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Você supervaloriza a imagem corporal?

Leia sobre os transtornos alimentares e aprenda a tratá-los

 

Outro dia estava na academia fazendo meus exercícios matinais quando encontrei alguns amigos que conversavam sobre filhos e casamento. Um deles estava muito preocupado com a filha adolescente, que vinha comendo demasiadamente em um dia, enquanto no outro não ingeria nada. Além disso, falou que a menina estava obcecada por ginástica e ele acreditava que estava havendo um excesso de exercícios físicos.

Alertei-o a respeito dos transtornos alimentares, cada vez mais comuns. Este é um problema tão grave que outro dia escutei na rádio que alguns países na Europa estão pensando em criar uma lei que proíbe modelos de emagrecerem a um nível abaixo do considerado saudável por médicos e nutricionistas. O fato de vivermos em uma sociedade baseada em um padrão estético de magreza esquálida gera este tipo de sintoma social, no qual os jovens em formação são os mais atingidos. Mas, afinal de contas, o que são os transtornos alimentares?

Um grande distúrbio da imagem corporal e do padrão alimentar caracterizam os transtornos alimentares. Eles podem ser divididos em três categorias: anorexia nervosa, bulimia nervosa e a compulsão alimentar periódica.

A anorexia nervosa e a bulimia nervosa possuem uma origem psicossocial, devido a influência da "cultura do corpo" estimulada pela sociedade ocidental. Através da mídia, são supervalorizadas profissões nas quais a imagem corporal, agilidade e leveza física são importantes, como atletas, modelos, atrizes e bailarinas. Os jovens tornaram-se escravos dessa busca incessante pelo "corpo perfeito", mesmo que tenham um biótipo que não esteja de acordo com este ideal. Esse fato pode gerar angústia, rejeição social e, nos casos mais extremos, os transtornos alimentares. Isto, porém, não quer dizer que seja uma doença de jovens e adultos que estão acima do peso, pelo contrário.

Qual a diferença entre bulimia e anorexia?

As características gerais da bulimia e anorexia são: o controle do peso corporal (auto-indução do vômito, dietas muito rigorosas, exercícios físicos em demasia, uso de laxantes, diuréticos, remédios e hormônios tireoidianos (que alteram o metabolismo corporal), os distúrbios da percepção da imagem corporal (a jovem que é muito magra, se olha no espelho e percebe-se gorda) e o medo patológico de engordar. É importante destacar que alguns destes mecanismos de controle do peso estão mais ligados a bulimia e outros a anorexia.

A compulsão alimentar periódica apresenta um quadro diferente, mais ligado à obesidade e que será explicitado em um próximo artigo.

Todos nós temos uma percepção própria do corpo,que na maioria das vezes se aproxima da realidade. É lógico, que em alguns momentos nos percebemos mais gordinhos ou magrinhos do que realmente estamos. O problema é quando esta percepção corporal está completamente distorcida e a pessoa não tem consciência alguma sobre isso. Na anorexia nervosa, toda a vida do doente passa a ser organizada em torno da dieta, do peso, dos contornos corporais e da comida. Há total negação dos riscos à sua saúde e nenhum incômodo com seu estado físico, devido à deturpação da percepção de sua imagem corporal.

Na bulimia, diferente da anorexia, há a alternância de uma severa restrição alimentar com a compulsão alimentar. compulsão alimentar, de início, pode estar relacionado à fome, porém, com o tempo se torna um padrão instalado de compulsão-purgação (vômito auto-induzido, uso de laxantes, diuréticos) que acontece como uma forma de lidar e aliviar os sentimentos negativos tais como: tristeza, solidão e frustração.

Para o tratamento ser realmente eficaz, é preciso a utilização de diferente abordagens terapêuticas (psicoterapia individual, grupo, medicamento, reorientação nutricional, orientação familiar) com diferentes profissionais envolvidos. É necessária uma comunicação clara e trabalho em equipe desses profissionais para que o doente tenha resultados satisfatórios e mais rápidos. É também muito importante que a família esteja presente no tratamento, pois muitas vezes, determinadas idéias e crenças negativas do paciente fazem parte de todo um contexto familiar que está adoecido e precisa ser tratado em conjunto. Se você acha que está passando por uma situação desse tipo, não tenha vergonha e procure ajuda para você e seu familiar doente, pois quanto mais precoce a detecção do problema, melhor as chances de recuperar a saúde de todos na família.

Dicas para ajudar a detectar os transtornos alimentares:

  • Desconfie se a pessoa apresenta comportamentos alimentares estranhos: realiza dietas radicais por um tempo prolongado junto com a valorização extrema da aparência física; acha-se gorda mesmo estando magra; acaba de comer e imediatamente vai para o banheiro e fica algum tempo lá; alterna momentos de compulsão alimentar com momentos de alta restrição alimentar.
  • Preste atenção na intensidade e frequência com que a pessoa realiza atividades físicas. Principalmente, atividades aeróbicas (focadas na redução de peso e queima de gordura) como a corrida, running class, spinning, entre outras.
  • Cuidado para que os cuidados com a aparência, o corpo e o peso não se tornem "neurose" pessoal e familiar.
  • MUITO IMPORTANTE: estranhe se a pessoa apresenta uma distorção grave na percepção do seu próprio corpo. A pessoa já está muito magra e continua vendo-se gorda e tem pavor de engordar, além disso, continua realizando exercícios físicos de maneira excessiva.

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SOBRE O AUTOR

Rodrigo Garcez

Psicólogo Clínico formado pela PUC-RJ e com especialização na Assistência e Atendimento ao Usuário de álcool e outras drogas pelo PROJAD/Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Saiba mais »

contato: rodpsi@globo.com
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