Embarque na transição alimentar

Conceito propõe mudanças fáceis, na alimentação e na rotina, que levem a um estilo de vida saudável, sustentável e prazeroso

As pessoas costumam dizer que precisam melhorar a alimentação. Mas a realidade é que ainda comemos mal, destruímos o planeta, engordamos e adoecemos. Queremos melhorar, mas às vezes mudar a alimentação de maneira brusca pode ser algo insustentável.

O conceito de “transição alimentar” que costumo usar respeita a relação do indivíduo com o alimento, sugerindo a mudança como um processo a ser vivido natural e progressivamente. Imagine uma alimentação ideal, perfeita, completamente orgânica, ecológica, saborosa e saudável – a transição acontece quando fazemos algo para nos aproximar desse ideal. Ao sentir um chamado verdadeiro para melhorar o quê e como você consome, vale a pena dar o primeiro passo.

A transição deve ser constante e muitos de nós já estão neste processo

Detox milagroso, jejum, dieta líquida e afins não são para qualquer um, mas substituir alimentos transgênicos e cheios de agrotóxicos pelos orgânicos está cada vez mais acessível.

Detox milagroso, jejum, dieta líquida e afins não são para qualquer um, mas substituir alimentos transgênicos e cheios de agrotóxicos pelos orgânicos está cada vez mais acessível.

Feiras orgânicas e serviços de entrega de cestas com produtos de cooperativas já existem em quase todas as grandes cidades. Aumentar a quantidade de produtos consumidos “in natura”, diminuindo os industrializados, também representa uma transição alimentar consistente, que nada tem a ver com o imediatismo das “dietas do momento”.

Não é saudável e tampouco eficiente mudar nossa alimentação de forma agressiva. Então, que tal abraçarmos o processo? Ele pode demorar meses e até anos. Porém, a cada novo ingrediente que substituirmos ou incorporarmos, será um pequeno sucesso. Veja abaixo algumas dicas para começar a sua transição alimentar, por meio de substituições simples no cardápio e também no cotidiano:

  1. Substitua o arroz branco pelo integral. Os alimentos integrais são mais nutritivos – são absorvidos mais lentamente pelo organismo, prolongando a sensação de saciedade – e, geralmente, mais saborosos.
  2. Troque o açúcar refinado pelo mascavo. Para ficar branco e com aspecto “soltinho”, o açúcar refinado é extraído da natureza e submetido a um processo químico que elimina nutrientes como as fibras, o magnésio e o potássio, entre outros.
  3. Faça uma boa refeição, coma comida de verdade. Evite ficar “beliscando” ao longo do dia, pois essa prática normalmente envolve snacks e lanches industrializados.
  4. Se precisar comer algo que tenha embalagem, leia atentamente todo o rótulo. Familiarize-se com os ingredientes e evite comer o que você não reconhece como alimento.
  5. Leve uma bolsa ao mercado, para colocar suas compras. Essa é uma ótima maneira de economizar sacolas plásticas, que não são biodegradáveis e prejudicam o meio ambiente ao serem descartadas em larga escala.
  6. Pensar de forma mais ampla e procurar saber de onde vêm os alimentos ou para onde vão as embalagens também é legal. Alimentação saudável é um estilo de vida que começa na escolha do alimento e não termina quando matamos a nossa fome. O consumo consciente e a gestão dos resíduos são de nossa responsabilidade.

Assim, fica mais fácil alcançar nossos objetivos e fazer as substituições que consideramos melhorias, de um jeito maduro e consistente.

Bernardo Mota

Bernardo Mota

É formado em Gastronomia e especializou-se em alimentação natural no exterior, pelo Natural Gourmet Institute e o The Raw Food School, entre outros.