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Carreira e Dinheiro > Planejamento Financeiro
Reflita se o dinheiro compensa tudo o que você abre mão para tê-lo
Você concordaria em abrir mão de 20% do seu salário para trabalhar 20% menos tempo? Muita gente pode pensar que o estilo de vida que cada um escolhe para si tem a ver somente com as necessidades que imaginamos ter ou que temos de fato. É claro que todos precisam de dinheiro para viver, assim é construída nossa sociedade. Mas será que o tanto de dinheiro que imaginamos precisar é realmente compensador quando comparado com tudo de que abrimos mão, e que é igualmente necessário e prazeroso em nossas vidas?
Considerando que as pessoas que trabalham em empresas ficam fora de casa por pelo menos onze horas por dia (duas horas entre ida e volta do trabalho, uma hora para almoço e oito horas de trabalho), e que elas durmam uma média de sete horas por noite, das vinte e quatro horas do dia lhes restam seis horas para serem distribuídas entre mais duas refeições, tomar banho e cumprir com suas obrigações pessoais.
Você tem ideia do que poderia fazer com pelo menos duas horas a mais do seu tempo caso abrisse mão de 20% de seu salário? Vou citar aqui muitas coisas prazerosas que custam o mínimo ou mesmo custam nada, e que por estarmos ocupados demais trabalhando acabamos esquecendo o quanto são importantes em nossas vidas:
Muitas atividades não são necessariamente prazerosas, mas são indispensáveis para o bom funcionamento de nossas vidas e ficam sendo adiadas por pura fala de tempo para realizá-las:
Vinte por cento do tempo pode representar muitas realizações importantes em nosso dia-a-dia. Pode representar muito menos estresse, muito mais alegria, distribuída homeopaticamente ao longo de um ano, por exemplo.
Por outro lado, abrir mão de vinte por cento do salário pode, num primeiro momento, representar a prestação de um carro ou a economia para a viagem de férias que, para muitos, compensa dias mais abarrotados com os compromissos profissionais.
Muitos podem optar pelo consumo que lhes causa prazer como ir às compras, aproveitar as liquidações, ir mais a restaurantes e comer menos em casa, trocar a TV que ainda funciona bem por uma mais moderna ou adquirir sempre o último modelo de celular mesmo que o anterior desempenhe bem todas as funções.
Outros podem optar por uma vida mais minimalista, mais enxuta, adquirindo apenas o que é necessário sem se deixar levar por impulsos consumistas e conseguindo assim economizar também para programar a viagem dos sonhos.
Não existe certo ou errado no jeito escolhido para viver. Mas independentemente de você ter um perfil mais consumista ou mais minimalista, vale refletir sobre algumas questões:
Mesmo que não tenhamos muita escolha quanto ao número de horas trabalhadas (seria mais fácil para os profissionais autônomos?), esses questionamentos podem nos ajudar a pensar no destino que damos ao dinheiro que ganhamos, quantas "necessidades desnecessárias" nós criamos, o quanto nos deixamos influenciar pelos apelos de consumo e como muitas vezes temos que pagar com nossa saúde ou com nossa ausência de atividades importantes para ter mais dinheiro.
Obviamente muitos dirão que existem os fins de semana para repormos as energias, o que não deixa de ser verdade. Mas quem quer arrumar gavetas ou organizar papéis, quem pode ir ao médico ou ajudar nas tarefas dos filhos nos finais de semana, quando esse período parece existir justamente para descansarmos o corpo e a mente?
Claro que seria muito mais interessante se pudéssemos ganhar o mesmo trabalhando menos. Mas ainda assim muitas pessoas optariam por trabalhar esse tempo a mais se pudessem ganhar mais. Tudo é uma questão de valores e de como as prioridades se estabelecem em nossas vidas.
Parar um pouco para pensar no assunto pode mudar a dinâmica de nossa história e mesmo que a maioria não tenha opção, vale reorganizar a vida para tentar obter mais com o tempo e com o dinheiro de que dispomos.