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Um reencontro com a sua natureza

Conheça o Biochip, projeto que promove a alimentação natural

 

"Como saber se o verde que eu vejo é o mesmo que o que você vê?". Essa pergunta, feita por Ana Branco aos sete anos de idade, representava o início de um caminho de descobertas no ramo da gastronomia natural. Fundadora do projeto Biochip, localizado na Pontifícia Universidade Católicado Rio de Janeiro(PUC-Rio), Ana Branco tem a missão de levar para as pessoas a esperança da reaproximação com a natureza, em um mundo tão imediatista.

O Programa de Convivência Biochip é um grupo aberto de estudo, pesquisa e desenho com modelos vivos que é oferecido pela professora e seu grupo aos alunos da universidade e à comunidade. A forma de vida natural é objetivo principal da pesquisa, que busca reintegrar o homem às suas origens - uma espécie de conexão com a nossa essência.

O nome "Biochip" traça um paralelo entre a molécula presente na semente e a molécula presente num chip de computador - trata-se de silício envolto em água, que é presente em toda a natureza e serve como armazenador de toda memória das sementes. O objetivo do programa é investigar como as cores, odores, sabores e informações presentes nas frutas e sementes - revitalizadas pela germinação - podem beneficiar os humanos."O objetivo do programa é investigar como as cores, odores, sabores e informações presentes nas frutas e sementes - revitalizadas pela germinação - podem beneficiar os humanos." Alguns exercícios desenvolvidos pelo grupo de estudo buscam entrar em contato com essa realidade, através de experimentos como a feira do desenho vivo, produção de mandalas com sumo de frutas e sementes, com a intenção de provocar o interesse pelo natural e suas potencialidades.

Permita-se seduzir pela natureza

Segundo o site do projeto, a pesquisa Biochip encontra reflexo na agricultura ecológica em relação à Terra: "na agricultura convencional, quando uma lagarta come uma planta, ataca-se a lagarta para se defender a planta. Na prática ecológica, ao invés de agir diretamente na planta, o que é trabalhado é a Terra, o ecossistema, a base onde a planta pode buscar seus nutrientes com um mínimo de esforço, absorvendo nutrientes, já decompostos pelo metabolismo da Terra".

Essa mesma ideia é válida para nosso corpo. "As misturas de cores, sabores e texturas dos pratos naturais são uma oportunidade de reaproximação dos pigmentos da terra", diz Ana Branco. O objetivo é se deixar seduzir pela natureza e sentir o encantamento produzido em nós. Para Ana, a reconexão não é um sacrifício, mas uma felicidade. Só através do encantamento a gente pode recuperar a conexão, tão desgastada atualmente pela falta de tempo, correria e outros fatores da vida moderna. Que tal vivenciar esse reencontro com a sua natureza?

Confira abaixo o bate-papo com Ana Branco, precursora do programa Biochip.

Revista Personare:

Qual foi o passo inicial para o surgimento das ideias divulgadas pelo Biochip?

Ana:

Tudo começou aos 7 anos de idade, quando peguei uma folha na rua e perguntei para minha professora do colégio: "como a gente sabe se o verde que você enxerga é o mesmo que o meu?". Eu só tive resposta para essa pergunta cinqüenta anos depois. Isso aconteceu quando eu conheci Humberto Maturano, biólogo chileno. Nos seus estudos, ele afirma que cada um enxerga um verde diferente, tem um sabor diferente. Nosso olhar e sentidos são diferenciados porque dependem diretamente da nossa memória afetiva, visual, olfativa... Depende do que nós associamos para aquele verde. Se era a roupa da mãe enquanto amamentava, por exemplo.

Revista Personare:

Essa memória afetiva seria um link para a forma como nós percebemos a natureza?

Ana:

Sim. A forma como nós percebemos o nosso afeto. Nossos afetos representam tudo aquilo que nos afeta. Tudo que de alguma maneira estabelece um laço de contato que tem vida e vinda, ou seja, os dois se transformam por esse afeto. Dessa forma, se você se encanta com esse pêssego da índia que acabou de cair da arvore , se ele ver que eu fiquei doida por conta daquele cheiro e fui lá buscar, a árvore fica encantada também com o fato de eu ter recebido o presente que ela deu. Eu me encanto porque eu adoro o perfume e o sabor e ela também. Dá motivos dela continuar colocando pêssegos da índia no meu caminho, de continuar me abençoando. Então isso vale pra uma bromélia, para um cachorro, para uma criança, para uma lua, estrela. Você vai perceber que o encantamento vai te nutrir muitas horas, muito mais do que se você estivesse comendo uma comida apenas pelo sabor. Você começa a entender um sentimento chamado pertencimento, eu pertenço a essa terra.

Revista Personare:

Nesse contexto, qual a importância do contato da natureza para os humanos? Como realizá-lo?

Ana:

Esse contato somente pode ser realizado através do encantamento. Essa reconexão não é um sacrifício, mas um pura felicidade. Quando a manga cái da árvore ela usa essa isca para atrair as pessoas, assim como os pássaros. Quando observamos esse movimento, as árvores ficam contentes pois elas nasceram com essa intenção de nos seduzir. E nós recuperamos nosso papel de seres humanos, de sermos abençoados pelo que a natureza nos oferece.

Revista Personare:

Como sermos gratos a isso?

Ana:

Além do encantamento, costumamos agradecer o desenho (ou qualquer conexão com a natureza) com uma música guarani (linguagem indígena) que significa: "eu agradeço à mãe pela comida boa que ela dá".

Revista Personare:

Quais os perigos da nossa alimentação atualmente?

Ana:

O pão tem uma substância chamada acrilamida, que é um veneno letal. No momento, as últimas pesquisas que estão sendo feitas (na Suíça, Bélgica, França) estão descobrindo que isso é uma notícia alarmante porque pode abalar a indústria alimentícia no mundo já que basicamente tudo que comemos possui a acrilamida. Batata-frita, aipim cozido, pão... O que possui amido quando cozido gera acrilamida, portanto, resíduo alimentar!

Revista Personare:

Como buscar informações sobre o programa Biochip?

Ana:

Não publico livros para não desrespeitar as florestas, mas possuímos um site com todo conteúdo do nosso estudo. Até 2008, tivemos aproximadamente 4 milhões de acessos. O trabalho acontece na PUC do Rio de Janeiro. Durante as quintas-feiras do período letivo, temos uma feira do desenho vivo, onde fazemos os desenhos e oferecemos gratuitamente a toda comunidade, entre 11 e 14 h. Todos estão convidados a participar!

Para continuar refletindo sobre o tema:

Site do Biochip - http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/anabranc/

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SOBRE O AUTOR

Rachel Lopes

Rachel Lopes é jornalista e produtora de conteúdo com enfoque gastronômico. Apaixonada por culinária, fez diversos cursos no Senac do Rio de Janeiro. Escreve sobre alimentação, saúde e beleza. Saiba mais »

contato: rachelopes2013@yahoo.com.br
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