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Meu par é mesmo um espelho meu?

Descubra como o outro mostra muito sobre nós mesmos

 

Quantas vezes ouvimos dizer que atraímos parceiros afetivos, e até mesmo pessoas em nosso dia-a-dia que são nossos "espelhos"? Porém, quando olhamos para certas características do outro, tudo que pensamos é: "impossível ser um espelho, essa pessoa é o oposto de mim!". Então lembramos de outro velho ditado: "os opostos se atraem". Na realidade podemos dizer que ambos estão corretos. Mas como compreender e aplicar isso positivamente em nossa vida? Vamos elucidar melhor esse "espelho" de semelhantes e opostos.

As polaridades

Tudo em nossa vida tende a ser neutro em sua natureza. É a maneira como direcionamos ou utilizamos as coisas e intenções que acaba conferindo uma qualidade positiva ou negativa a elas. Se comermos pouco, ficaremos subnutridos. Se comermos demais, podemos sucumbir à obesidade. Porém, se comermos equilibradamente, nutrimos o nosso corpo e contribuímos para a saúde. Se engolirmos a nossa raiva, ela contamina nossos corpos físico, emocional, mental e espiritual. Se descarregarmos a fúria nas pessoas a nossa volta, criamos problemas com os outros, e fazemos mal a nós mesmos também. Mas, se transformamos nossa raiva em impulso de realização e ação, ela é direcionada positivamente. Perceba que ainda que algo possa parecer negativo, sempre temos como minimamente transformá-lo, ou lidar de maneira positiva, como no exemplo da raiva, citado acima.

Portanto, nossos sentimentos, impulsos e intenções também mostram duas polaridades extremas de desequilíbrio, assim como a qualidade central harmoniosa e equilibrada. Um impulso que costumo citar bastante é em relação à energia de doação. Se sempre fazemos tudo pelos outros, não sabemos dizer não ou colocar nossos limites, tendemos a agir de maneira doadora demais. Se, por outro lado, nos fechamos em nós mesmos, fazendo tudo sempre em função de nossos próprios interesses, ficamos egoístas. Mas se soubermos nos doar, sem esperar que os outros retribuam nossas boas ações, então nos doamos verdadeiramente e alimentamos um fluxo saudável em nossa vida.

Quando uma pessoa está só, fica mais difícil perceber se está nas polaridades desequilibradas ou na qualidade harmoniosa. Mas num relacionamento o par passa a servir de referencial, pois por meio das interações fica mais fácil perceber os aspectos mais equilibrados e desequilibrados de cada um. Quando há qualquer tipo de choque, conflito ou aborrecimento nas relações, tudo indica que existem polaridades desequilibradas.

Imagine uma mulher cujo parceiro tenha mania de apontar os defeitos dela na frente do grupo de amigos. Se ela age na polaridade negativa de se omitir, deixando de comunicar ao parceiro sua insatisfação com tal comportamento, a outra pessoa continua agindo da mesma maneira. O aborrecimento não desapareceu somente porque a mulher não falou nada, permaneceu dentro de nós. O parceiro dessa mulher, embora saiba que a irrita com essa mania, não tem a real percepção do aborrecimento dela, acha que é besteira. Se essa mulher não aprender a se colocar, bem provavelmente um dia acabará explodindo diante de alguma piadinha do parceiro na frente dos amigos. Então passará para a outra polaridade negativa, a de se comunicar de maneira desequilibrada: com agressividade, jogando na cara do parceiro toda a raiva e irritação acumulada. E poderá, ainda, passar a imagem de uma pessoa exagerada. Afinal de contas, por que tanta irritação se foi só uma piadinha?

Na realidade, quando o parceiro pontuou defeitos da mulher na frente dos amigos, ele estava mostrando ainda que de maneira desarmoniosa, algo que o incomoda. Ele está na polaridade negativa de quem expõe suas insatisfações, porém de maneira não construtiva. Na polaridade oposta, a da omissão, está a pessoa que deixou de se colocar por medo de brigar. Quando quem costuma não expor suas insatisfações explode, entra na mesma polaridade desequilibrada que o parceiro, ou seja, ambos passam a expressar suas insatisfações, porém de maneira negativa. O homem deste exemplo poderá, então, se manter nessa polaridade, iniciando uma discussão e um embate em que ambos vão medir forças. Ou se "encolher", sentindo-se mal e ficando com medo de dizer qualquer coisa para a mulher, sob o risco de verve-la explodindo novamente. A partir daí, ele é quem passaria para a polaridade da omissão.

E o que as polaridades têm a ver com o outro ser nosso espelho?

Somos uns espelhos dos outros em nossas relações, na medida em que um serve para o outro como parâmetro de monitoramento das energias equilibradas e desequilibradas. O jogo de polaridades nas relações nos ajuda a perceber com mais clareza como essas dinâmicas desarmônicas acontecem em nós mesmos.

Podemos estar na mesma polaridade (espelho de semelhantes) ou em polaridades opostas (espelho dos opostos) ao parceiro. Por isso, o outro nos ajuda a perceber qual o nosso aspecto desequilibrado, e para qual polaridade tendemos. É importante sabermos em quais polaridades estamos nos desequilibrando para podermos nos harmonizar. Se estamos na polaridade de não nos expressar, é preciso nos esforçar para falar mais. Porém, se estamos na polaridade de falar de maneira inadequada, falar mais apenas poderá piorar a situação. Será preciso se conter e aprender a nos expressar de maneira mais harmoniosa. A harmonização por meio de atitudes é diferente para cada polaridade.

Perceba como os espelhos são preciosos, pois eles nos mostram onde e como estamos nos desequilibrando. Essas informações são muito úteis para trabalharmos nossa harmonização. Afinal sem elas, nem saberíamos por onde começar, e estaríamos condenados a vivenciar repetidamente as mesmas situações desagradáveis decorrentes desses jogos de polaridades negativas.

É importante ressaltar que os eixos doador demais - doação equilibrada - egoísta e omissão - expressão harmoniosa - expressão desarmônica, mostrados no exemplo deste artigo, são apenas dois dentre os milhares de outros que podem acontecer em nossas relações. É preciso atenção para percebê-los e elucidá-los.

Da próxima vez que se irritar com o seu par, em vez de tentar se defender ou revidar, lembre-se que esta pode ser a porta de saída dessa dinâmica negativa em sua relação. Basta você querer e ter perseverança para fazer essa mudança!

Dicas para trabalhar as polaridades

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SOBRE O AUTOR

Ceci Akamatsu

Terapeuta acquântica, faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro, em São Paulo e à distância. É a autora do livro Para que o Amor Aconteça, da Coleção Personare.  Saiba mais »

contato: ceciakamatsu@gmail.com
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