Bruna Rafaele
Por Bruna RafaeleLeia em 4 min.03/11/2019 

Vamos falar da saúde mental dos homens

Homens, não sofram calados!

Precisamos falar sobre a saúde mental masculina! A cultura em torno do homem é repleta de limitações – diferentes dos bloqueios aos quais o universo feminino é submetido – que também traz dor aos homens.

Imagine: Pedro é filho de João. João descobriu que está com câncer de próstata há seis meses, mas preferiu esconder a notícia de toda família porque não tem nem mesmo coragem de falar de seu medo de morrer.

Resolveu falar apenas para Pedro, seu filho que, guardou o segredo e começou a ter insônia e crises de pânico por causa disso. Você percebeu como o problema de não sentir que pode falar sobre um problema é muito grave?

Pense que você está passando por um problema grave e não se sente “permitido” a falar sobre isso.

Quanta angústia vive a pessoa que sofre em silêncio, perdido no meio de tanta dor emocional ao longo de toda uma vida.

Não deve ser nada fácil viver isso, não é?

Homens, procurem ajuda!

A busca pela ajuda pelos homens, geralmente, acontece quando o problema já tomou proporções muito grandes e acabou gerando novos problemas.

Em muitos casos, os pacientes buscam ajuda quando estão numa situação muito delicada, que não sabem mais como agir, atormentados por suas angústias, ansiedade, depressão e medos.

Por uma cultura machista, acabamos vendo muitos casos de homens que sofrem calados, que nem mesmo conseguem falar de seus problemas com a facilidade que as mulheres têm em falar de temas tabus.

Independentemente do gênero, quando uma pessoa, está passando por uma condição de angústia é o momento de buscar pela Psicanálise. Mesmo que você não saiba a origem nem como solucionar a questão.

É importante cuidar da saúde mental masculina antes que o homem que está passando por um problema comece a ter dificuldades para se alimentar, dormir ou trabalhar, perda de concentração, ansiedade ou tristeza profunda.

Homens, antes mesmo de terem um problema de maior escala, eu recomendo que vocês busquem um psicanalista para aumentar sua qualidade de vida. A busca pela Psicanálise é muito particular a cada pessoa e não existe uma razão geral que leve alguém a fazer análise.

É essencial entender que, ao falar, há cura e libertação do que te faz mal por meio do conhecimento e aceitação de si mesmo.

Homens cometem mais suicídio do que as mulheres

O que leva uma pessoa a se suicidar não é o tema deste artigo, mas dentro da perspectiva do assunto que trago, é muito mais comum para uma pessoa que não consegue falar de seus problemas deixar de acreditar que há solução para si e infelizmente, tira sua própria vida.

Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil a média é 13,7 homens e 7,5 mulheres para população de 100 mil habitantes de pessoas que cometem suicídio.

O que nos faz pensar na quantidade de homens que recorrem a tratamento na área da Saúde Mental e como eles andam se cuidando.

O alerta é grande para que haja maior investimento por parte de familiares e amigos de homens que demonstram que estão tristes, exaustos e frustrados com suas vidas. Inclusive, aqueles que fingem ser felizes.

Na minha experiência, percebo que muitos homens recorrem à Psicanálise por influência de uma terceira pessoa que lhe dá uma ajuda entrando em contato comigo ou até mesmo marcando a consulta por eles.

Então, para quem quer ajudar homens que passam por sofrimentos, busque dar um grande apoio porque, em muitos casos, os homens nem mesmo se percebem como pessoas que estão precisando de ajuda, ou mesmo, pessoas capazes de receber ajuda.

Homem sofre, sim!

Vamos refletir sobre este pensamento muito comum: homem não pode chorar. Será mesmo que homem não pode chorar e, por consequência, não pode sofrer? Claro que homem sofre.

Qualquer pessoa tem sua complexidade e é única. Então, romper com tabus sobre o que é ser homem é essencial para que se viva melhor.

Quando penso na educação em torno do homem, penso em quanto, em muitos casos, eles são vistos de forma positiva se são calados e não são valorizadas a sua sensibilidade e a sua relação com sua saúde.

Basicamente, para os homens, eles nem mesmo podem demonstrar tristeza e acabam tendo sua expressão restrita à raiva.

Será que podemos mudar esse tipo de visão sobre o que é ser homem? Será que é possível uma mudança eficaz para a melhora da qualidade de vida dos homens?

Já que estamos num momento em que há abertura para o questionamento em torno do que é ser homem e do que é ser mulher, por que não pensarmos sobre a maneira como lidamos com os gêneros? Fica aqui minha proposta!

Bruna Rafaele

Bruna Rafaele

Psicanalista, especialista em Saúde Mental. Faz atendimento online e presencial, no Rio de Janeiro.