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Como você enxerga o outro?

Filme Histórias Cruzadas e série de TV trazem reflexão sobre respeito

 
Histórias Cruzadas retrata racismo no sul dos EUA. Longa tem quatro indicações ao Oscar.

Nascemos seres humanos, mas nossa humanidade vai se revelando, ou não, no contato com outros seres humanos. A arte representa nossas buscas e também nossos fracassos nessa trajetória. Dois exemplos são o filme Histórias Cruzadas e a série de TV Downton Abbey. Ambos tratam da relação entre patrões e empregados em casa.

Em Histórias Cruzadas o pano de fundo é a segregação racial no sul dos Estados Unidos na década de 1960, imediatamente antes da grande revolução liderada por Martin Luther King. Os negros são tratados como cidadãos de segunda classe, sem possibilidade de ocupar os mesmos lugares que os brancos. Nas casas das famílias brancas, as empregadas domésticas são negras e, apesar de cuidarem praticamente integralmente da casa e dos filhos dessas famílias, são tratadas como objetos que podem ser dispensadas quando não mais convêm às suas patroas.

Já em Downton Abbey, o cenário é um palácio no interior da Inglaterra, habitado por um conde, sua família e seus empregados, no inicio do século XX. Seus hábitos, suas aspirações, suas mediocridades e também sua nobreza são os elementos dessa série. O relacionamento entre patrões e empregados é formal, mas permeado de respeito mútuo.

Nobreza de caráter

Ambas as histórias retratam momentos marcantes que a humanidade atravessou, o reconhecimento dos negros como cidadãos completos nos Estados Unidos, e a Primeira Guerra Mundial. Ambas falam de nobreza. Não só de títulos de nobreza, mas principalmente de nobreza de caráter, que se pode encontrar no reconhecimento do outro como uma pessoa, e não como um objeto. Mesmo sendo empregados, os funcionários de Downton Abbey são reconhecidos pelo conde como seres humanos que têm problemas e precisam de ajuda. Nobreza também dos empregados que tomam decisões que visam a um bem maior, às vezes deixando de lado os próprios interesses.

Se é nos relacionamentos que vamos revelando e moldando nossa humanidade, naqueles em que percebo o outro como um indivíduo que pensa, sente e tem vontade própria, ou seja, que reconheço o ser humano que está diante de mim, nestes eu posso me refletir e perceber o que há de humano em mim. Porém, naqueles em que só percebo no outro sua utilidade, como alguém que só me serve para cumprir uma função, como cozinhar, limpar, fazer sexo comigo, o meu reflexo também será funcional, e meu valor passa a ser apenas pelo que posso fazer, não por quem eu sou. Isso gera a corrida incessante por dinheiro, carro, imóveis, equipamentos de última geração. Porque eu não valho pelo que sou, mas pelo que tenho ou posso fazer.

Ser nobre e sacrificar algum próprio interesse por uma causa maior que envolve outras pessoas, sem precisar alardear isso aos sete cantos do universo, é um exercício que vai nutrindo nossa humanidade."Ser nobre e sacrificar algum próprio interesse por uma causa maior que envolve outras pessoas, sem precisar alardear isso aos sete cantos do universo, é um exercício que vai nutrindo nossa humanidade."

Vamos começar já, observando como agimos com as pessoas que convivem conosco, em casa, no trabalho, nas lojas, nos restaurantes, no metrô. Isso não significa que você precise ficar amigo de todo mundo que encontra, mas saber que aquela pessoa que lhe atende no balcão não é uma máquina, mas uma pessoa, e respeitá-la por isso. Quem sabe chegará o tempo em que a Terra será povoada por seres verdadeiramente humanos?

Para continuar a refletir sobre o tema

Downton Abbey
Histórias Cruzadas

Imagem: Divulgação

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SOBRE O AUTOR

Marcelo Guerra

Médico graduado pela UFRJ. Começou a carreira como Psicanalista e depois enveredou pela Homeopatia e Acupuntura. Ministra oficinas e palestras em todo o Brasil e atende em consultório no RJ. Saiba mais »

contato: marceloguerra@terapiabiografica.com.br
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