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O valor das crianças especiais

Portadores de deficiências podem ensinar lições como respeito e força

 

A maoiria das pessoas não imagina o quanto podemos aprender com os portadores de necessidades especiais, principalmente as crianças. Às vezes estamos tão presos à perfeição das formas físicas e aos aspectos materiais que esquecemos de observar a riqueza oculta na sua essência. Eu tive a felicidade de trabalhar, como educadora física, com crianças especiais, e posso afirmar que elas me ensinaram muito. Aprendi que a alegria de viver, a força interior, a determinação, a vontade de ser feliz e a capacidade de adaptação são mais evidentes nessas crianças. Cada obstáculo vencido na busca da realização de um objetivo era demonstrado através de explosões de alegria e felicidade.

As crianças portadoras de deficiência auditiva costumam adorar dançar, por exemplo. Sentem o som e acompanham o ritmo da música pela vibração do chão. Além disso, ainda são capazes de participar de coreografias de danças folclóricas, como se estivessem ouvindo perfeitamente cada acorde musical. Já as crianças portadoras da síndrome de Down podem gostar de apresentar peças teatrais. Eles se dedicam muito nos ensaios para realizar um trabalho quase profissional, representando com a emoção e a expressão de verdadeiros artistas. Os portadores de deficiência física, na maioria cadeirantes, são capazes de participar de competições esportivas adaptadas às suas condições físicas. Eles aprendem as regras com muita facilidade e buscam se aprimorar no desempenho das atividades com muita garra e determinação.

Certa vez, eu e meu marido, também educador físico, resolvemos passar alguns dias em um desses acampamentos para estudantes acompanhando um grupo de alunos formandos da 8ª série do ensino fundamental. Um desses alunos era cadeirante e totalmente dependente de alguém para ajudá-lo a superar suas necessidades físicas. Mesmo assim participou de todas as atividades, sempre se destacando de forma positiva, como árbitro, líder, ou participante extremamente dedicado nos jogos e brincadeiras intelectuais. Os companheiros de quarto se revesavam para auxiliá-lo no banho, na troca de roupas e nas idas ao banheiro. Na noite de despedida, quando todos se reuniram ao redor da fogueira para fazer os agradecimentos e prestar uma pequena homenagem a um dos componentes da turma, uma das pessoas mais homenageadas foi exatamente ele, o aluno cadeirante. Além de se tornar um amigo querido por todos, foi quem deu o depoimento mais emocionante ao agradecer o professor pela oportunidade que teve de se sentir realmente parte integrante e ativa do grupo. Foi uma experiência inesquecível para ele e para todos nós.

Esses pequenos podem nos ensinar lições valiosas como respeito, dignidade, força, determinação, perseverança, compreensão, compaixão, gratidão e, principalmente, amor. Infelizmente uma grande parte da sociedade prefere evitar um convívio mais próximo com pessoas portadoras de necessidades especiais. Na verdade, essa falta de um contato mais direto, seja por medo do desconhecido, desinteresse ou indiferença, impede o aumento dos ganhos recíprocos e da mútua aprendizagem que esses relacionamentos podem oferecer.

Acredito que um dos principais papéis dos portadores de necessidades especiais é o de nos ensinar a enxergar de verdade e a valorizar o conteúdo e não apenas a forma. Eles são como as flores, que mesmo nascendo e crescendo em vasos irregulares, conseguem nos presentear com a beleza de suas cores e o aroma de seu perfume.

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SOBRE O AUTOR

Suely Bello

Graduada em Naturologia, Educação Física e Pedagogia, com especialização em Psicossomática, atende em São Paulo utilizando as Terapias Naturais para auxiliar no processo de autoconhecimento e de promoção, manutenção e recuperação da saúde. Saiba mais »

contato: srbello@terra.com.br
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