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Amor > Relacionamento

Beijei alguém do mesmo sexo

Psicoterapeuta esclarece dúvidas sobre homossexualidade

Por: Celia Lima

 

Será que sou homossexual? Não é apenas entre os jovens que essa pergunta vem se tornando cada vez mais recorrente, muitos adultos formados podem se perceber às voltas com esse questionamento também.

Quando crianças, as curiosidades a respeito de tudo o que envolve a sexualidade é mais que natural e espontânea: meninos e meninas ficam curiosos a respeito das diferenças de seus corpos, querem olhar, tocar e experimentar sensações prazerosas. Isso acontece entre meninos e meninas, meninas e meninas e entre meninos e meninos. Trata-se de uma sexualidade não erotizada, que está presente desde o nascimento até uma determinada fase.

Até mais ou menos 9 anos de idade as curiosidades entre crianças do mesmo sexo e experiências mais concretas (a partir dos 6 ou 7) fazem parte do desenvolvimento, não há nada com que os pais devam se incomodar (e muito menos reprimir). O melhor será perguntar calmamente sobre o que eles estão descobrindo juntos. Pode ser um bom momento para iniciar uma conversa sobre sexualidade, diferenças entre meninos e meninas e com uma linguagem adequada para não provocar nenhum tipo de trauma ou distorção de entendimento.

É imediatamente antes do início da puberdade que as preferências começam a se definir e na esmagadora maioria dos casos o interesse do jovem vai se fixar no sexo oposto. Mas e quando depois de ter um namorado a garota se sente atraída por uma amiga, ou depois da namorada o garoto se sente atraído pelo amigo? Isso quer dizer que a pessoa é homossexual? Não, num primeiro momento quer dizer apenas que houve uma atração.

E se rolar um beijo? Se a coisa toda for mais adiante e terminar numa experiência sexual mais intensa?

Conceitos e preconceitos

Vivemos ainda numa sociedade cheia de conceitos e preconceitos, mas mesmo assim muitos jovens (mais que os adultos) estão se permitindo vivenciar experiências sexuais com parceiros do mesmo sexo sem o peso esmagador da culpa. Trata-se de um tipo de curiosidade que testa os sentidos, busca uma experimentação às vezes lúdica e sem compromisso, às vezes trata-se de um "tira-teima" e às vezes mera curiosidade.

É especialmente quando da entrada na faculdade (ou por volta de) que o jovem encontra um ambiente mais propício para essas experiências. Ele se encontra num universo "adulto" e se descobre mais liberto de olhares julgadores ou cobradores. Sente-se encorajado a buscar a espontaneidade em parte reprimida até o colégio e, a não ser que o jovem tenha a convicção espontânea de que sua sexualidade está direcionada para o sexo oposto, ele poderá experimentar novas possibilidades com pessoas do mesmo sexo.

Entre experimentar e sentir, compreender e reconhecer que é com alguém do mesmo sexo que ele se realiza afetiva e sexualmente, existe um período de latência, acompanhado por dúvidas, medos e ansiedade.

Talvez ele resolva voltar com o antigo namorado ou namorada para se certificar, e pode perceber que não... ele já não se sente atraído ou encantado pelo sexo oposto.

Mas mesmo assim, temos que considerar que essa transição de adolescente para jovem adulto ainda é uma fase de construção de valores próprios e sujeita a variações.

Se você é um jovem que passa por esses questionamentos, mãe ou pai de um jovem que se preocupa com isso, tem um amigo ou amiga que enfrenta dúvidas sobre a própria sexualidade, preste atenção:

Ao jovem:

  • Sentir-se atraído por alguém do mesmo sexo não quer dizer que você seja homossexual.
  • Ser homossexual não é uma doença, é apenas uma outra forma de encontrar prazer sexual e acolhimento afetivo.
  • Se você se sente confuso ou desconfortável por desejar uma parceria com o mesmo sexo, nada o impede de buscar ajuda terapêutica para compreender o que está acontecendo com você.
  • Assumir sua homossexualidade não significa expor sua intimidade nem agir de forma agressiva ou ostensiva. Respeite a você mesmo se quiser respeito dos demais.
  • Nossa sociedade ainda é preconceituosa, portanto se você for alvo de discriminação, esteja aparelhado emocionalmente para lidar com situações indigestas. Respostas desconcertantes funcionam melhor que barracos que vão apenas gerar exposição desnecessária.

Aos pais e amigos:

  • Não entenda como disfunção de personalidade a homossexualidade de seu ou sua filha.
  • Não faça de conta que não percebeu que um filho é homossexual. Se estiver "desconfiado", pergunte calmamente. Ele certamente deseja revelar sua condição a você e teme sua reação.
  • Tenha em mente que pais amorosos desejam ver seus filhos felizes e realizados, independentemente de suas escolhas na vida, quaisquer que sejam.
  • se estiver com dificuldades em aceitar essa realidade, busque ajuda profissional. Será uma boa oportunidade de você rever seus medos e seus valores.
  • Não deixe que suas convicções religiosas afastem de você pessoas queridas. O respeito à individualidade é também um sentimento nobre.

Antes de sermos hetero ou homossexuais, somos seres humanos. Não queira em sua vida o que não é bom para você, mas aceite as diferenças. Afinal, todo preconceito é fruto da ignorância porque rejeitamos e tememos o que não conhecemos.

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SOBRE O AUTOR

Celia Lima

Psicoterapeuta Holística, utiliza florais e técnicas da psicossíntese como apoio ao processo terapêutico. Presta atendimento individual e em grupo, e serviços de mentoring pessoal e profissional. Saiba mais »

contato: celiacalima@gmail.com
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