Celia Lima
Por Celia LimaLeia em 3 min.27/01/2010 Atualizado em 12/09/2018

Equilibrando a razão e a emoção

Aproveite o melhor da paixão sem abrir mão das suas prioridades

Equilibrando a razão e a emoção

Não existe nada mais maravilhoso que apaixonar-se! O mundo fica inteiramente cor-de-rosa, o corpo fica leve, suspiramos centenas de vezes durante o dia. As horas demoram a passar quando estamos longe do objeto da paixão e passam num instante quando estamos juntos dele. Às vezes um momento parece eterno.

Que química é essa, que poder é esse que tem a paixão, que nos faz sentir capazes de enfrentar todas as dificuldades, que nos torna audazes, românticos, sensuais, poderosos? Por uma paixão a gente se arrisca, se expõe, suporta pressão de pais, de filhos, da sociedade. A paixão nos dota de forças para tudo. O único sofrimento que a paixão comporta é o medo de perdê-la – e talvez por isso pareça ser tão urgente vivenciá-la.

Quem já viveu uma paixão sabe que ela acaba. Um belo dia, como que por encanto, começamos a olhar aquela pessoa com um olhar mais crítico. O que até então era perfeito começa parecer cheio de “defeitos” incômodos. Se antes era maravilhoso receber vinte ligações por dia como prova de amor, agora parece controle. O perfume que era uma marca registrada, agora é enjoativo. Aquele ciuminho que era visto como cuidado, agora é exagerado. E assim o príncipe vai virando sapo e a princesa idem.

Mas vamos voltar ao início, quando a paixão se instala e tudo é maravilhoso. O objeto da nossa paixão funciona como um espelho da nossa alma. Temos um ideal de amor, de par perfeito e é naquela pessoa que projetamos esse ideal. É como se víssemos nela tudo o que queremos e desejamos ser, algo um tanto narcisista como se estivéssemos apaixonados por nós mesmos na figura do outro. O sentimento é forte, a libido fica exacerbada.

No estado de paixão ficamos irracionais, abrimos mão de tudo pelo outro. O medo de perder nos leva a comportamentos que sabemos irresponsáveis, fazemos todas as concessões. Perdemos a noção de perigo, avançamos nossos limites e nos deixamos invadir. É isso que penso ser necessário abordar aqui. Como equilibrar razão e emoção sem perder a melhor parte de estar apaixonado, já que praticamente não podemos evitar esse sentimento?

Ao sentir que você foi inoculado com o vírus da paixão, reflita sobre as coisas boas que você tem em sua vida e faça um inventário do que não quer abrir mão.

  1. Você preza a liberdade de estar com seus amigos? Não abra mão deles.
  2. Você precisa estar atento às suas atividades profissionais? Os resultados em sua empresa dependem de você? Cuidado com os horários, com os exageros, você precisa estar inteiro no dia seguinte.
  3. Você tem prazos a cumprir com relação aos seus estudos? Tente otimizar seu tempo, agilizar o que precisa ser feito para não se prejudicar depois.
  4. Suas finanças são limitadas ou você está poupando para trocar de carro? Contenha-se nos gastos com o ser amado, não é preciso enchê-lo de presentes caros para demonstrar o quanto está envolvido.

Não deixe de viver as emoções de uma paixão, mas não esqueça que você só vai fazer o que realmente quiser fazer. Portanto, diante de situações em que um leve lampejo de dúvida se abata sobre você, pare por um instante e se pergunte:

  1. Se eu não estivesse apaixonada, deixaria de usar preservativo?
  2. Se eu não estivesse apaixonado faria mesmo essa tatuagem com as iniciais dela?
  3. Esse é o melhor momento da minha vida para eu engravidar?
  4. Vou colocar (ou tirar) o piercing só porque ele (ou ela) quer?

Fazer “loucuras” pode ter um preço muito alto e, a não ser que você esteja preparado para pagar esse preço, viva a paixão de forma a ter dela as melhores recordações. A separação é difícil, dolorida, porque tudo o que é bom queremos que dure para sempre, mas restarão sempre as lembranças de uma experiência intensa.

Mas saiba também que depois que a paixão arrefece e vocês começam a grudar os pés no chão, é possível construir um relacionamento sólido. O gérmen do amor pode estar contido nessa paixão e é preciso um pouco de maturidade para compreender que a manifestação do amor apaixonado se transforma e ganha equilíbrio.

Quando começar a perceber que aqueles olhos lindos também amanhecem inchados, que os lindos cabelos amanhecem amassados, que o gosto musical não é tão parecido… olhe mais um pouquinho, com um pouco mais de atenção e mais profundamente: pode estar aí o início de uma linda história de amor.

Celia Lima

Celia Lima

Psicoterapeuta Holística, utiliza florais e técnicas da psicossíntese como apoio ao processo terapêutico. Presta atendimento individual e em grupo, e serviços de mentoring pessoal e profissional.