Yubertson Miranda
  • Por Yubertson Miranda
  • Leia em 8 min.
  • 15/06/2012
  • Atualizado em 15/06/2012 às 16:56

Torcedores de carteirinha

Seu jeito de torcer pode ser um reflexo da própria identidade

Seu jeito de torcer pode ser um reflexo da própria identidade

Torcedores de carteirinha

Há algum tempo, eu me perguntei: por que torço para determinado time no esporte? Por que as pessoas escolhem ser de um time, ao invés do outro? Foi ao pronunciar a palavrinha “ser” que um alerta tocou em minha mente. “Sou” mesmo de um time?

Percebi, então, o quanto nossos gostos refletem a nossa identidade. Ao apreciarmos um determinado time ou jogador, dentre tantos outros que fazem parte do mundo do esporte, por exemplo, pode indicar que o jeito de ser daquela pessoa ou a filosofia de um determinado time nos atrai, nos fascina. Ou seja, há uma identificação. Existe uma ponte emocional que nos liga ao respectivo time, personagem ou “super-heroi”.

Isso me faz lembrar uma época que gostava de fazer certas perguntas para meus amigos e amigas. Era uma espécie de teste psicológico baseado em metáforas. Por exemplo: “se você estivesse na beira de um lago, você pularia de cabeça ou entraria andando?”. Se a resposta fosse a primeira opção, eu já sabia que tal pessoa tinha tendência a “mergulhar” nas situações e relações, ou que tinha mais coragem e impetuosidade. Era intensa e apreciava correr riscos. Se optasse pela segunda opção, o padrão mental dela podia denotar um comportamento mais comedido, reflexivo, desconfiado ou moderado.

Adorava esses exercícios metafóricos para conhecer melhor quem entrava em contato comigo. Hoje noto que essa percepção a respeito da personalidade de alguém pode ser obtida de inúmeros outros modos – inclusive por meio do time de futebol pelo qual ela torce, ou do atleta que mais admira. Afinal, cada gosto que temos reflete algum valor que possuímos na vida. É um espelho que mostra quem somos através desses detalhes cotidianos. Assim, se alguém torce de maneira bastante inflamada, pode ser que precise colocar para fora o que sente.

Moderação na hora de torcer

O perigo, claro, é nos fixarmos em determinado valor, pessoa ou personagem, sendo, por exemplo, aquele fã fanático de um atleta. E cobrarmos dele posturas ou decisões que, na verdade, deveriam ser feitas por nós mesmos. Isso equivale a esperar que o time do coração dê as alegrias que tanto almejamos viver. Afinal, quantas vezes você ou alguém que conhece já ficou triste a semana inteira porque o time perdeu? Ou, por outro lado, experimentou uma sensação de alegria e euforia quando venceu? Esse nível de identificação com uma pessoa ou instituição – quando exagerado – é perigoso. Por que deixamos de viver, de buscar as nossas próprias vitórias e alegrias. Ficamos à mercê de algo externo para termos determinadas emoções.

Conscientes dessas armadilhas, temos melhores condições de valorizarmos o que tem afinidade conosco. E nos conhecer mais profundamente por meio desses gostos. Eis a diferença entre “ser” de um time e “torcer” por ele. Posso até ficar triste durante um dia porque meu time não me trouxe a alegria que eu queria. Porém, é minha responsabilidade ter a capacidade de escolher e decidir conscientemente viver momentos felizes na vida.

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Yubertson Miranda

Yubertson Miranda

Yubertson Miranda é numerólogo, astrólogo e tarólogo e é graduado em Filosofia. Ama encontrar significado nos eventos do dia a dia. É autor das análises numerológicas do Personare. Saiba mais