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Por que sua vida está no caminho da dor?

Vivenciar situações desagradáveis repetidamente sinaliza hora de escolher uma nova realidade

 
Imagem: Jordan Whitt - Unsplash

Se alguém nos pergunta qual caminho escolheríamos para nossa vida - o do amor ou o da dor - bem provavelmente pensaríamos: "o do amor, é claro!". Afinal, quem é que conscientemente optaria pelo sofrimento? Mas, se observarmos bem, o que na prática acabamos escolhendo é mesmo o caminho da dor. E por que cometemos tal contrassenso?

Quando pensamos no caminho do amor, logo associamos a uma passagem florida, sempre alegre, leve, gostosa. Mas o problema é que não é só isso. Este caminho significa, antes de tudo, ter muita, mas muita paciência. Adicione a ela uma absoluta perseverança e persistência, assim como força de vontade, bom humor, humildade e resiliência, além de muitos outros adjetivos que nos afastam da ilusão de que o caminho do amor são só flores.

Quando assisto os programas de TV que mostram o trabalho das super babás ou das profissionais que orientam os pais desesperados de crianças que se comportam ou comem mal, percebo que eles podem nos ajudar a perceber a diferença do caminho do amor e da dor. Os problemas das crianças mostradas nestes programas sempre são, na realidade, originados nos pais e em sua dinâmica de relacionamento. Não que eles façam algo negativo propositalmente, claro. Mas por não terem consciência, acabam escolhendo o caminho da dor na relação entre eles mesmos e com os filhos. Geralmente, não conseguem identificar o que está por trás dos comportamentos nocivos das crianças (suas próprias atitudes e hábitos!) e, justamente por isso, acabam conduzindo tudo de maneira inadequada.

Neste casos, sempre há uma resistência inicial dos pais em agir da maneira indicada pelas babás ou pela nutricionista, pois a ação acertada demanda muita humildade para aceitar a verdade, além de paciência para implantar as mudanças necessárias. Dá um trabalhão ficar atrás da criança, conversar com ela, falar mil vezes a mesma coisa, aguentar o choro e a manha sem se render a ela; ou comprar alimentos saudáveis e mais caros, preparar a comida todos os dias, e por aí vai. Estas ações demandam que os pais se mantenham firmes, sem desistir ou fraquejar. Para fazer tudo isso... Só por amor mesmo! É aí que as coisas começam a mudar. Quando os pais se propõem a realizar todo esforço necessário, apesar de sacrificante, o retorno é sempre muito efetivo e gratificante, superando o esforço!

Manter-nos no amor é mesmo trabalhoso, ainda mais nos dias atuais, quando tudo o que desejamos é dispender o mínimo de esforço para conseguir o que queremos"Manter-nos no amor é mesmo trabalhoso, ainda mais nos dias atuais, quando tudo o que desejamos é dispender o mínimo de esforço para conseguir o que queremos"

, ou seja, vivemos uma filosofia bem oposta ao que nos pede o caminho do amor. Adotamos esta escolha por ser mais fácil, pela preguiça, comodidade e conforto, e não percebemos que este é o próprio caminho da dor. Construir é um ato trabalhoso e o caminho do amor é a própria construção, com seus desafios, erros e acertos, mas de realizações verdadeiras e sólidas.

Caminho da dor é a escolha pela segurança, controle e conforto

Já o caminho da dor é a escolha pela zona de conforto, a fuga do trabalho que a construção de algo verdadeiro e real nos demanda. É a escolha pela ilusão. Porém, ele nem mesmo é um caminho, pois na dor o que fazemos é nos manter presos nas mesmas situações, que a cada repetição nos pede uma mudança.

No caso dos pais dos programas de TV citados anteriormente, os comportamentos negativos das crianças se repetem até que esses responsáveis façam as mudanças de padrões mentais, emocionais e de atitudes necessárias. Da mesma forma, podemos estender este raciocínio para outras áreas da vida.

No âmbito afetivo, nos vemos presos em padrões mentais e emocionais ilusórios que nos fazem acreditar e sentir que a felicidade depende de um parceiro. Neste caso, a vida nos desafia a mudar, trazendo solidão ou relacionamentos nocivos, para nos libertarmos desta ilusão.
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Na vida profissional, nos direcionamos pela necessidade de subir na carreira, pelo retorno financeiro e pelo reconhecimento e admiração dos outros, mas nos aprisionamos em trabalhos que não nos fazem felizes. Com isso, o vazio interior surge como uma oportunidade de impulso na direção de uma atividade mais de acordo com nossos verdadeiros anseios.
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Na vida social, queremos ser queridos e populares, pois isso é o que esperam de nós, mas nos tornamos reféns de um personagem que não corresponde a nossa real identidade, o que nos incentiva a quebrar esta máscara para vivermos nossa verdade.
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Podemos seguir com inúmeros exemplos de como acabamos optando pelo caminho da dor nas diversas áreas de nossa vida, o que nos leva à insatisfação e ao aprisionamento. Mas essa dor, por outro lado, nos impulsiona na direção do caminho do amor, que pressupõe o enfretamento dos desconfortos e medos. Por isso, ao mesmo tempo em que ansiamos por ele, passamos a evitá-lo. Este é o conflito que nos leva às depressões, mal-estar em relação à vida, situações e relações negativas. O pedido, em todos esses casos, é que escolhamos sair do círculo vicioso (o que me lembra a imagem do cachorro correndo atrás do próprio rabo) e optemos voluntariamente (apesar de que, às vezes, a vida e a dor nos obrigam) pelo caminho do amor.

Se vivenciamos repetidamente situações desagradáveis em casa, nos relacionamentos, no trabalho ou na vida, é porque nos está sendo feita uma pergunta: por que não seguir o caminho do amor? Por que não enfrentar o medo e a insegurança e buscar a verdade?

Caminho do amor não precisa ser pesado

Por outro lado, o caminho do amor também não pode se transformar em uma tortura. Lembro-me sempre da frase que fala: "ser mãe é padecer no paraíso". Neste caso, me arriscaria a fazer um trocadilho: "o caminho do amor é padecer no paraíso". Apesar de dar muito trabalho, é também muito gratificante. Ainda que extenuante, que nos exija toda força física, emocional, mental e espiritual do nosso ser, é um caminho de muita realização. Mas, para isso, é preciso nos abrir e nos entregar a ele. Caso nossos passos estejam sacrificantes demais, sem prazer, realização, ou satisfação nenhuma continuamente, bem provavelmente ainda guardamos aspectos do caminho da dor que precisamos superar. E isso é natural, afinal, o que é a vida em si senão esse movimento de transição de caminhos? O peso indica justamente onde nos prendemos ao caminho da dor, para que assim possamos nos soltar dele.

Por vezes passamos por momentos e períodos em que nos propomos, ou somos obrigados pela vida, a confrontar os medos. Estes momentos são quase que inevitavelmente desagradáveis, pois para vencer o medo é preciso entrar em contato com ele, vivenciá-lo. Só podemos superá-lo nos mantendo firmes, até que percebamos que somos mais fortes do que o sentimento de temor.

O caminho do amor é um caminho de escolha de enfrentamentos.

  • Se tenho medo de ficar só, é momento de enfrentar a solidão e superá-la, para alcançar um relacionamento gratificante.
  • Se tenho medo da perda e da traição, podemos passar por tais situações para lidarmos com ela e aprendermos que estamos projetando no outro a segurança que devia estar dentro de nós.
  • Se temos medo da falta de dinheiro e estabilidade, pode ser que precisemos vivenciar momentos de escassez, para perceber que somos mais fortes do que isso e que a vida não acaba se faltar dinheiro ou segurança.

Somos capazes de aprender a lidar e vencer qualquer desafio, por mais difícil que seja. Basta estarmos firmes nesta escolha e não desistirmos, não nos deixarmos levar pelos pensamentos e sentimentos negativos que o medo nos traz nestes momentos. Se tentamos proteger nossos filhos por medo que eles sofram, pode ser preciso viver o desapego da cria, para que eles e você possam ser realmente felizes.

Na prática, não precisamos passivamente esperar viver a situação temida para então superá-la. Se aprendermos a identificar nossos medos e desafios internos de maneira ativa, podemos superá-los conscientemente, sem ter que vivenciar o medo de maneira passiva, como nos exemplos acima."Na prática, não precisamos passivamente esperar viver a situação temida para então superá-la. Se aprendermos a identificar nossos medos e desafios internos de maneira ativa, podemos superá-los conscientemente, sem ter que vivenciar o medo de maneira passiva, como nos exemplos acima."

Seremos, sim, desafiados, mas de maneira mais suave. Isso soaria como algo: não precisamos esperar ficar de recuperação na escola e sofrer a pressão e o desgaste. Se estudarmos e fizermos nossa lição de casa regularmente, podemos passar de ano direto, sem nem mesmo fazer prova final. Às vezes, teremos alguma dificuldade em algumas matérias e precisaremos estudar com mais afinco, buscar ajuda, aulas particulares.

Algumas áreas poderão ser mais desafiadoras para nós, mas com cuidado e dedicação extra, prestando mais atenção em si e na própria vida, buscando ajuda terapêutica e ferramentas de autoconhecimento, podemos superar estas dificuldades. No caminho do amor, de maneira ativa e voluntária, nos propormos a desapegar das ilusões e abrir mão de carências, apegos, orgulhos, preconceitos, controle e fraquezas, sabendo que tudo que vivemos é exatamente aquilo que estamos precisando no exato momento. Assim, aprenderemos a ser mais humildes diante da vida e a viver sem tanta reclamação ou resistência, ou seja, viveremos com mais harmonia, leveza e realização!

E então, o que você escolhe a partir de agora, o caminho da dor ou o caminho do amor?

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SOBRE O AUTOR

Ceci Akamatsu

Terapeuta acquântica, faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro, em São Paulo e à distância. É a autora do livro Para que o Amor Aconteça, da Coleção Personare.  Saiba mais »

contato: ceciakamatsu@gmail.com
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