Afinal, o que as mulheres atuais querem?

Com a discussão sobre a posição da mulher na sociedade, muitas coisas estão mudando e é preciso refletir sobre quem somos e o que queremos

Afinal, o que as mulheres atuais querem?

O mundo nunca esteve tão voltado para as discussões sobre o que é ser mulher, direitos da mulher, violência sexual contra mulheres, feminismo, entre outras pautas envolvendo o empoderamento feminino e a posição da mulher na sociedade.

Tudo isso não tem provocado apenas mudanças em como se enxerga as mulheres, mas também em como elas próprias se veem e se colocam no mundo, em como estão indo em busca de seus sonhos e também sobre a maneira como escolhem e se relacionam com seus parceiros.

Com isso, muitos homens parecem angustiados com relação ao que eles também são, porque suas parceiras os querem num novo formato, mais atuantes no cuidado com os filhos e na organização da casa.

Eles também têm passado por um questionamento sobre sua conduta e seu pensamento, porque recebem críticas sobre seus posicionamentos, mas se sentem um tanto quanto perdidos tentando descobrir como agir.

Muitos se questionam: afinal, o que querem as mulheres?

As mulheres estão exigentes demais?

Percebo que as mulheres estão ficando mais exigentes com relação ao que querem. No entanto, muitas demonstram isso colocando em dúvida o tipo de compromisso com seus parceiros, caso eles não consigam se adequar ao que elas pedem para passar por mudanças.

Em muitos casos, nem sempre fica claro para eles o que estão fazendo de forma “inadequada”,  de acordo com a visão delas. Isso é novidade? Acredito que não,  mas certamente se intensificou os debates sobre o que afinal as mulheres esperam de seus parceiros.

Comportamentos machistas não estão sendo mais aceitos como nas décadas anteriores, o que impacta em mudanças como, a função do homem dentro de casa, o lugar do homem ao lado da mulher e como o homem pode atuar ao ser pai.

Muito preconceito ainda existe em torno do feminismo, porque ainda se acredita que é uma filosofia de vida que traz apenas como base a liberdade sexual das mulheres.

Quando, na verdade, não é apenas isso. Estamos falando de retirar a mulher do lugar da inferioridade que lhe foi imposto por muitos anos e que a submeteu por várias culturas a ocupar o lugar de personagem secundário na sociedade e, principalmente, na sua própria vida.

Com a tentativa de equiparação da figura feminina à masculina – é disso que fala verdadeiramente o feminismo – busca-se dar o devido valor à mulher como sujeito de sua história.

O que mudou para as mulheres

O que essa revisão do papel da mulher na sociedade está provocando na vida delas?

Sobre engravidar, por exemplo. Muitas mulheres ainda se sentem na obrigação de ser mãe por imposição social.

Isso pode gerar muito mal-estar no seio familiar, porque nem todo mundo de fato deseja ter filhos e isso deve ser encarado como uma escolha natural. Você já pensou na relação emocional mãe e filho, em que não há amor materno? Já é difícil quando o homem não deseja ser pai para o filho, não é?

Uma das conquistas que os movimentos feministas trouxeram, na busca do controle de natalidade, foi o uso de métodos contraceptivos.

Assim como a separação entre o sexo e a procriação. Afinal, tanto mulheres quanto homens sentem desejo sexual e em muitos caso, isto não está associado a desejar ter filhos. A não relação entre sexo e filhos é saudável, portanto, não precisa ser um tabu, certo?

Mudança requer liberdade

Esse assunto é longo, mas gosto de pensar nele como um momento de transição, no qual podemos pensar sobre outras possibilidade e reposicionamentos.

As discussões, saudáveis ou nem tanto, são de uma riqueza enorme para este momento social. Pois, estamos todos aprendendo muito sobre quem somos e o que queremos.

Qualquer pessoa pode decidir ter ou não alguém ao lado, pode decidir qual a orientação sexual dela, pode criar o relacionamento que deseja, morar junto ou não, casar ou não, ter filhos ou não. Qualquer escolha é possível e individual e é essa liberdade que precisamos compreender.

É importante entender que nem tudo precisa ser permanente, que podemos mudar nossa maneira de enxergar as escolhas dos outros, assim como as nossas próprias decisões.

Hoje, estamos num momento em estamos tendo a opção de refletir sobre o que é a imposição em torno da maneira do outro de viver, sentir, e se interessar por algo.

Essa liberdade gera mudanças positivas? Sim, aprender que o outro não é uma extensão de nós mesmos é muito fundamental para conseguirmos aceitar melhor não só o que as mulheres querem, mas como toda e qualquer pessoa deseja viver.

Viver rodeado dessa tal liberdade pode gerar grandes desafios emocionais, porque muitos ainda não sabem como aceitar a diferença. Se é o seu caso, me procure para falar mais sobre isso.

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Bruna Rafaele

Bruna Rafaele

Psicanalista, especialista em Saúde Mental. Faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro e consultas online no Personare. Saiba mais