Ceci Akamatsu
Por Ceci AkamatsuLeia em 5 min.25/04/2017 

Expectativas criadas no amor sinalizam seus maiores medos

3 passos para lidar com a verdade na vida afetiva e tornar seus desejos e sonhos saudáveis

Quantas vezes já ouvimos que não devemos criar expectativas na vida afetiva? Nos atendimentos que realizo, ouço muito a pergunta: “o que fazer para não ter expectativas?”. Muitos até se culpam por não conseguirem se livrar delas. Porém, as expectativas não são tão simples a ponto de podermos fazê-las simplesmente desaparecer. Então, vamos entender melhor essa questão.

O problema não é criar expectativas, mas sim se apegar a elas

No dicionário, expectativa tem como significado “esperar que algo aconteça ou se concretize”. Até aí tudo bem, todos nós estamos sempre esperando que algo se concretize, e isso é natural. Porém, o problema começa quando nos apegamos a uma possibilidade, quando passamos a nos angustiar pela possível não realização de tal expectativa, ou ficamos ansiosos demais para saber o que acontecerá. Gosto da maneira como Dr. Joshua David Stone aborda essa questão: “tenha preferências, mas não apegos”. Ou seja, tenha claro o que você prefere que aconteça, mas não se apegue a essa possibilidade, mantenha-se aberto e consciente de que outras opções – que não necessariamente são as de sua preferência – podem acontecer.

Você conhece alguém e já imagina o que viverão juntos no futuro?

Perceba como diante das situações, sobretudo na vida afetiva, tendemos a criar estorinhas em nossa mente. Conhecemos uma pessoa e já imaginamos como será ficar, namorar e casar com ela. Ficamos com uma pessoa interessante e já criamos o filme de como será a conversa quando ela mandar mensagem ou ligar. Ou pode ser que conhecemos a pessoa e já imaginamos que não somos bom o suficiente para que ela se interesse e que seremos trocados por outro alguém mais interessante. Ficamos com uma pessoa e já sofremos com a ansiedade ao pensar se ela vai entrar em contato conosco ou não.

Imaginamos o desdobrar da situação de acordo com nossos sonhos e desejos, ou, por outro lado, já projetamos na pessoa as possibilidades contaminadas pelos nossos medos e temores. Sonhar desapegadamente é saudável, ajuda a nos manter vivos, alegres e motivados. Portanto, a expectativa por si só é natural, e estranho seria se não tivéssemos nenhuma. É o apego ou o medo em relação a elas que transforma-as em negativas. Mas o mais importante é que, geralmente, isso denota algum desequilíbrio para o qual precisamos olhar com mais carinho.

Por que você se apega às possibilidades amorosas que idealizou?

Se pararmos para analisar com atenção, por trás de toda expectativa negativa existe alguma carência exagerada, medo da rejeição, abandono ou solidão, ou algum outro tipo de energia negativa.

Na realidade, a expectativa desvirtuada representa o medo de vivenciar algum sentimento muito desagradável, o qual evitamos a todo o custo. Por isso, passamos a ter medo da verdade, de que ela nos faça confrontar justamente com aquilo do qual estamos fugindo.

a expectativa desvirtuada representa o medo de vivenciar algum sentimento muito desagradável, o qual evitamos a todo o custo. Por isso, passamos a ter medo da verdade, de que ela nos faça confrontar justamente com aquilo do qual estamos fugindo.

Queremos ter um relacionamento, mas isso requer coragem para enfrentar o risco da relação não vingar. Se não queremos encarar a possibilidade do relacionamento não ir para frente, ela se torna um fantasma que passa a nos assombrar. Mas essa angústia vai se sobrepondo à esperança de vivermos a possibilidade positiva, a qual realmente vislumbramos e ansiamos. Ou, por outro lado, cria um apego desmedido ao que desejamos, mas também tendo por base o medo de enfrentar aquilo que consideraríamos uma rejeição ou abandono.

Geralmente nos apegamos a uma possibilidade afetiva porque não queremos soltar algo que nos parece muito bom, ou porque fugimos das outras possibilidades que nos parecem muito ruim, ou, ainda, as duas coisas ao mesmo tempo. Temos medo de enfrentar emoções e sentimentos desagradáveis.

Expectativas cegam você para a verdade no amor

Quando não trabalhamos conscientemente esses medos (aqui estou usando essa palavra para generalizar os sentimentos negativos) por trás das expectativas, elas podem nos deixar cegos para a verdade. Por não querermos enxergá-las, pois seriam dolorosas demais, nos deixamos levar pelas nossas estorinhas.

Por exemplo: se a pessoa diz que tem vontade de namorar, já achamos que ela já está de alguma forma assumindo certo compromisso, caso contrário não diria isso. Se ela liga todos os dias, já achamos que estamos namorando. Ou, por outro lado, se ela não liga, já nos sentimos o pior ser humano do mundo. A relação não vai para frente e, por isso, nos sentimos fracassados ou menores que os outros.

Nossa vontade de viver a possibilidade escolhida pode ser tamanha, que passamos a enxergar as coisas lá fora de maneira ilusória.

Nossa vontade de viver a possibilidade escolhida pode ser tamanha, que passamos a enxergar as coisas lá fora de maneira ilusória.

Enxergamos o que queremos, criando uma mentira para nós mesmos, forçamos a barra, tudo isso sem percebermos o que de fato estamos fazendo. Mas em algum momento a verdade aparecerá, desfazendo a ilusão, nos desiludindo e nos frustrando. Ou, por outro lado, ficamos tão imersos na possibilidade negativa que, de fato, acabamos criando, inconscientemente, as condições para que ela se concretize.

Como nos preparar para lidar com a verdade e tornar nossas expectativas saudáveis novamente?

Autoestima: amor próprio e poder pessoal são fundamentais

Quando estamos fortes e saudáveis, tarefas como levantar algum peso, andar e viver o dia a dia parecem normais. Porém, se ficamos doentes ou enfraquecidos, tudo parece ficar pesado e até impossível. No nível das emoções e pensamentos também acontece o mesmo. Se nossa estrutura mental, emocional e espiritual está enfraquecida, qualquer situação, sobretudo encarar a verdade ou lidar com frustrações e decepções – que são partes naturais da vida – pode se tornar pesada demais e por vezes insuportável.

Assim como cuidamos de nosso físico para mantê-lo forte e saudável, precisamos também cuidar de nossos sentimentos, pensamentos e aspectos espirituais, para mantê-los saudáveis e fortes.

Assim como cuidamos de nosso físico para mantê-lo forte e saudável, precisamos também cuidar de nossos sentimentos, pensamentos e aspectos espirituais, para mantê-los saudáveis e fortes.

Dessa forma, poderemos enfrentar os revezes da vida. Se não estivermos saudáveis, não conseguiremos dar conta do mais básico e trivial, pois não teremos como evitar a própria natureza da vida. Perceba que a vida não é cruel, somos nós quem acabamos ficando enfraquecidos para lidar com ela.

Nossa capacidade de nos manter na verdade está muito relacionada ao nosso poder pessoal e amor-próprio, pois sem eles não conseguimos lidar com as possíveis frustrações, tristezas e decepções que são parte natural do amor e da vida de maneira geral.

Quando nos cuidamos para ficar bem e nos propormos a enxergar e viver a verdade, já diminuímos a quantidade e a intensidade de nossas frustrações. Porém, sempre teremos pontos cegos a serem trabalhados e isso é também natural. Estaremos sempre lapidando novos pontos cegos, mais sutis e delicados. Quanto mais nossa autoestima estiver fortalecida, cada vez melhor enfrentaremos o passo a seguir.

Feridas emocionais e padrões mentais negativos foram herdados da sua família

Geralmente os pensamentos e os sentimentos negativos que transformam em negativas nossas expectativas, enfraquecendo nosso poder pessoal e amor-próprio, provêm de estruturas de feridas emocionais que têm origem na infância. Ao longo de toda a nossa vida vamos acumulando as feridas sutis que não foram curadas, assimiladas, ressignificadas e, por isso, se acumulam na forma de dor, medo e carência, criando o que eu chamo de “eu-machucado”.

Atualmente, toda a nossa estrutura de vida; a forma como nascemos, crescemos e morremos; a maneira como conduzimos nossa vida nos aspectos físico, emocional, mental e espiritual há gerações, não só não contribui para a cura, como agrava ainda mais esses machucados. Nossos bisavós e a sociedade da época em que viviam criaram nossos avós em uma experiência de dor e incapacidade de lidar com os machucados sutis. Eles, por sua vez, passaram aos nossos pais, que repetiram esta experiência para nós.

Nossos bisavós e a sociedade da época em que viviam criaram nossos avós em uma experiência de dor e incapacidade de lidar com os machucados sutis. Eles, por sua vez, passaram aos nossos pais, que repetiram esta experiência para nós.

Toda a nossa realidade hoje, infelizmente, funciona de maneira a criar feridas e depois apenas remediar os sintomas e as dores, mas não as suas causas. Esses machucados sutis são padrões emocionais, mentais e espirituais negativos, agravados ao longo da vida, e mais ainda ao longo de gerações e gerações.

Nossos referenciais de criação, ou seja, a maneira como vivemos e conduzimos nossa vida em todos os seus aspectos são tidos como normais, são o referencial de como as coisas funcionam e deveriam mesmo ser. Mas é exatamente isso que nos prejudica, pois nossa forma de viver não propicia o amor que precisamos e, por isso, crescemos em um vazio e uma falta crônica. Essa falta nos faz procurar experiências que vão agravar ainda mais este vazio, pois ele só poderá ser de fato curado e preenchido por nós mesmos.

Para começar a cuidar dessas feridas, é necessário um compromisso firme com nós mesmos em desenvolver coragem, amor, paciência e perseverança para entrar em contato com o nosso “eu-machucado” continuamente. Afinal, como podemos perceber, esta é uma ferida profunda e sua cura demanda muito amor, paciência e delicadeza com nós mesmos.

Precisamos voltar a entrar em contato com nós mesmos internamente, começar a perceber o que de fato se passa dentro de nós, em nossos pensamentos e sentimentos, para, assim, promover nossa cura.

Para aqueles que quiserem de fato se aprofundar neste processo ou sentirem que está muito difícil seguir sozinho, recomendo buscar algum tipo de acompanhamento terapêutico, dentro da linha com a qual se identificar.

 3 passos para lidar de maneira positiva com suas expectativas

Vamos abordar três passos para lidar melhor com as expectativas. Esses passos devem ser utilizados várias vezes. Realizá-lo apenas uma vez será de pouco valia, pois é na continuidade da prática que o resultado se constrói. Se possível, anote o que percebeu a cada vez que fizer esse exercício e leia estes registros de tempos em tempos, percebendo o cenário que eles lhe fornecem como um todo.

1 – Perceba como você lida com as estorinhas que cria para cada possibilidade e situação.

Se ela lhe traz algo positivo, ótimo, mantenha-a nessa positividade. Porém, se ela lhe traz em seguida ou de primeira algo ruim, pare e perceba o que está por trás dessa impressão negativa. Qual medo ou sentimento desagradável lhe vem? Caso não possa parar para fazer esta reflexão de maneira mais meditativa, anote ou guarde o que lhe veio para aprofundar e trabalhar mais profundamente esta expectativa posteriormente.

2 – Quando puder, tire um tempinho para ficar mais reservado e tranquilo.

Sentado ou em pé, feche os olhos. Se quiser, coloque as mãos no coração, na barriga, ou uma mão no coração e outra na barriga, sentindo esse contato de você consigo mesmo. Respire lenta e profundamente, até sentir que está mais relaxado e presente. Agora, pense na situação que lhe causa expectativa. Perceba os sentimentos e pensamentos lhe vêm. Veja se você percebe algo além da ansiedade ou da angústia. Se há alguma tristeza, medo, raiva. Esta situação lhe remete a outras experiências? Imagine que você tira essa camada de sentimento. O que está por trás dela?

3 – Cura por meio de técnicas energéticas:

Utilize aquela que já conhece, direcionando para curar o que você percebeu (sentimentos como carência ou rejeição, alguma situação que tenha vindo na forma de lembrança, pessoas que precise perdoar – inclusive a si mesmo, etc.), ou busque alguma técnica com a qual se identifique. Se possível, associe várias delas. Algumas sugestões:

  • Afirmações com o espelho

Uma vez que você percebe o sentimento ou a causa do sentimento, crie uma afirmação que lhe permita trabalhar ou liberar tal energia. Exemplo: saí com uma pessoa, mandei mensagem, mas ela não respondeu e nem me procurou mais. Senti-me muito rejeitado, frustrado e cansado de estar passando por isso novamente.

Diante de uma rejeição, geralmente nos culpamos e nos diminuímos, mas podemos procurar perceber a situação como aprendizado e, por mais que o sentimento ruim esteja incomodando muito, trazermos o foco para o que precisamos aprender e curar. Não aprendemos, quando criança, a sermos acolhidos e, por isso, criamos esse filtro de rejeição como referencial. É hora de ensinar a nós mesmo e aprender ao mesmo tempo. Como diz a autora Louise Hay, “antes de tudo é preciso parar com as críticas, parar de se maltratar e se torturar e, em vez disso, se acolher”.

De frente para um espelho, olhe nos seus olhos e diga: “Eu me amo e me aceito incondicionalmente”, “amo e aceito você incondicionalmente”. Veja como se sente.

Se isso é desconfortável, estamos tocando na ferida sutil e é isso que queremos. Continue todos os dias e perceba que o desconforto tende a diminuir. Mesmo que não sinta desconforto, esta é uma maneira de nutrir o amor-próprio e, portanto, deve ser feita da mesma forma.

Complemente com outras afirmações positivas. Exemplo: “Sou digno de amar e ser amado”, “Posso ser feliz”, “Mereço um relacionamento afetivo saudável e harmonioso”.

As afirmações podem ser feitas ao longo do dia, mesmo sem o espelho, para reforçar e aprofundá-las.

  • Outra afirmação com a qual podemos trabalhar para libertar as negatividades é: “Eu deixo ir todo o sentimento de rejeição (ou outros sentimentos ou padrões negativos identificados)”.

Se isto parece difícil ou irreal, você pode dizer: “Estou disposto a deixar a ir a necessidade de ser rejeitado”.

Quando você diz isso, não significa que você queira ser rejeitado conscientemente, mas que suas feridas e machucados sutis trazem uma necessidade de reviver aquela dor. Então, afirmamos que estamos dispostos a deixar ir a necessidade do “eu-machucado” por aquela dor, ou seja, estamos dispostos a deixar ir aquela ferida sutil.

“Eu deixo ir toda a tristeza. Estou disposto a deixar ir toda a necessidade de ficar triste. Eu me liberto de toda carência. Estou disposto a deixar ir toda a necessidade de carência”. De acordo com o que for percebendo no exercício de contato consigo mesmo, perceba quais afirmações podem lhe ajudar mais. Elas tendem a mudar com o tempo, ou mesmo a se repetir de tempos em tempos.

Ouça abaixo uma

Direcione a limpeza energética feita no áudio abaixo para aquilo que percebeu que está por trás de suas expectativas e para a situação em si.

Outras Curas energéticas

O Reiki pode ser uma possibilidade, assim como a Terapia Acquântica. Para saber mais sobre elas, clique nos links!

Fortaleça-se!

Para se fortalecer, é preciso trazer o foco para si mesmo, em coisas, aspectos, atitudes ou ações que façam você se sentir mais positivo e fortalecido. Cuide de si, em todos os níveis: físico, emocional, mental e espiritual. Faça exercícios, procure se alimentar melhor. Privilegie relações, leituras, filmes e situações mais construtivas positivas. Estude os caminhos espirituais, vá a locais que lhe propiciem isso, participe de cursos. Esteja atento e torne-se mais seletivo em seus alimentos físicos, emocionais, mentais e espirituais.

Ceci Akamatsu

Ceci Akamatsu

Terapeuta Acquântica, faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro, em São Paulo e à distância. É a autora do livro Para que o Amor Aconteça, da Coleção Personare.