Clarissa De Franco
Por Clarissa De FrancoLeia em 5 min.25/08/2017 Atualizado em 07/05/2018
Sexualidade na Astrologia: um portal para a espiritualidade

Sexualidade na Astrologia: um portal para a espiritualidade

Casa 8 mostra como emoções e energias têm ligação com sexo

Costumamos, no senso comum, associar sexualidade a necessidades carnais e corporais; enquanto atribuímos espiritualidade a buscas da alma. Esta dicotomia traz outros binômios associados, como o reforço de que aquilo que vem do espírito e da mente se refere a objetivos elevados e sublimes, ao passo que o sexo vem da “carne” e de suas imperfeições, por vezes sombrias, pecaminosas, vexatórias ou perigosas.

Este tipo de raciocínio fragmentado e dicotômico conduz a uma forma excludente de visão e estilo de vida, empobrecendo os significados que as experiências sexuais podem representar e colocando-nos a viver experiências limitadas. Alguns sentimentos como nojo, culpa e repressão têm sido relacionados às atividades sexuais por séculos, provavelmente em função de distorções conceituais próprias de um mundo orientado para a fragmentação e não para a integralidade dos fenômenos.

Espiritualidade tem conexão vital com sexo

Não por acaso, alguns ensinamentos esotéricos e espiritualistas indicam caminhos em que a sexualidade tem uma conexão vital com o desenvolvimento espiritual, como é o caso dos ensinamentos tântricos e outras práticas que permitem ampliar a capacidade de liberação energética e expansão de consciência corporal, promovendo uma integração entre mente/espírito/corpo. O orgasmo, por vezes, é associado a uma experiência mística, próxima de um transe espiritual, tamanho seu potencial de descarga energética e de comunhão com outras dimensões, pelas vias afetiva e corporal.

O orgasmo, por vezes, é associado a uma experiência mística, próxima de um transe espiritual, tamanho seu potencial de descarga energética e de comunhão com outras dimensões, pelas vias afetiva e corporal.

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É fato que o universo energético tem uma intensidade difícil de ser manejada, pois expandir a consciência é também se deparar com aspectos obscuros, não lineares, não controlados pela racionalidade, como os instintos, os desejos, os vícios. Mas o espaço instintivo é também aquele em que guardamos nosso potencial para trocas profundas e para a intimidade. Onde guardamos nossas marcas emocionais, nossas gavetas de sabedoria, salvas dos pré-julgamentos sociais. Por isso, o acesso pode ser tão proibitivo para alguns, que não gostariam de reconhecerem sua própria “nudez” e, pior, compartilhar esta nudez com outros.

Escorpião, Plutão e Casa 8: os mal falados na Astrologia

É deste denso e desafiante campo – o das energias que nos permitem acessar compreensões mais profundas do fluir da vida, por meio da consciência do nosso fluir corporal diante do fluir de outros corpos e almas – que se trata o ensinamento astrológico da Casa 8.

Não é de se espantar que esta Casa seja naturalmente regida pelo signo de Escorpião, associado aos misteriosos caminhos emocionais de nossa espécie. Conhecido como o signo de Água mais próximo do Elemento Ar, por conta de sua capacidade de antever possibilidades e estabelecer estratégias emocionais, Escorpião representa a água em estado sólido, aquela que pode empedrar e endurecer a partir de experiências densas e doloridas, mas também aquela que contém a possibilidade de ser dinamizada e fluidificada a partir do contato com situações e objetos de calor.

Esta brincadeira com os Elementos serve para abrir caminhos de compreensão sobre este tão mal falado universo: o de Escorpião, Plutão e Casa 8. Espero que até este momento do texto já tenha ficado mais claro ao leitor e leitora porque estes três famosos da Astrologia falam ao mesmo tempo de sexo, desejo, intimidade e instintos, mas também de temas como ocultismo, traumas psíquicos, obsessões, vícios, bruxaria, psicologia, paranormalidade, perdas, morte, bizarrices, dinheiro, poder e heranças. Todos estes temas estão ligados entre si pelo fio das profundezas e entranhas. O não controlável, o não visto, o mistério de nós. Eis a morada da Casa 8.

Agora, com este repertório, convido quem acompanha este texto a voltar ao título: “Sexualidade na Astrologia: um portal para a espiritualidade”. Não falamos de uma dimensão banal da sexualidade, longe disso. Ao abordar a Casa 8, trazemos todo este arcabouço para a experiência sexual, que se torna mística em si. Posições preferidas, gemidos, sussurros, fantasias, masturbação, tapas, palmadas, mordidas, língua, arranhões, dedos, buracos, olhos, ouvidos, boca, nuca, pênis, vagina, bunda, obsessões, rituais, cheiros, esfregadas, roçadas… Detalhes de um universo misterioso na busca por maior integração com quem somos no íntimo, com quem atravessa nossa trajetória na Terra e com a grandiosidade que o cosmos representa. Micro e macro unidos em nome do verdadeiro despertar.

Planetas na Casa 8: algumas dicas

Abaixo, você confere alguns significados de planetas na Casa 8. Caso você não possua planetas na Casa 8, deverá atentar ao signo no qual esta Casa está e nos regentes deste signo. Por exemplo, uma pessoa com Casa 8 em Sagitário tende a ser aberta, curiosa e intensa em sua vivência sexual. Mas, caso Júpiter (regente de Sagitário) esteja na Casa 4, apesar de toda esta abertura ao tema e à vivência sexual, é alguém que não gosta de expor sua intimidade. Você descobre aqui qual signo se encontra em sua Casa 8. Para visualizar dicas mais profundas e completas sobre este assunto, é preciso fazer a versão completa de seu Mapa Sexual.

Já para saber se você possui planetas na Casa 8, basta calcular aqui a versão gratuita de seu Mapa Astral. Depois, confira abaixo o significado desses posicionamentos.

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Clarissa De Franco

Clarissa De Franco

É psicóloga e cientista da religião. Atua na temática da morte (perdas, luto e suicídio) e no debate entre religião e ciência, passando por temas como ateísmo e Astrologia.