foi perdido? Não. O símbolo comporta todos esses contextos. Vale lembrar que o símbolo usado no nazismo era um espelho da suástica original, invertendo-se o sentido dos braços da cruz gamada.

Com este simples, porém representativo exemplo, podemos perceber que os símbolos são carregados de um entendimento que vai além de sua forma objetiva e possuem uma versatilidade de representações muito importante que nos ajudará a entender o simbolismo dos sonhos posteriormente. Percebemos que o símbolo da suástica carrega em si tanto um significado sagrado, quanto um significado nefasto e ainda assim é o mesmo símbolo e tudo depende do olhar de quem o estará observando e que de forma alguma excluirá o outro significado.

De onde vêm os sonhos?

Outro passo para entendermos nossos sonhos é compreendermos de onde eles vêm. O inconsciente do homem, ou seja, a parte que ele próprio desconhece sobre si mesmo é um imenso produtor de símbolos espontâneos que acessam e se comunicam com a consciência por meio deste canal simbólico (os sonhos) e caracterizam uma conexão entre a vida consciente, acordada, externa e a vida inconsciente, oculta e interna. É importante lembrar que mesmo quando não estamos dormindo, o Inconsciente não deixa de existir e agir. Em outra oportunidade falaremos sobre as funções do sonho.

Levando em consideração que o tema é vasto, diversas ciências se propõem a estudá-lo. Dentre elas, a Neurologia, a Neurofisiologia, a Simbologia, a Onirologia, a Psicologia, entre outras. Porém, todas elas são complementares entre si e neste artigo falaremos apenas do ponto de vista psíquico.

Adotando um ponto de vista orgânico, podemos dizer que os sonhos provêm de modificações nas sinapses cerebrais durante o período REM do sono e têm a função de fixar ou descartar conteúdos adquiridos enquanto o indivíduo está acordado formando sua memória e solidificando conhecimentos e que se reorganizam durante o sono. Este é um fato orgânico. Porém, há outros fatos que não são orgânicos. São os fatos psíquicos que fortemente complementam essa visão organicista.

Ao entendermos que essa reorganização de sinapses não ocorre por acaso e que os sonhos são imagens simbólicas intimamente ligadas à vida inconsciente do sonhador, chegamos à importância do sonho como um regulador psíquico que é passível de interpretação.

Freud e Jung

As abordagens psicológicas que mais se dedicaram a este estudo foram a Psicologia Analítica de C. G. Jung e a Psicanálise de Sigmund Freud. Porém, ambos divergiam quanto à forma de interpretação dada aos símbolos oníricos. Por exemplo: para Freud os símbolos no sonho vêm carregados de repressão e por isso não se constituem tal como são e sim como uma fachada, um significado oculto e distorcido, como uma mensagem codificada do inconsciente sobre desejos reprimidos, ideias recalcadas ou compensatórias que se mantinham fixas e imutáveis, além de serem oportunistas ao acessar a consciência na forma de sonho.

Já para Jung, além dos desejos e da função compensatória, os símbolos no sonho se apresentam tal como são. Não há distorção. Eles representam aspectos psíquicos do sonhador bem como o funcionamento de seu aparelho psíquico revelando mecanismos e também permitindo ao indivíduo evocar novas possibilidades existenciais. Ou seja, permite ao sonhador acessar uma fotografia fidedigna do estado em que seu inconsciente se encontra. É um como um organismo vivo que transmite uma mensagem que, se devidamente interpretada, auxilia o indivíduo a se localizar em seu próprio mundo interior e conseqüentemente, seu mundo exterior. Para ele existe uma mutabilidade no teor e nos símbolos apresentados pelo Inconsciente, que se desenvolvem juntamente com seu sonhador, como vimos no caso da suástica.

Por que e para que analisar e interpretar sonhos?

A interpretação dos sonhos serve para elucidar e clarificar os símbolos enviados pelo inconsciente que estão representando aspectos psíquicos do sonhador. Esta análise nos permite conhecer um pouco mais sobre nós mesmos. Permite-nos acessar um conhecimento interno puro que nos direciona para a realização da potencialidade que a vida espera que possamos cumprir. É como um guia interno que nos diz: "Ei, você está caminhando em uma direção perigosa, fique atento, por que sabemos que não irá terminar bem!" ou "Você não está sendo suficientemente claro em suas ações e por isso se sente injustiçado ou enraivecido, fale o que é preciso" ou "Você está cansado demais, melhor encontrar momentos de repouso" ou até mesmo "Há algo de doente em seu corpo, melhor ir ao médico".

Todas essas e infinitas outras interpretações são provenientes do símbolo entendido e amplificado, trazido para a vida concreta. Se lembrarmos dos Imperadores, eles se utilizavam da interpretação dos sonhos para tomar grandes decisões a respeito de seus impérios, para decisões de guerra e até mesmo para prever os resultados que os esperavam. Então, podemos transpor essa possibilidade para nossas vidas, permitindo que os sonhos nos orientem em nossas ações e decisões no mundo concreto.

Interpretar sonhos é o ato de iluminar cantos escuros da psique, aumentar o nível de consciência acerca de si mesmo e também evitar muitos problemas de ordem psíquica como depressões, ansiedades, medos, inseguranças. Afinal, indivíduos conectados com todas as partes de si mesmo, inclusive as que não pode ver, tornam-se mais completos, mais felizes e realizados, menos suscetíveis às influências contrárias à sua realização na vida.

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SOBRE O AUTOR

Thaís Khoury

É formada em Psicologia pela Universidade Paulista, com pós-graduação em Psicologia Analítica. Utiliza a interpretação dos sonhos, a calatonia e a expressão criativa em seus atendimentos. Saiba mais »

contato: thais.khoury@hotmail.com
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