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Por Equipe PersonareLeia em 5 min.17/06/2015 Atualizado em 22/05/2018

Turismo e autoconhecimento

Especialistas sugerem locais propícios para uma viagem interior

Turismo e autoconhecimento

Muito mais do que a oportunidade de conhecer novos lugares e se divertir, viajar pode ajudar você a se conhecer melhor. É possível aprender, por exemplo, com as pessoas e diferentes culturas de um determinado lugar. Passar um tempo na própria companhia durante uma viagem também ajuda a sair da correria do dia a dia e avaliar a vida que tem levado. Além disso, passeios por lugares turísticos podem oferecer bem-estar e ensinar a você algumas lições preciosas.

Pensando nisso, o tarólogo Leonardo Chioda, a empresária Claudia Riecken, a astróloga Giane Portal, a yogaterapeuta Andrea Alves e o médico Marcelo Guerra falam sobre quais lugares podem propiciar um mergulho em sua própria história. Confira abaixo o relato desses viajantes natos, e inspire-se em dicas para começar uma verdadeira jornada interior.

Leonardo Chioda – Grécia

Leonardo Chioda em frente ao Santuário de Delphos, na Grécia

“Toda viagem pode ser uma jornada de autoconhecimento. Em vez de viagem, podemos até falar em odisseia – seja a uma cidade próxima ou ao outro lado do planeta – já que todos os passos nos levam a paisagens e paradas diferentes, mesmo que a gente já conheça o caminho. E um credo que adotei há anos, após ler e reler uma crônica de Cecília Meireles (que viajou o mundo e fez da sua poesia uma extensão de tudo o que viu e sentiu) é que não me considero um turista, mas um viajante.

O turista se preocupa em tirar fotos, conhecer rapidamente os pontos de interesse e seguir caminho, levando consigo suas rápidas lembranças em forma de souvenires. Já o viajante sente o lugar. Mescla-se com cada pedaço do trajeto e encara o acaso como um guia. Quem viaja transforma-se, desde que saiba enxergar e sentir com os olhos livres.

Meu trabalho com o Tarot tem me permitido perceber os lugares como oportunidades de crescimento pessoal, já que cada um deles tem suas próprias histórias, suas cores, suas crenças e suas realidades. Dentre os mais variados países que já visitei, desde a obscura Romênia, de um povo simples e distante, até os campos mágicos da Turquia com sua fé e cortesia inabaláveis, foi na Grécia que tive contato comigo mesmo, como se eu existisse há alguns séculos.

A Grécia é naturalmente poética, como não poderia deixar de ser. Berço da civilização ocidental, lar dos deuses e campo repleto de oráculos e paisagens que nos remete às nossas origens culturais e aos nosso mitos – sim, convivemos diariamente com nossas histórias, as mesmas que aconteceram e têm sido contadas há alguns milênios. Em Delphos, visitando o santuário, pude perceber o quanto somos senhores do nosso destino. Todos os instrumentos dos quais dispomos para tornar nossas vidas significativas – seja a literatura, os oráculos, a música e tantas outras artes – são reflexos daquilo que trazemos dentro de nós. A poesia de cada pedaço de chão grego me fez encarar a palavra e a imagem como meu principal ofício. E ao meu lado, por entre as ruínas sagradas abaixo do Monte Parnaso, meu Tarot me acompanhava em mãos. Como tem sido a cada odisseia.

Um poema que me veio lá:

Teu corpo é breve

o que te eterniza são os passos

Claudia Riecken – Bahia

Claudia Riecken abraça Dadá, no Restaurante no Pelourinho e no Rio Vermelho, em Salvador (BA)

“Eu fui à Lapa e perdi a viagem naquela tal malandragem, que eu conheço de outros carnavais – sim, meu Rio. Quando cruzo a Ipiranga com a avenida São João, no Bar Brahma vem pura comoção. Poderia falar de New Orleans, uma segunda casa para mim, cheia de vida e alma, dos irmãos musicistas, berço do Jazz do tempo que ainda se escrevia “Jass”… Ou de Bali, para onde levo empreendedores Quânticos todos os anos, para o autoconhecimento empreendedor, ação de alta performance em gente que quer imensa consciência e tesão de viver.

Pois como andarilha, viajante e empreendedora, não viajo apenas por sucesso. Às vezes viajei por medo. Fugi da mesmice, tive pânico do derradeiro encontro comigo mesma, com minha relação afetiva real do momento, com o desafio do desenvolvimento depois da página 5, quando manter as coisas em alta requer mais que competência e fascínios. Quando requer fé, coragem, bondade, paciência e continuidade. Pegar um avião e ir a Bali, nadar com elefantes, rezar com hindus e descobrir que tudo se revela em nós, de novo e outra vez. Ir a New Orleans e cantar na Jam Session de corpo e alma, aprender com a cultura do outro. Pesquisar, tomar café da manhã na esquina.

Ter uma viagem em que o autoconhecimento seja marcante depende mais do viajante, mas o lugar abraça a gente. Então, escolhi a Bahia de todos os Santos. A Dadá, famosa e maravilhosa que faz feijoadas gigantes a toda gente, famosa e desconhecida, a igreja de Iemanjá, com os pescadores ensinando a gente a colocar oferendas para a Deusa do Mar. A magia no ar.

Se você for com respeito e sem preconceito, vai perceber a si mesmo de uma maneira interessante. Salvador sempre me soou como uma cidade “sinistra”, que se torna mágica e evolui para misteriosa, quando se espia as próprias entranhas pessoais, transcendentes, aventureiras, sorrateiras ou corajosas. Da literatura de Gregório de Matos, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado e Myriam Fraga aos museus, praias, terreiros, capoeiras… Você volta maior. Gingado, sensibilizado. Encantado. No pincel da mãe Lia, ei-la!

Viajamos para ampliar horizontes? Pensamos em encontrar e ultrapassar fronteiras… Outras. Queremos descortinar áreas da alma, ir mais fundo no nosso entendimento da nossa vida, nos divertir, rir, acender nossa fagulha. Ver cores novas, estar frescos no agora. Quando subo no avião, eu que sou acusada de ter alma de aviador, ou no trem, carro, cavalo, moto, e em tempos de Papa Francisco, no busão mesmo, estar “On the road again” é ajudar a elevação da consciência”.

Giane Portal ao lado de um Sadhu – místico ou monge andarilho

“Além de trabalhar como astróloga e taróloga, também me dedico à fotografia. E foi em uma expedição fotográfica que tive a oportunidade de conhecer um lugar que particularmente me encantou: o Nepal. Um destino exótico, repleto de cores e aromas, jardins, stupas (monumentos) budistas, construções antigas… E o monte Everest. Maravilhas para os olhos e para a alma, criadas pela natureza e pelo homem. Estar naquele lugar incrível, com tantos estímulos visuais e espirituais, além de poder fazer um registro pessoal do que vi e vivi foi uma dádiva incrível.

O ato de fotografar é o ato de observar, de recortar a realidade através de certo ângulo, de um ponto de vista definido. Fotografar um lugar, uma pessoa, um animal, é estabelecer uma conexão, ainda que muitas vezes esta seja unilateral. E toda essa observação e conexão fazem do ato de viajar não apenas uma experiência de exploração do mundo externo, mas também do universo íntimo.

Muitas pessoas fotografam apenas com o propósito de recordar uma experiência, o que é bastante válido. Entretanto, a fotografia possibilita também uma profunda auto-observação. Através dos registros fotográficos obtidos em um local visitado, você pode se conhecer melhor. Experimente rever suas fotografias de viagem se perguntando: qual é a minha forma de olhar a realidade? O que é importante incluir em meus registros e o que eu deixo de fora? Qual o tema mais recorrente, com o qual tenho mais identificação? Essa análise pode ser bastante reveladora, pois frequentemente o que buscamos fora é um reflexo do que procuramos acessar internamente”.

Andrea Alves – Búzios

Andrea Alves na rua das Pedras, em Búzios

“Famosa por ter sido adotada por Brigitte Bardot na década de 60, a pequena cidade Armação dos Búzios, mais conhecida como Búzios, no litoral fluminense, acolhe muito bem os praticantes espiritualistas e entusiastas da vida natural. Além das praias paradisíacas e da atmosfera “gringa” que se estabeleceu com moradores vindos da Europa e da Argentina, por meio dos turistas que desembarcam dos navios para passar o dia por lá, Búzios conta com algumas possibilidades bem interessantes para você curtir Yoga, Meditação e uma comidinha veggie na sua viagem. E o melhor: não deixa nada a dever nem aos amantes das boas compras e gastronomia.

Lá é possível encontrar lojas que vendem artigos indianos, livros espiritualistas, incensos, roupas e muitas outras coisinhas interessantes para a prática. Além disso, há restaurantes com buffet vegetariano com um toque ayurvédico.

E se você quiser praticar Yoga e Meditação, o centro budista Buddha Dharma Meditation Center, na Rua da Pedras, oferece Meditações guiadas de Autocura Tântrica, aulas de filosofia budista, palestras e aulas de Hatha Yoga. Mas confira o site do centro para não perder o horário das práticas!

A professora Rosália Wayhs coordena o projeto Yoga in Búzios que além de eventos, conta com aulas regulares e uma formação de professores.

Paisagens deslumbrantes, arte, gente bonita e muito alto astral: este é o clima da Saint Tropez brasileira”.

Marcelo Guerra – Alemanha

Marcelo Guerra em frente à casa de Hahnemann, em Koethen

“Há alguns anos, durante o curso de formação biográfica, preparei um trabalho sobre a biografia de Samuel Hahnemann, o médico alemão que criou a Homeopatia, especialidade a qual me dedico há mais de 20 anos. Conhecer a vida do seu fundador me fez mudar a visão que tinha do meu trabalho.

Alimentei o sonho de conhecer os lugares onde ele viveu, que não foram poucos, quase todos dentro da Alemanha.

Em maio de 2012 consegui transformar o sonho em realidade e na companhia da minha irmã e do meu filho fomos à Alemanha, mais especificamente ao Estado da Saxônia, onde Hahnemann nasceu e viveu a maior parte de sua longa vida. Nos hospedamos em Leipzig e íamos de carro às cidades menores que ficavam próximas. Hahnemann viveu muitos anos em Leipzig, em dois diferentes momentos da sua vida. Foi ali na Universidade de Leipzig que ele começou a lecionar e formou um grupo de médicos que disseminou o conhecimento da Homeopatia por toda a Europa no século XIX, e chegou até os Estados Unidos.

Depois do grande sucesso da Homeopatia no tratamento de uma epidemia avassaladora de cólera após as tropas de Napoleão terem destruído boa parte da cidade, a oposição de seus colegas alopatas cresceu muito. Depois disso, Hahnemann decidiu mudar-se com sua família para uma cidade pequena ali por perto, chamada Koethen.

Quando chegamos a Koethen era de manhã, e saímos procurando a casa onde Hahnemann morou. Já tínhamos visitado na véspera a casa onde ele nasceu, em Meissen, que hoje virou uma repartição do Ministério da Justiça. Em Koethen era diferente, por ser o lugar onde ele viveu mais tempo e teve mais paz na vida – embora essa paz tenha sido quebrada pela morte de sua esposa. A casa estava fechada e havia uma certa Biblioteca Europeia de Homeopatia ao lado, também fechada. Koethen é uma cidade pequena, com cerca de 30 mil habitantes, tem um lindo palácio bem no centro, algumas igrejas no estilo gótico e uma praça cheia de crianças peladas tomando banho de chafariz (estava quente!).

Quando achamos que a viagem tinha sido perdida, chegou uma mulher que toma conta da casa, onde ainda funciona um consultório homeopático – o que me causou inveja do colega, por trabalhar na casa do fundador da nossa arte de curar… Ela disse que abriria em meia hora e resolvemos esperar. Entrar naquela casa, ver o consultório de Hahnemann ainda montado, alguns livros que ele usou (a maior parte está em Paris, para onde ele se mudou quando saiu de Koethen), foi emocionante! Mas a maior emoção foi ver e poder tocar a maleta de medicamentos que ele usava quando atendia algum paciente em casa. Realmente foi uma sensação muito boa estar ali, onde Hahnemann encontrou paz, pôde atender seus pacientes (que vinham de todos os lugares da Europa para aquela cidade ainda hoje tão pequena) e escrever alguns dos livros fundamentais da Homeopatia.

Estar em Koethen me fez valorizar a humildade de Hahnemann, que pôde se dedicar a buscar sua paz interior numa cidade pequena, e isso me fez valorizar ainda mais o fato de eu viver no interior. Não importa muito onde vivemos ou trabalhamos, mas sim para onde apontamos nossa vida e a justeza de nosso trabalho!

Depois Hahnemann saiu de Koethen, casou com uma mulher 50 anos mais nova e mudou-se para Paris. Mas aí é uma outra história…”.

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