Tipos de jejum: benefícios e contraindicações

Entenda como funcionam jejuns de 8, 12 ou 16 horas e se a prática pode se adequar à sua rotina

O jejum é uma prática antiga em certas culturas, e pode ser encontrada até os dias de hoje em algumas religiões, como por exemplo no Ramadã. Mas a discussão acerca do tema vem se tornando cada vez mais frequente em conversas sobre emagrecimento e tratamento de doenças crônicas.

Entretanto, diante de tantos tipos de jejuns – que é o equivalente a apertar o botão de reset para reiniciar o nosso sistema – como é possível saber qual é o mais adequado para nós mesmos? Qual deles pode se adequar à nossa rotina sem nos fazer mal?

As respostas para essas perguntas estão na bioindividualidade de cada um de nós. “Entender como o nosso corpo funciona faz com que saibamos que determinadas ações para cuidar da nossa saúde, como é o caso do jejum, podem ser ou não benéficas para nós”, explica.

AUTOCONHECIMENTO É REGRA PARA PRATICAR

O autoconhecimento é o seu guia: você precisa aprender a reconhecer os sinais de fome real, perceber e respeitar esses sinais que são naturais, que seu corpo lhe envia quando precisa de combustível. Mônica Souza, coach de Saúde e Emagrecimento, explica que muitas vezes comemos por outras razões que não a fome: por hábito, por ansiedade, por tédio ou por estresse.

“Precisamos entender o que está acontecendo e cuidar do que é preciso. De posse desse conhecimento, você pode tomar a decisão de não comer, se não estiver com fome”, conclui Mônica.

3 TIPOS DE JEJUNS MAIS CONHECIDOS

Ainda que exista um número extenso de possibilidades, as que geralmente são mais praticadas são as de 8, 12 ou 16 horas. Conheça um pouco mais sobre cada uma a seguir:

  • Jejum de 8 horas:

Uma das formas mais fáceis de se fazer jejum é cumprir as oito horas de sono diárias. Nesse tempo, as pessoas já ficam naturalmente sem se alimentar, o que dá um descanso para o sistema digestivo e para o corpo como um todo.  

  • Jejum de 12 horas:

Pode-se acrescentar mais algumas horas sem comer antes de deitar, o que é bastante prudente pois o fato de dormir com o estômago cheio acaba atrapalhando o sono. Ao acordar, é possível ficar sem comer por até uma hora, mas bebendo água para hidratar o corpo.

Nesse tempo, já se somam 12 horas de jejum. E não é nem uma recomendação de um profissional, mas sim uma ação natural do corpo humano.

  • Jejum de 16 horas:

É conhecido como intermitente e geralmente é recomendado por algum médico para tratamento. São 8 horas de intervalo, período em que é possível voltar a comer.

POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS DO JEJUM

Um ponto importante a ser ressaltado, segundo a nutricionista Amanda Regina são as consequências dessa restrição. “As pessoas podem acabar não tendo uma boa adaptação ao jejum e comer de forma compulsiva na próxima refeição”, exemplifica ela. A baixa de serotonina, hormônio responsável pelo bem-estar, pode facilitar a compulsão.

Pode acontecer também da pessoa ter uma dieta desequilibrada, com excesso de refinados, industrializados e baixo consumo de fibras e hortaliças e ficar em jejum ainda piorará o seu quadro, forçando o corpo a ter a compulsão na tentativa de compensá-lo.

O mais importante, na visão de Mônica Souza, é que a prática seja feita de forma natural. Você não vai deixar de comer porque não está com fome, ou seja, por não estar precisando de combustível. “Se você sentir fome, se sentir irritado, com dor de cabeça ou algum tipo de desconforto, então não deve ficar sem comer. Jejum não é sinônimo de passar fome”, comenta.

QUEM PODE JEJUAR?

Segundo Amanda, é possível experimentar a prática do jejum desde que você não tenha alguma recomendação médica que lhe diga o contrário. Este é o caso de grávidas, mulheres em período de pós-parto, mulheres amamentando crianças em período de crescimento, diabéticos e pessoas que sofrem de enxaqueca ou que tenham histórico de transtornos alimentares.

Caso este não seja o seu caso, procure a indicação de um profissional adequado para saber qual tipo de jejum se adequa ao funcionamento do seu organismo.

OUTRAS FUNÇÕES DO JEJUM

Existem funções para determinados tipos de jejum que exigem mais horas sem alimentação, e até mesmo tipos específicos de alimentos para fazer limpezas. Melissa Setubal explica que dentro da Ayurveda, o Panchakarma (método de limpeza e rejuvenescimento) é um exemplo disso.

Nesse caso, a recomendação é fazer com um profissional qualificado, capaz de orientar em todos os detalhes. É possível fazer ainda quando se tem uma condição de saúde, seja ela uma dor crônica ou aguda e, ainda assim, é necessário ter uma orientação. Fora isso, siga o movimento natural do seu corpo.

Com a colaboração das especialistas Personare Amanda Regina e Mônica Souza.

Melissa Setubal

Melissa Setubal

Profissional pioneira em Saúde Integrativa no Brasil, criou sistemas que apoiam mulheres que sofrem com sintomas do ciclo menstrual e com sua imagem no espelho. Atua como coach de saúde, com atendimentos individuais e em grupo.