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Gagueira sob uma nova ótica

Filme O Discurso do Rei ajuda a entender o distúrbio

 

Atualmente, discussões sobre a gagueira vêm ganhando destaque por conta do filme indicado ao Oscar "O Discurso do Rei". Na trama, George VI, interpretado por Colin Firth, assume o trono de rei da Inglaterra, mas precisa superar seu nervosismo e a dificuldade de falar em público. De acordo com a Associação Brasileira de Gagueira (Abragagueira), existe cerca de 1,6 milhão de indivíduos que manifestam o distúrbio. Para Alexandre Bortoletto, instrutor da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística (SBPNL), a gagueira é encarada como um fenômeno neurológico.

"Quando pensamos, criamos imagens, sons e sensações internas, chamadas sistemas representacionais. A gagueira acontece quando nosso cérebro processa muito rapidamente o fluxo destas informações e não consegue acompanhar a expressão oral destes pensamentos. A consequência disso é o atropelamento de algumas palavras e expressões", explica o especialista.

Segundo estudos divulgados, mais de dois terços das pessoas gagas têm parentes que também apresentam esse distúrbio. Apesar de uma parte da população ser afetada pela gagueira por razões genéticas, fatores psicológicos também influenciam na manifestação da doença, como estresse e falta de autoconfiança e autoestima, por exemplo.

"Geralmente quando a pessoa gagueja ao falar em público, como mostrado no filme, existe uma sensação interna de estar em julgamento pelos outros, o que gera insegurança. Outro fator relevante para desenvolvimento da gagueira são as lesões cerebrais, provocadas por acidentes. Em alguns casos o paciente pode perder parte da massa encefálica e ter redução na capacidade de expressão", analisa Bortoletto.

De acordo com o especialista, o distúrbio da fala pode se manifestar em qualquer idade e acarreta prejuízos na vida das pessoas. "Somos seres sociais e esse tipo de distúrbio afeta nossas relações. A gagueira contribui significativamente para a perda da autoestima e pode levar a outras psicopatologias, como depressão, transtorno obsessivo compulsivo e isolamento social", alerta.

Dê adeus à gagueira

No filme, o rei é consultado por uma série de médicos que utilizam recursos curiosos para tratar o distúrbio, como fumar para relaxar as pregas vocais. No entanto, o instrutor da SBPNL lembra que, além de fazer mal à saúde, esse tipo de método é ultrapassado. Segundo ele, uma das formas mais modernas e disponíveis para tratamento são as reprogramações cognitivas, como a Programação Neurolinguística (PNL), por exemplo. Este método permite que a pessoa reprograme seu cérebro, ensinando a ele novos caminhos e retirando falhas de programação geradas no passado.

"Todos temos uma voz em nossos pensamentos que nos acompanha diariamente. A partir do momento que diminuímos a velocidade desta voz e mudamos a tonalidade ao nos expressarmos, imediatamente ocorre uma afinação na fala. A pessoa se comunica mais lentamente e, consequentemente, a gagueira deixa de acontecer. Qualquer um pode fazer uso da técnica, que pode ser aplicada individualmente ou por meio de cursos", esclarece.

O especialista acredita que a trama "O Discurso do Rei" ajuda a diminuir o preconceito que circunda o tema. "O fato de existir um filme apontando a gagueira como estigma pode ajudar as pessoas a entenderem que todos nós somos responsáveis, mesmo que indiretamente, pela cura do distúrbio. Afinal, o respeito ainda deve ser encarado como condição fundamental para estabelecermos relações mais adequadas e sadias", reflete.

Para continuar refletindo sobre o tema

Site da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística - http://www.pnl.com.br
Site do instrutor de Programação Neurolinguística, Alexandre Bortoletto - http://www.alexandrebortoletto.com

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