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Arcano do mês: A Torre

Em abril de 2017, Tarot sugere imprevistos e chance de romper com o que vai mal

 
Imagem: © The Tarot of Prague. Baba Studio, 2016. Todos os direitos reservados. Foto de Leo Chioda

"A Torre" é, com frequência, considerada uma das piores cartas do Tarot . E é, se for levado em conta o raio que atinge e destrói o topo desta edificação, estremecendo todo o terreno e colocando em risco os seres que vivem dentro ou ao redor dela.

O arcano simboliza a arrogância do ser humano em querer atingir os céus, morada exclusiva dos deuses, já que quanto mais alta é a torre, maior é o desejo de se alcançar as alturas. Se por um lado isso denota predisposição para chegar mais longe (e mais alto), por outro é um sinal de ansiedade e descontentamento: querer mais e mais.

Assim, "A Torre" sendo açoitada pelos poderes do céu, seja o raio ou o fogo que deriva dele, é uma imagem bastante clara da necessidade de limites que se deve ter em relação às situações, às pessoas e às coisas.

MENOS É MAIS

Em abril de 2017, esta carta emerge como um lembrete de que as expectativas devem ser repensadas consideravelmente. Em vez de apostar todas as fichas em alguém ou em determinado assunto, convém respirar fundo e reconhecer o alto grau de ansiedade. Este mês está marcado por situações inusitadas, por isso, uma postura serena é mais do que indicada para lidar melhor com o que surge de repente e, principalmente, com o que não sai da maneira como se imagina."uma postura serena é mais do que indicada para lidar melhor com o que surge de repente e, principalmente, com o que não sai da maneira como se imagina."

Até porque nem tudo acontece de acordo com a nossa vontade, já percebeu? Não adianta bater o pé e brigar com os céus para que algo aconteça ou que alguém se torne diferente. Por isso, o raio é um símbolo auspicioso em abril: esperar menos das situações é também sofrer menos com o que está fora do nosso alcance e do nosso controle.

QUANDO OS PERRENGUES SÃO PROVIDENCIAIS

Nada vem à toa. Os percalços do caminho surgem, por mais preparados ou protegidos que estejamos. Em abril podemos contar com imprevistos, surpresas nem tão boas quanto parecem e palavras mal ditas e mal ouvidas. Os perrengues fazem parte, por mais que se evite. Não adianta. Mas adianta enfrentá-los de cabeça erguida - sair na noite da tempestade sabendo dos raios. Tudo e todos postos à prova.

No âmbito das relações, convém perceber o quanto algumas amizades saturadas perdem a força e se desfazem. Na verdade, o que "A Torre" derruba é providencial. Pense em paredes pouco firmes: é melhor que sejam derrubadas do que caiam sobre nós, não é? Por isso, este arcano também simboliza a verdadeira liberdade depois do estorvo. É importante analisar sua própria maneira de lidar com amigos e colegas em abril. Quanto mais desprendida forem suas medidas, mais suaves serão os vínculos - e menos você esperará dos outros.

PERCEBER O MEDO DO MUNDO

Aliás, quanto mais temos noção de que "A Torre" é uma condição geral neste mês - que atinge não somente a nossa vida pessoal como também a sociedade e o mundo como um todo - maiores são as chances de nos colocarmos no lugar de todos. Em vez de julgar os erros ou as falhas, convém perceber que todos temos dificuldades, cedo ou tarde. O seu tamanho não é maior que o das pessoas do outro lado do mundo. Seus problemas não são tão sérios quanto os de muita gente, embora sejam sérios o bastante para fazer com que você se preocupe e reflita. "A Torre" é um baque nas expectativas, mas também é uma maneira de nivelar cada ser humano: ninguém é melhor ou pior, mas cada um pode e deve reconhecer o seu pior e desenvolver o seu melhor.

Nada vem à toa em abril. A dor de um escombro pressupõe a força mais funda, aquela que você sabe que tem, que eu tenho, que todos temos. Mesmo parecendo um problema pessoal - do mundo ou do destino para conosco, pobres coitados - na verdade os testes se intensificam numa semana de surpresas: para nos destruir? Não, para assegurar nossa força de vontade para resolver. "A Torre" não é um arcano meramente ruim. Ela é uma oportunidade de enxergar as dificuldades como oportunidades de crescimento e de fortalecimento. Regendo este mês, ela se torna um treinamento contínuo para dissolver os obstáculos. Exatamente como a vida pede.

SÓ O QUE ESTÁ FIRME É QUE DURA

Por isso que nada rui à toa. De acordo com "A Torre", não existem castigos divinos, mas sim causas e condições. É natural que um estrondo descompense tudo o que não está firme em bases bem sólidas. Entenda que os relacionamentos e os projetos só resistem se foram, estão e serão bem feitos e bem cuidados."Entenda que os relacionamentos e os projetos só resistem se foram, estão e serão bem feitos e bem cuidados."

Porque o tempo se abre depois da tempestade. E a bonança é um estado de espírito; uma atitude que se toma.

No campo afetivo, abril é o mês para deixar cair o que não presta. Implodir os planos falhos. É tempo de cultivar o que é sólido, o que vem do real planejamento e o que vigora no coração. Algumas certezas valem a pena serem mantidas, mas não a ferro e fogo. Quem se mostra irredutível o tempo todo acaba sentindo mais dor do que de costume porque as situações se mostram cada vez mais severas.

ATENTE À SUA POSTURA!

A saúde pede flexibilidade e agilidade. Não descuidar da coluna é importantíssimo. Acidentes e situações inusitadas envolvendo a conduta em relação ao próprio corpo também acabam acontecendo devido à influência deste arcano. "A Torre" é um alerta vermelho à sua postura - não só em relação à vida, mas sobretudo à postura física!

HORA DE ACORDAR PARA A VIDA

Em vez de esperar despencar o pior, convém agir para remediar o que vai mal. Com atenção e predisposição para mudar o que pode ser mudado, abril acaba sendo um período de lições e de exigências. Não há tempo a perder com desculpas. O sucesso depende de uma conduta cada vez mais ágil, mesmo que tudo pareça estar em ordem - justamente porque os acidentes nem sempre avisam quando vão acontecer.

"A Torre" convida a aprender muito com os desastres - os seus e os das pessoas. O raio é uma maneira de acordar para a vida, não para entregar os pontos. Transformar a maneira de ver o mundo e as pessoas é a intenção desta carta do Tarot: sem esperar tanto e sem dormir no ponto. Encarar as demandas com coragem, sempre levando em conta que o tempo está passando. E rever cada sensação de derrota, já que em abril quem vence é quem enfrenta os percalços, tanto os pressentidos quanto os repentinos. Sem medo.

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Como é escolhido o arcano do mês?

Dos e-mails que chegam: "Qual a força ou mesmo a idoneidade dos arcanos do mês que aparecem em diferentes páginas? Nunca são iguais! Qual deles seguir?". Sim, existem muitas pessoas que puxam uma carta para o dia, uma para a semana, uma para o mês e até mesmo uma para o ano. E elas são válidas.

"Ué, mas todas elas são válidas? Então, qualquer pessoa pode tirar uma carta que vale para tudo e todos?", alguns podem se perguntar. Não é bem assim. E não é simplesmente tirar a esmo. Deve-se levar em conta o propósito do sorteio (para quê? para quem?) e a marcação de tempo aplicada (para quando? Dentro de qual período?). Esta é uma forma de delimitar a atuação dos símbolos, sendo para uma previsão ou para uma orientação, a um grupo ou um público em particular.

Aqui no Personare, por exemplo, as cartas selecionadas para o mês são sorteadas tendo como premissa aquela que melhor venha a orientar os usuários, nos períodos especificados."Aqui no Personare, por exemplo, as cartas selecionadas para o mês são sorteadas tendo como premissa aquela que melhor venha a orientar os usuários, nos períodos especificados."

São tendências gerais que ressoam, que batem, que agradam, preocupam e até desagradam.

Ao contrário da Astrologia, que tem uma fonte única de cálculos (que são as posições dos planetas e os aspectos, considerados universais), com o Tarot teremos sempre cartas diferentes porque cada oraculista responsável tem um baralho em mãos - um microcosmo à disposição - que refletirá suas respectivas intenções. Ainda que os referenciais sejam os mesmos no mundo todo (78 arcanos: 22 Maiores e 56 Menores), existem deformações simbólicas, sistemas e filosofias diferentes no âmbito do Tarot. A melhor maneira de avaliar a validade e a eficácia desses arcanos é testando a interpretação e percebendo sua atuação em nossas vidas.

Mesmo que os símbolos também sejam universais, eles falam através de vozes diferentes. Vez ou outra as cartas são as mesmas, indicando que certas energias podem estar alinhadas. Mas pode acontecer de serem próximas ou absolutamente destoantes. A prioridade é perceber que cada carta, por mais divergente de um canal para outro, acaba sendo pertinente à pessoa interessada. Os símbolos falam ao melhor e ao pior de nós. E a idoneidade de cada canal é medida pela assertividade da interpretação, não pelas cartas sorteadas.

Portanto, querer ou pressupor que as cartas de todos os canais sejam iguais para validar o Tarot ou dar uma impressão de coerência oracular é o mesmo que desejar que um raio caia várias vezes no mesmo lugar. Pode acontecer, claro, mas não somos nós que determinamos isso.

Então, cabe avaliar o que se lê, assiste e ouve sobre os arcanos selecionados para um período estipulado de atuação. Conviver com os símbolos. O Tarot é um instrumento auspicioso para o aperfeiçoamento pessoal e, sobretudo, para tomar as devidas atitudes diante do mundo.

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SOBRE O AUTOR

Leo Chioda

É escritor e tarólogo. Dedica-se a palestras sobre Tarot, pesquisas históricas e prática da leitura das cartas. É também autor da análise de Tarot Mensal do Personare. Saiba mais »

contato: chiodatarot@gmail.com
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