Celia Lima
  • Por Celia Lima
  • Leia em 3 min.
  • 05/11/2014
  • Atualizado em 22/07/2019 às 20:34

Por que tanto preconceito nas redes sociais?

Perguntas ajudam a esclarecer origem de ódio e ataques ao outro

Por que tanto preconceito nas redes sociais?

Preconceito não tem lógica. Ele reflete um puro medo de fazer parte de um grupo específico, de ser excluído – seja porque é gay, pobre, negro, etc. Ou seja, medo de fazer parte de minorias ou entidades que representam alguma ameaça aos próprios valores e crenças. Inconscientemente, na maior parte das vezes, a “melhor” forma que algumas pessoas encontram de se proteger contra o medo é eliminando o objeto que causa temor, seja desqualificando, alardeando boatos ou trabalhando para minar a autoestima do alvo. Podemos citar como exemplo a violência que alguns “machões” cometem contra mulheres, ou o que grupos radicais fazem contra pessoas, entidades religiosas ou determinados segmentos sociais.

Recentemente temos visto nas redes sociais e na mídia uma enxurrada de declarações odiosas contra determinados grupos e penso que a recente campanha eleitoral, marcada por desrespeito e vulgaridade por parte de alguns candidatos, acabou por referendar e autorizar as manifestações que já estavam latentes nos indivíduos. Se uma figura de autoridade se manifesta em público de forma deseducada ou desrespeitosa, “por que eu não posso fazer o mesmo?”, algumas pessoas podem pensar.

O processo é parecido com o que vivemos em casa: se convivemos num ambiente de harmonia, entenderemos que é isso que deve reger nossas ações, mas se vivemos num ambiente tóxico, permeado pelo medo, ameaças e agressões, é dessa forma que entenderemos que o mundo é feito e provavelmente reproduziremos esse modelo: ou nos encolhemos diante da vida ou partimos para o ataque. Mas claro que isso é uma possibilidade, não necessariamente uma obrigatoriedade.

Todos temos um “lado sombra”. Isso significa que ao mesmo tempo em que podemos ser generosos, solidários, amorosos e lúcidos, também podemos ser egoístas, individualistas, odiosos e insensatos. Cabe a cada um escolher o que deseja ser e, mais que isso, cabe a cada um compreender porque muitas vezes somos ou agimos de forma que não ficamos confortáveis com nossas atitudes, mas mesmo assim não conseguimos nos libertar de certos comportamentos que não nos trazem consequências agradáveis ou que não traduzem quem verdadeiramente somos.

Muitas vezes, pessoas altamente influenciáveis passam a reproduzir a fala e o comportamento de alguém que as seduz com seu discurso odioso ou com sua simpatia, sem se darem conta de que no fundo não concordam com suas posições.

Mas no afã de serem aceitas, deixam de lado sua capacidade crítica para apenas se sentirem pertencendo àquele grupo que supostamente as protegerá das opiniões contrárias. Isso pode ser um reflexo também da dinâmica familiar, que ensinou silenciosamente que quem ataca veementemente “ganha a batalha” pela força, então talvez seja melhor ficar ao lado dos que fazem isso.

Enxergar o outro como igual é o caminho

O fato é que nossa vida muda quando olhamos o outro como nosso igual. Não é possível que os gays, os menos afortunados economicamente, os negros e todos os que são sistematicamente atacados exerçam alguma interferência direta em nossa vida pessoal. Por que se incomodar tanto com a união homoafetiva, por exemplo? Certamente está dentro de cada um a resposta, seja por suas crenças, por sua educação ou por qualquer outra razão que não passa pela política.

Cada um deve trabalhar seus ódios e preconceitos no âmbito pessoal e promover uma reflexão profunda a respeito de seus preconceitos. Vão aqui algumas perguntas que podemos fazer a nós mesmos, cujas respostas podem nos ajudar a esclarecer a razão de nossos medos:

  1. Por que, afinal, eu não gosto de um determinado grupo, mesmo que ele não represente uma ameaça em minha vida?
  2. Será que sou mal informado a respeito daquelas pessoas e formei minha opinião com base em falácias, em olhares preconceituosos ou na indução da mídia?
  3. Será que sou tão rígido e não aceito outro modo de viver que não seja semelhante ao meu?
  4. De que forma minhas convicções religiosas interferem na capacidade que tenho de aceitar as diferenças? Será que estou entendendo direito o que minha religião prega? Será que é algo diferente de amor e paz? Minha religião diz que os outros não têm direito de viver como desejam?
  5. Por acaso pessoas com menor poder aquisitivo são diferentes de mim em sua essência humana?
  6. Por acaso pessoas com maior poder aquisitivo são incapazes de ter sentimentos de amor e união, de ser sensíveis às dificuldades humanas?
  7. No que a cor da pele, o grupo étnico ou a estética interferem realmente em minhas relações, a não ser em maior ou menor atração sexual? Afinal, os que não são como eu são mais agressivos ou mais inteligentes, ou somos todos iguais em competência e sentimentos?

Penso que devemos abrir mais a nossa visão de mundo, pensar mais no coletivo e principalmente entender as razões particulares que nos levam a seguir este ou aquele grupo, a admirar a violência e promover o vandalismo moral nas redes sociais ou a admirar a busca pela paz e consolidar o respeito às diferenças.

Esses questionamentos são um bom início para aprendermos mais sobre nós mesmos em relação a estas questões. Provavelmente esse também é o caminho para a construção de um processo civilizatório que levará a todos na direção da evolução pessoal e, como consequência, da evolução das relações sociais.

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Celia Lima

Celia Lima

Psicoterapeuta Holística, utiliza florais e técnicas da psicossíntese como apoio ao processo terapêutico. Presta atendimento também por meio de terapia breve com encontros semanais, propondo uma análise lúcida e realista de questões pontuais propostas pelo cliente objetivando resultados de curto/médio prazo. Saiba mais