O que significa sonhar com guerra?

Descubra quais batalhas internas você está travando I Glossário Personare

O que significa sonhar com guerra?

Sonhar com guerra tem um simbolismo profundo, muito maior do que dois inimigos que estão em embate. A guerra é a essência da natureza humana, é quando algumas partes de nós mesmos brigam entre si. Razão x emoção; o que desejo x o que preciso; o que é confortável x o que é desconfortável. Travamos batalhas diárias dentro de nós mesmos.

Confira a seguir mais detalhes para ajudar a entender o que sonhou.

REFLITA SOBRE O CONTEXTO DE SONHAR COM GUERRA

  • Você está participando efetivamente da guerra ao fazer parte de um dos lados conflitantes?
  • Como você reage à guerra? Apenas observa e não toma partido, tenta negociar a paz ou acirra ainda mais o ódio entre as partes?
  • Um lado morre ou é aniquilado de alguma forma?

REFLITA SOBRE O QUE O INCONSCIENTE PODE ESTAR SINALIZANDO AO SONHAR COM GUERRA

  • Você se encontra em dúvida ou paralisado pelas opções a serem escolhidas? Está com raiva de tudo e todos, soltando os cachorros, justamente, porque está indeciso? Essa batalha interna (sobre qual decisão tomar) está te tirando do sério?
  • Você está agredindo as pessoas de uma maneira constante? Ou você está reprimindo a raiva e a agressividade, justamente, por medo de deflagrar conflitos com as pessoas?
  • Consegue definir o que você está evitando? Ou melhor, quais as divergências que está sentindo, pensando, querendo? Deseja terminar seu relacionamento e, ao mesmo tempo, não quer finalizá-lo? Um lado seu almeja mudar de emprego e outro quer se manter no mesmo local? Tente ser bem sincero consigo mesmo para detectar essas ideias, esses desejos, essas emoções conflitantes.
  • Que tal escrever sobre esses dois lados que estão se digladiando dentro de você ou em sua vida exterior?

Entenda possíveis aplicações de sonhar com guerra:

SONHAR QUE DEFENDE UM DOS LADOS QUE LUTAM

Se você está dentro da guerra e defendendo algum lado, será importante perceber que lado é esse. O que é mais evidente no comportamento, na aparência ou nos objetivos desse lado em que se encontra? Faça o mesmo para o lado adversário. Com essa consciência, você saberá se o lado que está defendendo é saudável e válido, e vai perceber se, em seu dia a dia, o modo de agir associado a esse lado em que se encontra está sendo construtivo, produtivo e satisfatório para sua vida.  

A partir deste exercício, poderá saber melhor como dirigir a sua vida, levando em consideração as tendências comportamentais associadas ao outro lado. Vamos supor que no lado que você defende estão os líderes, as pessoas mais ativas e dinâmicas. E, no outro, encontram-se as pessoas mais passivas, que não tomam a iniciativa. Pode ser que seu sonho esteja te mostrando a importância de assumir uma postura assertiva, corajosa, ousada e capaz de tomar suas próprias decisões.

Claro que nem sempre o lado em que se encontra será o mais apropriado. Por isso a importância de entender sobre o que é marcante em cada pólo dessa guerra e por que está pendendo mais para um do que para outro. Será assim que saberá se deve manter-se ali, mudar ou ajustar ambas as polaridades.

SONHAR QUE NÃO ESTÁ PARTICIPANDO DA GUERRA

Pode ser que a sua reação diante da guerra retrate a sua atitude cotidiana diante dos conflitos internos e/ou externos. Se você não está participando do conflito, apenas observando-o, pode ser que esteja evitando o desconforto de tomar decisões, desagradar as pessoas e negociar acordos (consigo mesmo e com o outro).

SONHAR QUE UM DOS LADOS PERDE A GUERRA

Se um lado que participa da guerra é morto ou aniquilado, observe se não está reprimindo em você certas atitudes, valores e comportamentos associados ao polo que perde. Vale a pena mesmo não dar vazão a esse lado em seu dia a dia? Ou é melhor ajustar sua forma de agir para tentar integrar a energia representada pelo lado perdedor?

CONFLITOS INTERNOS INTERFEREM NOS EXTERNOS

Reproduzimos externamente nossos conflitos internos, que são predisposições humanas, por meio de conflitos com os nossos pais, colegas, governo, e com os valores sociais. Quando toma proporções maiores, isso é refletido em guerras entres países ou dentro do próprio país (como uma guerra civil, ainda que não seja declarada).

Sendo assim, será que se entrarmos em um acordo com essas partes conflitantes em nós, estaremos contribuindo para diminuir as guerras fora de nós? Creio que sim. E Gandhi – envolvido diretamente no conflito entre Índia e Inglaterra – nos confirma: “Seja a mudança que você quer ver no mundo.”

Dessa forma, para lidar mais sabiamente com a sua guerra interna (e os conflitos externos), é fundamental entender a causa-mor desses embates, o próprio conflito entre consciente e inconsciente. Uma das melhores explicações sobre esse embate primordial (a partir do qual todos os outros são reflexos) é este trecho retirado do livro “A busca do símbolo: conceitos básicos de psicologia analítica”, de Edward C. Whitmont:

O consciente e o inconsciente não formam um todo quando um deles é suprimido e prejudicado pelo outro. Se eles têm de lutar, que seja ao menos uma luta justa, com direitos iguais para os dois lados. Ambos são aspectos da vida. A consciência deve defender sua razão e proteger-se, e à vida caótica do inconsciente também deve ser oferecida a oportunidade de ser atendida – tanto quanto pudermos suportar. Isso significa guerra aberta e colaboração aberta ao mesmo tempo. Evidentemente, é assim que a vida humana deve ser. É o velho jogo do martelo e da bigorna: entre eles, o ferro paciente é forjado num todo indestrutível, um “indivíduo”. É a isso, aproximadamente, que me refiro quando falo em processo de individuação.”

COMPREENDER SONHOS PODE AJUDAR A TERMINAR GUERRA INTERNA

Do ponto de vista de Jung, só nos tornamos um indivíduo completo, ou seja, com um referencial próprio, centrados e conduzidos a partir das indicações da parte sábia de nosso eu mais profundo (também chamado de Self), quando sabemos lidar com esse eterno e constante conflito entre a consciência e o inconsciente.

Entender as mensagens dos sonhos e ter a força pessoal de, conscientemente, realizar, em nosso dia a dia, as mudanças sugeridas pelos seus possíveis significados (vindos dessa esfera inconsciente de nossa natureza) são um dos instrumentos mais úteis para estabelecer acordos em nossas guerras pessoais.

Daí a importância de prestarmos bastante atenção quando sonhamos com esses conflitos, embates e confrontos. Os sonhos podem estar apontando para a necessidade de conciliar essas facetas divergentes de nossa personalidade.

FAÇA UM ACORDO ENTRE OS DOIS LADOS

Para atingir esse objetivo, é essencial refletirmos sobre cada lado que está em guerra. Um deles refere-se a quais tipos de atitudes, de comportamentos, de crenças? E o outro? Um precisa ceder, o outro precisa preponderar, mas essa dinâmica não pode reprimir nenhuma dessas polaridades. Por exemplo: quando estamos com raiva e com vontade de voar na jugular da pessoa parceira, do cliente ou do chefe, podemos não reprimir essa energia raivosa. Buscamos entrar em acordo com ela, expressando-a como uma vontade construtiva que vai atrás dos objetivos, respeita os valores, a personalidade e o momento do outro, e se posiciona com assertividade.

Esse é o grande segredo para lidar com os sonhos com guerra. Não desvalorizar nenhum dos lados e tentar integrá-los de forma coesa, corajosa e madura. É assim que damos passos proveitosos em nosso processo de individuação.

Yubertson Miranda

Yubertson Miranda

Yubertson Miranda é numerólogo, astrólogo e tarólogo e é graduado em Filosofia. Ama encontrar significado nos eventos do dia a dia. É autor das análises numerológicas do Personare.