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Depois de gerar, quem somos?

O reencontro com a própria identidade vivido pelas mães recentes

 

A maternidade, talvez a maior dádiva feminina, traz profundas e definitivas transformações na existência da mãe. As primeiras e mais aparentes mudanças estão no corpo e afetam a autoimagem, o estilo, a escolha de roupas e de postura a partir de então. A mulher passa a localizar sua beleza em um lugar diferente dos seios empinados e da cintura fina. A beleza de uma mãe recente está na tal da aura, na energia pura e criadora que ela emana.

Nem sempre é fácil visualizar essa aura, especialmente quando se vê um corpo disforme diante do espelho, que não corresponde com aquele que um dia nos definiu como "elegantes", "gatas", ou até, quem sabe, "sexy". Não, o sabor desse novo corpo não tem exatamente o gosto do desejo, pelo menos, não do desejo que se conhece por aí, regado por hormônios e viagras. O sabor do corpo da mãe é algo mais próximo de uma redescoberta.

Reformulação de identidade

É muito comum as mães recém-chegadas ao mundo passarem de garotas fortes e determinadas a mulheres confusas, cheias de dúvida e de um certo vazio, que se refere a um estágio de reformulação de identidade. Não temos mais todas as certezas, como na juventude, e de quebra, nos tornamos responsáveis pela participação na construção de um novo ser. Mas como nos responsabilizar por tamanha tarefa, se não sabemos mais sequer quem somos?

A novidade está em uma palavrinha mágica: reconstrução. As mães que acabam de gerar estão em processo de reformulação de sua identidade, de seu papel no mundo, de como querem ser vistas e de como podem contribuir para a sociedade a partir de seu olhar como mãe. Como alguém em construção, as mães tornam-se uma página com uma marca d´água ao fundo, pois não podem abandonar sua bagagem, mas a deixam como um suporte ao qual se pode recorrer em momentos de angústia. A marca d´água é a sabedoria acumulada dos anos, que nunca sairá de cena, mas poderá acomodar junto de si muitas e muitas novas frases, questionamentos e reflexões. Uma mãe recém chegada ao mundo é uma nova possibilidade de existir e atuar. Eis uma grande liberdade e responsabilidade, ao mesmo tempo.

Às mães recém-chegadas, algumas dicas para aproveitar esse momento:

  • 1Tenha a coragem de olhar novamente o mundo e se mostrar novamente a ele. As mudanças, quando bem trabalhadas e aceitas, promovem crescimento e admiração à volta.
  • 2Aprenda a se divertir mais na sexualidade. Você certamente não perdeu sua beleza, sensualidade, feminilidade, poder de sedução... Esses elementos só estão diferentes e loucos para serem redescobertos. Brinque mais com a sexualidade.
  • 3Fazer exercícios pode remodelar seu corpo e fazer bem para sua autoestima, mas não espere ser a mesma mulher de antes. Você pode ser melhor.
  • 4Você é mãe, mas além disso, é muito mais. Busque a criatividade a qualquer custo. Renove-se! Abra espaço para o novo em sua vida.
  • 5Se as outras pessoas interferirem demais nas ações em relação ao seu bebê, agradeça com um sorriso, mas não encane. Acredite, acima de tudo, que a sua intuição e sabedoria podem lhe guiar. Quando tiver dúvidas, você certamente saberá para quem perguntar.
  • 6Aprenda a conhecer seu filho (a) e não só criá-lo à sua semelhança. Ele é um ser único, pode lhe ensinar muito.

De posse dessas sugestões, celebremos esse estado mágico que é a maternidade!

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SOBRE O AUTOR

Clarissa De Franco

É psicóloga e cientista da religião. Atua na temática da morte (perdas, luto e suicídio) e no debate entre religião e ciência, passando por temas como ateísmo e Astrologia. Saiba mais »

contato: clarissadefranco@hotmail.com
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