Que vença o melhor?

Reflita sobre como fazer a carreira brilhar, sem competir com ninguém

Que vença o melhor?

Há uns anos declino da palavra “competir”. A competição, quando fora de regras esportivas claras, é irmã gêmea do sentimento de inveja. Então, para subir na carreira e manter um critério protocolar de elegância e principalmente de bem-estar e significado no processo todo, há três elementos salutares que podemos escolher, da boca para dentro, na conduta e no desenvolvimento de nossa própria performance e, por que não, vitória?

É possível vencer sem derrotar os outros quando estamos comprometidos com nossas responsabilidades. O compromisso que traz essa vitória com tom de “merecido” tem também bom humor, dignidade, um tanto de disciplina, uma pitada de sorte e, claro, inteligência.

Os valores em voga

O contexto profissional de projetos e objetivos apresenta necessidades que destacam os valores e competências de sucesso. É preciso ter sensibilidade e foco para manter a determinação e contribuir para que as coisas saiam bem.

Quando sintonizamos com estes valores, cai por terra a ideia de competição rígida ou cartesiana. Habilidades profissionais que destacam profissionais e concedem vitórias consecutivas se apresentam em um “mix” de performance, números, charme, capital erótico, disciplina, bom humor, criatividade, comunicação. Não há como somar tantos quesitos como se fora uma lista de compras no supermercado, é preciso ser esse sujeito e respirar esses valores.

A noção de mais alto

Estive em Nova Iorque semana passada e fiz um passeio de tirar o fôlego: sobrevoar Manhattan de helicóptero. Por 165 dólares, meia hora de uma vista deslumbrante, voo estável e uma comandante mulher! – a Kim. Depois de sobrevoar a Estátua da Liberdade, descemos o Rio Hudson, vendo a cidade de um lado e New Jersey do outro.

A uma dada altura, a comandante mostra o prédio “mais alto” da cidade e explica: “a construção considerada como sendo a mais alta é o novo World Trade Center (WTC), o que se ergueu no lugar de onde saíram as torres gêmeas – mas é a espiral no topo que lhe confere o título. Se fosse pela construção mesmo, este ali à esquerda seria o campeão”, disse Kim.

As pessoas que tem “accountability” – ou seja, que se fazem contar – têm foco no que é necessário. Se entregam ao seu trabalho com paixão. Por vezes, a espiral, o chapéu, a energia e a intenção ou o significado da sua presença superam os tijolos e as competências tradicionais ou formais de uma competição.

O novo WTC traz o significado da reconstrução depois do ataque terrorista que matou milhares de pessoas. Quando vejo a espiral do topo sendo guindada para cima do prédio, concordo que não deveria “contar” como altura. É feito uma pessoa de chapéu ser considerada mais alta que outra, só pela diferença do acessório. Mas esta espiral é parte da obra, coroa seu significado e faz a diferença que oficializa o prédio como o vencedor.

A vida é assim. Ao invés de competir, considero mais importante focar-se em sua energia, seu poder pessoal, seu trabalho e nas relações de percepção e coroação de sua performance. Se fazer contar. Estar no jogo. Se relacionar pela performance em si, comunicar-se mesmo sem ser solicitado, correr um quilômetro extra.

Ao invés de competir, considero mais importante focar-se em sua energia, seu poder pessoal, seu trabalho e nas relações de percepção e coroação de sua performance. Se fazer contar. Estar no jogo. Se relacionar pela performance em si, comunicar-se mesmo sem ser solicitado, correr um quilômetro extra.

É o caso de um trabalho de física que fiz certa vez, sem o professor pedir. Realizei uma pesquisa maluca sobre nebulosas. Não era o tema do período, mas eu estava apaixonada e dedicada a tudo. Nunca me esqueço do semblante do lindo Cacá subindo minha média final de B para A, enquanto lia a lista de médias da classe. Seria uma espiral ou um sinal de estar no jogo?

É verdade que há ambientes em empresas em que o jogo não premia os elementos subjetivos de valor ou há cartas marcadas no sentimento do jogo todo. Saia desse lugar. Faça seu caminho com dedicação e qualidade, paixão e seriedade, e sua carreira brilhará. Ponto.

A tecnologia e a internet nos oferecem hoje uma tremenda igualdade de oportunidades. Outro dia, na minha página oficial do Facebook, apareceu um comentário curioso: “Dra., a senhora é a máxima. Adoro sua engenhosidade” (sic). Fui olhar o autor… e adivinhem! Era o Seu Bomfim, porteiro do meu condomínio. Nós tendemos a colocar as pessoas em caixinhas, como se o Seu Bomfim caminhasse com uma guarita na cabeça e vivesse no papel de porteiro. Vendo seu perfil na rede social, a família, o samba e a turma dançando, acessei uma visão mais completa do ser humano. E ri.

Minha empregada virou minha amiga no Facebook há umas três semanas. Duro é ela largar o celular e pegar a vassoura. O ponto é: não acredite no seu cargo, nem para cima nem para baixo. Ser pleno do próprio poder nos deixa livres. Quando nos agarramos ao significado de um cargo ou posse, perdemos a nós mesmos. O porteiro é mais que porteiro, é pai, é líder comunitário, é artesão, é musicista, é namorado da Valdete. Não somos apenas um de nossos papéis. E, livres, temos mais sorte para crescer graciosamente.

Tudo isso sobre a internet apenas ilustra que a tecnologia nos coloca a todos em pé de igualdade, e nossas escolhas pessoais e atitudes definem nosso destino. Não é a política pública ou a reunião de clima de Copenhagen ou do Peru que trazem mudanças, nunca foram e nunca serão. É a cultura e a mentalidade de pequenas ações e atitudes que nascem nas empresas, nas escolas, nas famílias – e também nas lideranças capazes de semear práticas que nascem do raciocínio de emoções positivas.

Falo do clima, pois a 196ª convenção de clima da Organização das Nações Unidas (ONU) acabou de acontecer. Daniel Goleman, em seu novo livro “Foco” (Ed. Objetiva), lembra que o movimento chamado “das pegadas ecológicas” tratava de somar os erros de conduta que prejudicam o planeta. A pegada de carbono, o seu consumo de água, energia, etc. As pessoas tendem a simplesmente acabar se desligando das emoções negativas. Elas até responderam a questionários sobre seus hábitos de tomar banho ou apagar as luzes, e tiveram sua nota com as “pegadas ecológicas” repreendendo seu estilo de vida, mas ao invés de incentivar o movimento, se desligaram. Nasceu então a “Digital Ecológica”, movimento que trata de apontar as pequenas coisas certas que fazemos e que são consideradas de contribuição para ecologia, como ir de bicicleta ao trabalho ou ter aquecimento solar em casa. Esse movimento associa emoções positivas ao propósito e não para de crescer!

Portanto, num processo de crescimento de carreira, o foco da sua emoção deve ser de prazer no seu trabalho em si, accountability – sua prontidão e competência de fato – e bom humor com todos, pois sua energia conta muito.

  1. Seja competente e se doe ao seu trabalho com paixão.
  2. Tenha accountability e se faça presente com o que é necessário de fato. Venda ideias. Faça uma apresentação a mais.
  3. Sorria. Você está sendo filmado. Foco, se traz benefício, numa só palavra, é sucesso.

E agora, que carreira e vida você decide para o novo ano?

Claudia Riecken

Claudia Riecken

Empresária, autora de quatro livros e criadora do Método Quantum. Presidente e fundadora do Grupo Quantum Assessment, teve sua obra reconhecida por especialistas multidisciplinares, como uma verdadeira revolução em testes de comportamento.