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Mitos e verdades sobre a acne

Entenda porque doença atinge adolescentes e veja como tratar

Por: Paula Penna

 

Quem já foi ou convive com adolescentes sabe que essa é uma fase de muitas transformações para os jovens. Como nessa época o corpo passa por uma série de mudanças, é comum o aparecimento dos indesejáveis cravos e espinhas. A acne é uma doença genética e está ligada à elevação dos níveis hormonais, que causam aumento da secreção das glândulas sebáceas da pele. Por esse motivo, é comum que as lesões comecem a surgir na adolescência, época em que os hormônios começam a ser produzidos pelo organismo. Como rosto, costas e troncos possuem uma maior quantidade dessas glândulas, a doença aparece principalmente nessas áreas.

As glândulas sebáceas são conectadas aos canais que contêm o pelo, também chamados de folículos pilosos. Elas produzem uma substância oleaginosa, conhecida como sebo, que estimula as células da parede interna do folículo. O sebo, bactérias e células descamadas do folículo derramam-se na pele causando vermelhidão, inchaço e pus, dando origem à espinha. É importante lembrar que tratamentos efetivos para acne estão disponíveis e, em muitos casos, a cura é possível.

Por ser uma doença de pele e consequentemente estar ligada à aparência física, a acne pode dar origem a importantes conflitos psicológicos e prejudicar a autoestima do adolescente. Pais ou responsáveis devem entender que mesmo a doença em um grau leve pode ser um problema significativo para alguns pacientes, diminuindo sua qualidade de vida e em alguns casos seu convívio social. Por isso, é importante que a acne seja tratada desde o início, para que não deixe marcas físicas e psicológicas na vida do jovem.

Ao todo, existem cinco tipos de acne:

  • acne grau 1: nesse caso predominam os cravos, tanto os brancos quanto os pretos
  • acne grau 2: já apresenta as pápulas (bolinhas vermelhas) e pústulas (bolinhas amarelas de pus)
  • acne grau 3: quando existem nódulos inflamatórios ou "espinhas internas"
  • acne grau 4: nódulos que se comunicam formando canais que drenam pus e deixam cicatrizes, muitas vezes quelóides
  • acne grau 5: quadro de acne grave em que há comprometimento da região afetada

Tratamento

Quando tratada cedo, a acne não deixa cicatrizes e evita o impacto psicológico na vida dos adolescentes. A ideia é controlar o excesso de oleosidade da pele, por meio da higienização, com produtos específicos. Quem possui acne deve evitar lavar a região afetada muitas vezes, já que isso pode piorar a condição da pele. O ideal é que a limpeza seja feita de duas a três vezes ao dia. Alguns medicamentos de uso local, como gel, creme e loção, possuem substâncias como enxofre e ácido salicílico, que controlam o excesso de produção de queratina e de sebo, diminuindo a população de bactérias na pele e a inflamação local.

As espinhas, ou a acne inflamatória - aquela em que há pontos vermelhos e amarelos - não devem ser espremidas ou manipuladas. Isso favorece a entrada de bactérias presentes na superfície da pele, que dão origem à inflamação e cicatrizes que podem ser permanentes. É importante lembrar que o resultado do tratamento não é imediato. Geralmente, é possível ver melhora no aspecto da pele depois de quatro ou seis semanas. No caso dos adolescentes, é importante não abandonar o tratamento sem a orientação de um médico, já que as indesejáveis espinhas podem voltar.

Mitos e verdades sobre a acne

Apesar de atingir na maioria das vezes os adolescentes, a doença pode persistir ou surgir na idade adulta, especialmente nas mulheres. Quem gosta de maquiagem deve dar preferência aos produtos sem gordura ("oil-free"), ao invés de usar os feitos à base de água. Escolha produtos "não-comedogênicos" ou os "não-acnogênicos", que previnem espinhas e cravos. Para disfarçar marcas ou resquícios da acne, utilize loções na tonalidade da pele ou pó facial.

Homens que apresentam espinhas no rosto devem dar preferência aos aparelhos elétricos na hora de fazer a barba, já que esse instrumento apresenta menos danos para a pele. Quem optar por lâminas, deve primeiramente amaciar os pêlos, com água e sabão, antes de aplicar o creme de barbear. Para evitar ferimentos sobre as espinhas, o ato de barbear deve ser realizado de forma suave.

No verão, é importante redobrar os cuidados com a pele. O bronzeamento pode mascarar a acne, mas seus benefícios serão temporários. Os raios solares causam o envelhecimento da pele e são fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele. Por isso, não é recomendada exposição prolongada ao sol. Quem optar por ir à praia nos dias quentes deve escolher um protetor solar "oil-free". Uma boa opção são os bloqueadores solares em formato gel.

Mulheres que fazem uso de pílulas anticoncepcionais podem perceber um aumento significativo da acne. No entanto, esse mesmo medicamento é usado, em alguns casos, para tratar a doença. Para saber a melhor forma de tratamento, o ideal é consultar um dermatologista. Além disso, não esqueça de manter os cuidados com a pele até que a tendência à acne tenha passado. Apesar de não existir cura definitiva para a doença, é possível controlá-la.

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SOBRE O AUTOR
Paula Penna

Paula Penna

Paula Penna é dermatologista e especialista em câncer de pele. Site: www.tudosobrepele.com.br. Blog: paulapenna.com.br

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