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O corpo fala, você quer ouvir o seu?

Dança e psicoterapia corporal ajudam a lidar com emoções reprimidas e dolorosas

 
Imagem: Foter

Quais caminhos podemos tomar para nos ajudar positivamente? Neste artigo falei um pouco sobre os sentimentos negados que guardamos no calabouço do inconsciente, mas que continuam agindo sobre nós. Quanto mais negamos nossas raivas, mágoas e medos, mais estes nos dominam, exatamente por não estarmos conscientes de sua presença. Falamos também de como é importante olhar de frente para tudo que está escondido, trazendo para a consciência, e poder trabalhar para transformar e ressignificar tais conteúdos e eventos negados. Então, hoje quero falar de dois instrumentos que podem ser utilizados para essa reintegração de si mesmo: a psicoterapia corporal e a dança.

Em primeiro lugar, é importante que se entenda a relação corpo/mente e sua interligação. O corpo e a mente são uma unidade. Um reflete o outro e vice-versa. Como muitos de vocês provavelmente já ouviram dizer, "o corpo fala". Isso acontece, pois corpo e mente são unidos e completamente interligados. De tal forma, o corpo reflete nossas emoções da mesma forma que o que acontece no corpo também reflete em reações emocionais. Assim, o que negamos em nosso inconsciente e não fica bem elaborado emocionalmente também aparece no nosso físico, na forma de enrijecimentos musculares ou flacidez e todo tipo de disfunções do organismo.

Quais sentimentos você está negando?

Desta forma, podemos concluir que tudo aquilo que mexe com nosso corpo, mexe também com nossa mente e emoções. Ao movimentarmos nosso corpo conscientemente, mexemos nas estruturas onde estão localizados nossos pontos de dor e as emoções reprimidas e mal elaboradas."Ao movimentarmos nosso corpo conscientemente, mexemos nas estruturas onde estão localizados nossos pontos de dor e as emoções reprimidas e mal elaboradas."

A partir do corpo, juntamente a um trabalho terapêutico guiado, é possível desvendarmos e elaborarmos estes sentimentos em negação.

Por meio da psicoterapia corporal, que é uma das abordagens da psicologia clínica, entramos em contato com nossas questões emocionais e sentimentos negados, não só pelo trabalho verbal, mas também por atividades psicoterapêuticas corporais. Ao mexermos um segmento do corpo de determinada maneira, abrimos caminho para o contato interno com a questão emocional ali localizada e podemos, a partir do corpo unido ao trabalho verbal em atendimentos particulares, elaborar e ressignificar tais acontecimentos traumáticos e questões emocionais.

Dança: quando o corpo encontra caminhos para a transformação

A dança também se torna uma ferramenta de elaboração emocional na medida em que é integrada com trabalhos terapêuticos. Como forma de expressão, não só mobiliza nosso corpo e mente, como possibilita a expressão destes dois. Assim, torna-se uma ferramenta muito produtiva para trabalhos de autoconhecimento.

Quando mexemos nosso corpo em dança, mexemos também com os conteúdos emocionais presentes nas determinadas áreas corporais trabalhadas. Desta forma, é possível que o que antes estava inconsciente, porém ativo em nossa vida, venha para a consciência e entremos em contato com aquilo que precisa ser ressignificado.

Ao identificarmos, em nosso processo de autoconhecimento, questões a serem trabalhadas e libertadas, podemos, por meio da dança, expressar essas questões e encontrar caminhos através do corpo para a transformação e integração. Como a dança é uma fonte de expressão corporal, é possível, através dela, nos expressarmos emocionalmente e sermos guiados internamente para o caminho de transformação dos aspectos olhados.

Quando integrada a trabalhos psicoterapêuticos, a dança se torna uma ferramenta muito preciosa. Colocamos nosso corpo em movimento e em expressão, entrando em contato com nós mesmos e abrindo espaço para o encontro e a elaboração de tudo aquilo que foi negado e jogado no calabouço do inconsciente."Colocamos nosso corpo em movimento e em expressão, entrando em contato com nós mesmos e abrindo espaço para o encontro e a elaboração de tudo aquilo que foi negado e jogado no calabouço do inconsciente."

O inconsciente rege a maior parte de nossa vida e se não tivermos coragem de olhar de frente para tudo que ali está escondido, continuaremos nos deparando com as repetições negativas e o sofrimento que estas geram, sem saber o que estamos fazendo "de errado". Ao trazer para a consciência e ir elaborando internamente estas questões, vamos limpando nossa casa interna e tendo mais espaço para colocar aquilo que nos faz bem e enfeitando-a positivamente.

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SOBRE O AUTOR

Luisa Restelli

Psicóloga e Psicoterapeuta Corporal, com formação em constelação familiar sistêmica. Realiza atendimentos individuais e de casal no RJ e ministra grupos terapêuticos, workshops e palestras pelo Brasil. Saiba mais »

contato: luisara.psi@hotmail.com
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