Benefícios do óleo de coco x óleo de canola

Descubra qual deles é a melhor opção de consumo para seu corpo

O óleo de coco tem sido objeto de grande polêmica nas últimas semanas nas redes sociais. Há quem diga que o produto não é saudável e sugira a substituição por óleos refinados – como o de soja ou canola – enquanto outros afirmam que estes produtos industrializados e ultraprocessados é que são os verdadeiros vilões da saúde. A grande preocupação que fica na cabeça das pessoas é: em quem confiar no meio de tanta informação confusa, tanto profissional renomado e de confiança nos dizendo orientações opostas, e tantas pesquisas científicas com resultados diametralmente opostos?

Eu uso dois pontos de apoio para decidir sobre o consumo regular de qualquer alimento:

  • Esse alimento, no estado oferecido, tem sido consumido regularmente por populações tradicionais ao longo dos milênios?
  • Quando eu consumo esse alimento, eu percebo seus benefícios?

É preciso lembrar que certos alimentos e formas de usá-los vêm sendo testados por inúmeras gerações. E os produtos alimentícios ultraprocessados, como os óleos refinados – de soja, canola, entre outros – estão sendo consumidos há pouco tempo. Sendo assim, pouco se sabe sobre o verdadeiro efeito em longo prazo, apesar de estarmos cada vez mais percebendo o impacto disso. Ou seja, o consumo diário de óleos refinados em várias refeições tem alterado o comportamento de nossos genes, causando doenças crônicas em índices alarmantes em populações cada vez mais jovens.

o consumo diário de óleos refinados em várias refeições tem alterado o comportamento de nossos genes, causando doenças crônicas em índices alarmantes em populações cada vez mais jovens.

Estudos desde a década de 70 vêm mostrando que estamos consumindo muito mais quantidade desses óleos poli-insaturados oxidados do que o recomendado em nossa alimentação diária. Eles contêm radicais livres e atacam as estruturas das células, o que contribui para o aumento dos casos de câncer; doenças cardíacas; disfunções do sistema imunológico, fígado, sistema digestivo, órgãos reprodutivos e pulmonares, crescimento; e ganho de peso; além de doenças autoimunes como artrite, Parkinson, Alzheimer e catarata.

Não acredito em classificar alimentos em inerentemente ruins ou bons. Quando consideramos a bioindividualidade dos seres humanos, pode ser que óleo de coco realmente não seja uma boa escolha. Por exemplo, para quem tem genes predominantes do clima frio – ascendência europeia ou do extremo oriente, locais nos quais o coco não é planta nativa – ou tenha intestino solto, principalmente quem evacua muitas vezes por dia quando consome comidas mais gordurosas. Para outras pessoas, com um perfil genético mais resistente ao impacto da alimentação contemporânea, pode ser que o óleo ultrarrefinado, como o de canola, não cause tanto impacto nos processos inflamatórios para o organismo.

Por isso, antes da sua compra, pare para refletir: qual a razão por trás de eu consumir esse alimento? Qual benefício ele me traz? Pode ser que seja o financeiro, de curto prazo, ou o de saúde, de médio e longo prazo. Nas duas escolhas há consequências – e precisamos estar cientes delas.

Versão industrializada do óleo de coco não traz benefícios

O óleo de coco pode ser uma roubada quando consumimos sua versão refinada, de indústrias, que não têm compromisso com a manutenção de características originais do produto e de seus benefícios, consequentemente.

O óleo de coco pode ser uma roubada quando consumimos sua versão refinada, de indústrias, que não têm compromisso com a manutenção de características originais do produto e de seus benefícios, consequentemente.

Ao mesmo tempo, a versão orgânica extravirgem – esta sim, que traz uma composição única de ácidos graxos com benefícios para desordens do funcionamento cerebral, cardíaco, do metabolismo, imunológico, entre outros, além de ser um dos melhores produtos de beleza para pele e cabelos – pode ser bem inacessível, tanto financeiramente quanto em relação à dificuldade de ser encontrada.

Os óleos ultrarefinados, como de canola, são extremamente acessíveis financeiramente e nos supermercados. Além disso, são massivamente usados em qualquer lugar, como restaurantes, e não temos muito como escapar de consumi-los de vez em quando. Afinal, comer fora significa abrir mão do seu poder de escolha, de decidir o que vai colocar de matéria-prima em seu corpo.

Acredito que, no que diz respeito ao preço, o devemos discutir é por qual motivo as comidas de verdade, ou seja, as que são nada ou pouco processadas ficam cada vez mais inacessíveis financeiramente para a população. Ao mesmo tempo, por que os produtos alimentícios altamente processados vão se tornando cada vez mais baratos?

A gordura de coco era usada pela população de renda baixa no início do século passado no Brasil, e pode constituir cerca de 60% das calorias ingeridas em povos cujo coqueiros são plantas nativas. Na minha rede social, uma seguidora chegou a comentar que sua avó ficou espantada com a “modinha fit” do óleo de coco e comentou com tom de desdém: “mas isso eu usava na roça”.

Então, por que óleos ultrarefinados, de plantas que nem são nativas do país (como soja, girassol, canola, entre outros), se tornaram a maioria na prateleira dos mercados? É curioso observar que as gorduras tradicionais – como a do coco – foram taxadas como perigosas para a saúde e até “coisa de pobre” quando a indústria chegou com suas opções. Mas, ao mesmo tempo, esses mesmos produtos naturais ganharam o status de “comida de rico” quando especialistas os redescobriram como superalimentos (veja aqui quais são os principais superalimentos e seus benefícios).

Estou constantemente convidando minhas clientes a refletirem sobre isso, em relação a qualquer alimento que escolham consumir mais ou eliminar da alimentação. No final das contas, a escolha é sua, somente sua. Ninguém pode afirmar de forma absoluta qual o impacto de determinado alimento no seu organismo. E só você pode sentir e saber essas reações.

A melhor dica é observar o que seu corpo precisa

Então, antes de condenarmos alimentos, profissionais de saúde, indústrias, ou atirar pesquisas científicas como balas de canhão uns nos outros, vamos lembrar que nada substitui a sabedoria do próprio corpo. Precisamos, no final das contas, é nos alimentar de autoconsciência na hora de fazer as escolhas de nossos alimentos.

Óleo de coco não é cura para todos os males, não vai sozinho fazer você emagrecer, ficar com a pele incrível, ou fazer seu coração ficar limpinho da arteriosclerose. Muito menos o óleo de canola.

Óleo de coco não é cura para todos os males, não vai sozinho fazer você emagrecer, ficar com a pele incrível, ou fazer seu coração ficar limpinho da arteriosclerose. Muito menos o óleo de canola.

A batalha só é vencida quando você faz a sua escolha do que coloca no prato naquele momento.

O que vai fazer você se sentir saudável é oferecer o máximo possível dos alimentos que fazem o seu corpo funcionar em estado ótimo. Como sabemos quais são eles? Experimentando, observando e ouvindo o que nosso corpo tem pra nos dizer em forma de sintomas ou bem-estar. E, claro, nutrir-se muito além da comida (entenda aqui do que você vem nutrindo a sua vida).

Melissa Setubal

Melissa Setubal

Profissional pioneira em Saúde Integrativa no Brasil, criou sistemas que apoiam mulheres que sofrem com sintomas do ciclo menstrual e com sua imagem no espelho. Atua como coach de saúde, com atendimentos individuais e em grupo.