Nydia Monteiro
Por Nydia MonteiroLeia em 9 min.20/09/2010 Atualizado em 07/05/2018

Musicoterapia para deficientes

Método ajuda paciente a se adaptar e descobrir novas capacidades

Método ajuda paciente a se adaptar e descobrir novas capacidades

Musicoterapia para deficientes

A música amplia nosso potencial de interação e com ela as possibilidades se tornam infinitas. Por esse motivo, os profissionais que trabalham com a musicoterapia e atendem pacientes que têm algum tipo de deficiência nunca trabalham com as limitações das pessoas, mas sempre com a capacidade de cada um. Nas sessões de musicoterapia, o paciente se surpreende tanto com as inúmeras eficiências que vão sendo descobertas por ele mesmo, que sua vida passa a ter outros “sentidos”. A descoberta de novas possibilidades causa surpresa a todos que fazem parte da estrutura familiar do paciente em tratamento musicoterapêutico.

Prazer, motivação, alegria, descobertas, superação, interações e ações são características que estão presentes nesse tipo tão especial e único de terapia. A ideia é estimular o crescimento interior e o resgate de si mesmo em cada sessão, por meio da mistura de ritmos, melodias, harmonia, timbres, instrumentos musicais, criação, improvisação, audição e energia transformadora. O cérebro humano é estimulado pela música e seus elementos. Sendo assim, mesmo em casos de acidentes vasculares, traumas ou perdas variadas da capacidade mental, o paciente não deixa de ser atingido e contaminado positivamente pelo poder musical.

Reabilitação

O corpo e seus movimentos são estimulados por sons que provocam ações, alterações e adaptações necessárias ao tratamento estabelecido. Mesmo quando a audição está prejudicada ou inexiste, as vibrações sonoras também ainda podem produzir resultados benéficos por outras vias. O musicoterapeuta, que é um músico capacitado na área de saúde, consegue utilizar adequadamente estes elementos ao estudar a biografia (anamnese), vivências sonoras e prontuário de seu paciente. A partir daí, são estabelecidos os objetivos terapêuticos a serem alcançados, iniciando assim um processo no qual o paciente deficiente se descobrirá reabilitado ou adaptado a uma nova vida.

Como musicoterapeuta de uma equipe multidisciplinar em um centro de reabilitação de alta complexidade, ainda consigo ser surpreendida e aprender com tanta eficiência destas pessoas antes ditas deficientes. É um privilégio conviver diariamente, ao longo de alguns anos, com esta clientela tão especial e iluminada. A musicoterapia tem a possibilidade maior de desabrochar na vida dessas pessoas, assim como a flor se abre ao ser estimulada pela luz do sol. Que mais e mais deficientes possam se descobrir capazes com o suporte da Musicoterapia.

“Quando eu canto, desaparecem, as diferenças e as indiferenças. As portas se abrem. Então conheço a liberdade. Nas asas deste pássaro: a música.” (música composta em uma sessão de musicoterapia por uma paciente com tetraparesia, sem movimentos nos braços e pernas – cuja eficiência era uma mente e voz privilegiadas).

Como aplicar a Musicoterapia

  1. Fale, converse, cante, conte histórias, marque ritmos, exiba DVDs, interaja e varie ambientes e estímulos sonoros. É importante sempre valorizar as possibilidades e elogiar a superação do paciente. Por menor que pareçam, elas ajudam bastante na evolução.
  2. Nunca supervalorize as impossibilidades do paciente.
  3. Procure tratamento ou consultoria de um profissional qualificado em musicoterapia.

Para continuar refletindo sobre o tema:

União Brasileira de Musicoterapia que congrega as associações e conselhos profissionais do Brasil – http://www.musicoterapia.mus.br

Nydia Monteiro

Nydia Monteiro

Educadora Musical e musicoterapeuta.Pós-graduada em musicoterapia, atende em Teresina e é pioneira nesta especialidade no Piauí.