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Você se veste de acordo com sua essência?

Transformações sofridas na vida refletem em seu guarda-roupa

Por: Gabriela Machado André

 
Imagem: Unsplash

Seu jeito de se vestir já sofreu alguma transformação naquele momento da vida em que você adotou novos hábitos, ou uma visão de mundo diferente? Antes que o termo "moda" fosse diretamente associado à indústria de confecção de roupas e ao que está "em alta", segundo a influência de estilistas e da mídia, a palavra era apenas um derivado do latim "modus", que significa "modo", "maneira" e "comportamento".

O que escolhemos pegar do cabide ou comprar na loja pode revelar mais do que nosso estado emocional e psíquico, mas também valores e opções ideológicas. Assim, é muito interessante utilizarmos a análise sobre nosso estilo e opções de consumo como uma ferramenta de profundo autoconhecimento.

Influências externas e a construção da identidade própria

Lembro-me de quando eu era menina e não entendia por que as pessoas escolhiam usar uma peça de roupa preta. Meu armário era absolutamente colorido de tons vivos ou estampas. Mais para frente comecei a ouvir rock, e esse novo input musical e vibracional já influenciou o meu armário. Sem contar que na época eu havia sofrido a perda de um familiar próximo e estava vivendo meu primeiro inverno com temperaturas perto de zero. Após um período de introspecção, lá estavam as peças pretas.

Anos depois eu cheguei a trabalhar em uma empresa na qual era sinal de confiança e bom gosto vestir-se todo de preto. Na verdade, o CEO da empresa se vestia assim e inspirava essas qualidades. Como se fosse uma espécie de "osmose", alguns integrantes da equipe se vestiam assim também, dando a impressão de que se tratava de uma atitude proativa naquele espaço.

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A psicanalista e mestre em filosofia, Juliana Genevieve, me explicou o seguinte, a respeito desses casos: "Existem dois âmbitos de escolha, um consciente e um inconsciente. Quando eu paro para pensar em que roupa eu vou usar e qual mensagem eu quero passar, isso sai da minha consciência, minha escolha racional. Se eu não penso no impacto que isso possa causar e simplesmente escolho por impulso, essa ação pode representar minha emoção daquele momento".

Ainda segundo Juliana, construir nossa identidade própria - que também é fruto de todas as vivências e experiências que tivemos - é um sinal de maturidade e nos faz estar menos atrelados a estereótipos e tendências mercadológicas. "A questão do amadurecimento está relacionada a como eu me vejo, me percebo e estou para ser feliz. Quando você encontra essa essência, compõe sua identidade e ela se torna sua impressão digital", explica.

O propósito nas escolhas do que vestir

Cito aqui dois exemplos muito legais de mudanças de olhar sobre a moda, a partir de análises conscientes da realidade. A Babi Mattivy, fundadora de uma marca de calçados veganos e ecológicos, me contou que sua identidade na moda está diretamente relacionada a não utilização de peças de couro. Essa mudança de olhar começou pela decisão de se se tornar vegetariana e, um tempo depois, vegana.

Depoimento Babi:

Depoimento Babi:
"Tendo esse mindset, não fazia mais sentido algum usar o couro. Além da crueldade animal, que não se justifica, a agropecuária e o curtimento do couro são altamente poluentes e tóxicos para o meio ambiente. À medida que fui lendo e me informando sobre esses problemas, não fazia mais sentido incentivar ou mesmo utilizar o couro na minha vida e nas produções da minha marca", conta Babi. (Imagem: Divulgação)

Já a jornalista e relações públicas Luciana Nunes, após trabalhar por anos com comunicação estratégica em moda, percebeu que seus valores não se identificavam mais com os da indústria tradicional e uma mudança na opção de consumo foi necessária. Para contribuir com essa realidade mais coerente e propagar um novo modelo de negócio, ela criou a iniciativa de um Guarda-Roupa Coletivo onde os usuários pagam um valor variável conforme o perfil do plano e têm acesso a um acervo de roupas "circular".

Depoimento Luciana:

Depoimento Luciana:
"Como uma boa sagitariana que sou, sempre gostei de contar histórias e, depois de um tempo, vi que a maioria das roupas de marcas tradicionais do mercado contavam uma história triste, de injustiça social, falta de criatividade e irresponsabilidade ambiental. A partir desse momento, há quase três anos, parei de comprar em marcas como essas, principalmente nas 'fast fashion' e passei a investir em outras que estão fazendo esforços para construir uma nova realidade de mercado, mais sustentável e consciente. Montei essa iniciativa para trazer de volta à circulação peças especiais que amamos e que estão paradas em nosso guarda-roupa por falta de ocasião de uso ou algum outro motivo. Acredito que moda está diretamente ligada à autoestima e identidade; e o que apoiamos por meio do consumo diz muito sobre nossos ideais de vida e crenças", contou Luciana. (Imagem: Divulgação)

Que tal aproveitarmos esse momento para fazermos mais algumas perguntas sobre nosso estilo pessoal? Reflita:

  • Nossas escolhas de roupas têm tido sintonia com a pessoa que somos ou desejamos ser?
  • Quais cores nos fazem mais feliz?
  • Quais marcas nos trazem mais identificação e por quê?

Fazer uma pequena pesquisa de opinião com nossos amigos mais próximos e familiares, sobre o que mais combina conosco, ou mesmo considerar contratar uma consultora de estilo ou visagista, são ações que podem nos ajudar nesse processo. Uma boa "limpa" no guarda-roupa ou a utilização de técnicas como o "armário-cápsula" (escolha de 30 a 40 peças para usar por estação e armazene o restante) também são ótimas medidas para percebermos o que mais temos usado e programarmos melhor nossas compras. Aprofundar o olhar sobre questões cotidianas como essas certamente nos ajudará a nos tornarmos pessoas mais seguras e especiais!

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SOBRE O AUTOR
Gabriela Machado André

Gabriela Machado André

Jornalista especializada em Comunicação e Educação Ambiental, é criadora do blog Roupartilhei e desenvolve conteúdos sobre moda, sustentabilidade e inovação. roupartilhei@gmail.com

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