Ceci Akamatsu
Por Ceci AkamatsuLeia em 4 min.02/02/2018 

Amor de Carnaval pode durar?

Relações que nascem durante a folia podem ser mais gratificantes

Relações que nascem durante a folia podem ser mais gratificantes

Amor de Carnaval pode durar?

As paqueras aquecem no Carnaval, um momento de intensidade, alegria e magia no qual nos permitimos extravasar. Entretanto, ainda que desejemos, às vezes não surge nem uma paixãozinha mais longa, mesmo que apenas por alguns dias ou mesmo horas ou minutos… Por que algumas relações sobrevivem ao Carnaval, tornando-se duradouras, e outras não?

Esta é a época em que nos permitimos dar vazão aos impulsos que na nossa rotina ficam reprimidos. Seja pela timidez ou pelas próprias pressões do dia a dia, tendemos a nos comportar de modo mais sério e emocionalmente distante dos outros. Ainda que o Carnaval possa significar exageros e motivos de remorsos, por outro lado, nos permite ir além das vergonhas e travas que limitam a expressão de quem realmente somos no cotidiano.

Extravasando verdade

Quando extravasamos este lado mais espontâneo, geralmente reprimido, nossas atitudes passam para o outro uma imagem mais de acordo com a nossa verdade. Assim, atraímos pessoas que correspondem a essa sintonia. A relação tende a ser gratificante, seja ela momentânea ou em longo prazo, porque mais efetivamente toca nosso coração.

Por outro lado, se geralmente nos reprimimos demais, tendemos a extravasar nossas energias por meio de atitudes exageradas. É como se fossemos uma panela de pressão que explode. Quando toda a energia que represamos é liberada no Carnaval, o que vivenciamos é uma versão distorcida de quem realmente somos.

Quando toda a energia que represamos é liberada no Carnaval, o que vivenciamos é uma versão distorcida de quem realmente somos.

Neste caso, tendemos a atrair pessoas que também estejam de acordo com essas distorções. Se somos muito pudorosos, com o exagero, ficamos mais sujeitos a experimentar um momento em que a sensualidade e sexualidade explodem, nos levando a relações que depois nos causam os já citados vergonha e remorso.

Se estamos muito carentes, a maior liberdade do Carnaval pode favorecer a vivência do número máximo de relações, mesmo que sejam fugazes, apenas para compensar o vazio que sentimos ao longo do ano – ou prevemos sentir nos próximos meses. Esses são apenas alguns exemplos que podem acontecer, de maneira mais intensa ou mais sutil com foliões.

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E quando acaba a folia?

O fim do Carnaval, porém, pode trazer o gostinho de quero mais. O problema é a ansiedade que pode surgir. Se antes nosso desejo era de viver o máximo durante os dias de festas, agora fica a angústia de não saber se a relação que nasceu durante a folia vai perdurar. Nesse momento é preciso direcionar a mente positivamente, mantendo-a aberta para todas as possibilidades e gerenciando as expectativas de maneira saudável.

Quando sabemos lidar com as expectativas, mesmo que a relação não vingue, esta vivência pode sim continuar a ser enriquecedora. Se o peso das expectativas ficar desagradável, podemos buscar ajuda para aprender a lidar melhor com elas e favorecer nossa vida afetiva.

É claro que o vínculo que se originou na folia pode vir a se firmar. É importante, lembrar, porém, que o que vivenciamos nesta época costuma ser uma versão diferente de nós mesmos. Ao voltar para a vida normal, a relação – assim como nós mesmos – também pode mudar.

A profunda afinidade vivenciada ao longo das festas pode desaparecer. Pode ser que uma das pessoas se mostre bastante diferente ao tentar continuar a relação ao retomar o dia a dia. Mas, se somos nós mesmos que caímos na falta de alegria, nas travas do dia a dia ou nas expectativas exageradas, isto nos ajuda a ficarmos mais atentos e nos impulsiona a melhorar.

Pode ser, ainda, que nos mantenhamos alegres, abertos e tranquilos, e a outra pessoa não consiga o mesmo. O mais importante é que se nós conseguirmos fazer isso, mesmo que esta relação não siga em frente, outra surgirá e estaremos mais preparados e com mais harmonia.

Não espere o Carnaval para ser feliz

Não é preciso esperar o Carnaval para sermos mais espontâneos e verdadeiros. Podemos nos trabalhar para não nos deixar levar pelas pressões do dia a dia, timidez ou expectativas.

O mais importante é perceber como o Carnaval modifica nossas atitudes nas interações afetivas para que estejamos conscientes ao longo do ano todo. Se trabalharmos nossa consciência e autoconhecimento de maneira contínua, vamos aproveitar mais, não só os amores de Carnaval como os amores durante o ano todo, abrindo o coração de forma mais espontânea aos outros.

Para refletir

  • Costumo me arrepender depois do Carnaval pelos excessos cometidos?
  • Espero o ano inteiro para aproveitar este momento e o resto do ano parece bem mais sem graça?
  • Costumo sofrer com a perda de amores que parecem perfeitos, mas depois parecem acabar sem explicação?
  • Sinto angústia em relação à superficialidade das relações que vivencio?

Caso você tenha respondido sim a uma dessas perguntas, vale a pena aprofundar seu autoconhecimento para entender a sua forma de amar. Para isso, o trabalho terapêutico pode ajudar você a passar por esse processo de reflexão de forma mais rápida, serena e consciente.

Ceci Akamatsu

Ceci Akamatsu

Terapeuta Acquântica, faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro, em São Paulo e à distância. É a autora do livro Para que o Amor Aconteça, da Coleção Personare.